Poucas pessoas conhecem a sensação de se afogar.
Uns dizem que a morte por afogamento é silenciosa e calma, a minoria acredita ser tão ruim quanto a morte por queimadura e asfixia, eu faço parte dessa minoria.
O processo do afogamento até a morte leva tempo. Primeiro, você acredita ter familiaridade com o sentimento, acha que dá tempo de reverter a situação e superar o trauma.
Em seguida, o ar vai fazendo falta e seu raciocínio passa a trabalhar dobrado no momento em que seu espírito de sobrevivência fica em alerta e tenta de alguma maneira, te fazer lutar por sua vida.
Os segundos vão passando, você não percebe, mas a única coisa que ainda funciona é o seu cérebro. Seus pulmões estão cheios de água, a síntese de oxigênio vai faltando no cérebro, te deixando nauseado e tonto, seu coração que antes estava acelerado, naquela afobação para chegar a superfície, vai parando de bater, os seus tímpanos estouram devido a pressão da água, logo o seu corpo para de lutar e você aceita que aquele é o momento em que sua vida acabou.
Eu me identifico com esse sentimento, porque estou vivendo ele agora.
— S/a?
Escuto uma voz de fundo, como no fundo da minha cabeça, distante.
— O que você fez? S/a... o que você fez?
Sigo a voz com a cabeça, vendo uma figura embaçada pelas lágrimas, pisco e então vejo Mencía parada na ponta da escada.
— O que você fez?
Desço meu olhar para a figura desfalecida no chão, então a ficha cai, Mencía corre ao meu encontro, me abraçando.
— E-eu... e-eu não queria ter machucado, eu só queria tirar ele de cima de mim. Mencía, eu acabei de matar o nosso amigo. Eu matei o Alessandro!
— Shh...
— Eu matei ele! – Meu choro é alto e escandaloso, meu coração bate tão forte que a sensação é de que vai furar a minha pele e prolapsar para fora do meu peito. — Eu matei ele, eu matei, eu matei ele... Mencía...
— Respira... por favor, respira.
— Men...
— Você não matou ele. – Mencía segura o meu rosto com força, me obrigando a olhar para ela. — Eu vou te tirar daqui antes que alguém o encontre.
— Você não p-pode, todo mundo me viu sair com ele, eu não tenho um álibi.
— Eu vou ser o seu álibi.
— Você não pode. – Fecho os olhos, sentindo minha vida esvair por aqui mesmo.
Mencía saca o celular do bolso.
— Me passa o número do seu namorado.
— Não. – Nego freneticamente com a cabeça.
— S/n.
— Não, ele não, por favor, ele não. Ele não vai aguentar isso.
— Para de tentar ser perfeita pra ele, S/n! Pelo menos nesse momento! Ele só vai deixar de quebrar quando você parar de tratá-lo como se fosse feito de vidro.
Passo o número para ela.
Quando Mencía se levanta e começa a falar na ligação, todo o resto fica silencioso, paro de escutar absolutamente qualquer coisa quando um zumbido alto praticamente fura os meus tímpanos, me obrigando a tapar os ouvidos na intenção de protegê-los, exceto pelo fato de que esse zumbido só existe na minha cabeça.
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𝘸𝘢𝘪𝘵𝘪𝘯𝘨 𝘳𝘰𝘰𝘮 - 𝘫𝘢𝘥𝘦𝘯 𝘸𝘢𝘭𝘵𝘰𝘯.
FanfictionS/n Bianchi De La Riva cresceu junto aos irmãos Walton. Desde muito criança, nutriu um amor platônico por um dos gêmeos, Javon. Esse amor platônico se tornou um "namorico" de infância, para depois de crescidos, evoluir para um relacionamento sério...
