39- a glimpse of us.

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[15/03/2030]

Voltei para Nova York apenas hoje. Eu nunca pensei que passaria por um momento tão difícil quanto o que estou passando agora.

Já passei por muitos problemas na vida, do mais fútil ao mais avassalador, mas nada se compara a passar por um término, durante uma gravidez de primeira viagem, na transição de uma troca de cidade em um emprego novo.

Eu havia acabado de conseguir definitivamente o emprego e tive que entregar um atestado de quinze dias devido aos meus ferimentos, atestado esse que com certeza vai sujar minha imagem na visão dos meus supervisores. Para piorar um pouco mais, eu engravidei em um mês de trabalho, exatamente o tipo de coisa que não deveria ter acontecido, afinal, John tinha me dito que já teve problemas com mães antes e por isso não tinha pretensão de contratar mais. E... voilá! No fim das contas ele acabou contratando.

Vou ter que voltar a morar com meus pais depois de adulta, eles tiveram que alugar uma casa na cidade e se mudarem para cá, neste exato momento estão pegando minhas coisas do apartamento do Jaden para trazerem para cá.

Para fechar com chave de ouro, não estou falando com minha melhor amiga, por ter revelado minha gravidez no pior momento possível. Eu entendi que foi calor do momento, mas estou estressada demais para lidar com qualquer pessoa daquela família que só me fodeu.

Eu sei que estou reclamando de muita coisa e vendo tudo pelo lado negativo, sei que tudo vai se ajeitar mais cedo ou mais tarde e eu definitivamente deveria (e estou) grata pela vida da minha criança, que apesar de toda a merda que a mãe dela está passando, segue aqui, só que eu não consigo simplesmente aplicar um positivismo forçado na minha vida quando tudo vai de mal a pior. Não há estoicismo suficiente que tampe o fundo do bueiro que estou para me trazer de volta a superfície.

♡♡♡

[25/03/2030]

Antes de ir para meu andar, marquei um horário com John para tratar do meu caso, contei toda a verdade, tirando a parte da gravidez e acrescentando que a queda foi acidental.

Ele compreendeu, embora não pareça feliz com minha ausência anterior de duas semanas, porém vida que segue, agora é tentar recuperar todo o trabalho que deixei para trás.

Ao chegar em meu andar, dou bom dia de maneira meio rápida, para evitar conversa e burburinhos, indo direto para a minha sala.

Trabalhar vai me fazer bem. Estarei ocupando a cabeça com algo realmente importante. Dizem que mente vazia é oficina do diabo, nada melhor que preenchê-la com informação.

— Entre, Margot. – Acerto, realmente era dona Margot.

— Café?

— Aceito. – Sorrio fraco. Preciso comer bem agora, já negligenciei demais minha alimentação. — Tem leite? Café me deixa agitada demais e eu não confio em nenhum chá nesses primeiros meses.

Ela para de me servir, me olhando como se perguntasse se estou mesmo esperando um bebê. A única coisa que faço é abrir um sorriso derrotado, dando razão a ela que havia me dito antes mesmo que eu soubesse.

— Amanhã vou te preparar algo ainda mais nutritivo! Quero que você me passe seu cardapio depois, vou falar com as meninas da cozinha pra capricharem especialmente pra você.

— Obrigada. – Pisco para ela. — Mas eu adoraria que isso ficasse entre nós duas por um tempo, acha que consegue manter esse segredo?

— Sem dúvidas, minha flor. – Ela se vira para sair, mas para na porta antes. — Sei que está assustada, mas Deus só coloca um anjinho nas mãos de quem é capacitada para cuidar dele. Nós mulheres temos a função de cuidar de uma criança até que ela cresça pra que possa não somente cuidar de si mesma, mas retribuir o cuidado, é o ciclo da vida. Deus tem um propósito muito lindo na sua vida e tenha certeza de que esse bebê veio para trazer união. Você será muito feliz e essa criança é testemunho. Ame ela.

𝘸𝘢𝘪𝘵𝘪𝘯𝘨 𝘳𝘰𝘰𝘮 - 𝘫𝘢𝘥𝘦𝘯 𝘸𝘢𝘭𝘵𝘰𝘯.Onde histórias criam vida. Descubra agora