45: e pluribus unum.

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Não desiste de mim... por favor. – Sussurro, implorando com todo o meu ser.

Vejo a expressão de Jaden neutralizar, como se toda aquela magia que vivemos há segundos atrás tivesse ido embora, trazendo de volta a realidade.

Antes que eu pudesse reivindicar qualquer palavra, tenho minha atenção tomada pelo microfone oscilando quando alguém o toma. É o Senhor Sulzberger que o tem em mãos, mais conhecido por nós como "o poderoso chefão", o cara que é a razão para nosso jornal existir e continuar assim.

— Boa noite senhores, senhoras... – Há um tom de cinismo no "senhoras." — É com muito prazer que comemoramos hoje cento e setenta e quatro anos do jornal mais importante de toda América! Poxa, vida... são quase dois séculos, uau! Eu como presidente da Times Company e um dos editores, digo com muito vigor que contamos com a melhor equipe possível; repleta de profissionais comprometidos com a veracidade das nossas notícias, notícias que mantém o nosso país informado e funcionando. Os Estados Unidos não seria nada sem o New York Times, portanto, meu mais sincero obrigado!

Nossa equipe passa a aplaudi-lo com muito fervor, inclusive eu, que ainda estou confusa com o beijo e com... bom, tudo. Difícil saber quando não estou confusa sobre algo.

— A todos! Aos nossos editores, a equipe maravilha da redação, aos profissionais dos serviços gerais, todos! Quero aproveitar esse momento de agradecimento para pedir um brinde, pois mais uma vez, nossa equipe está crescendo. A saída de Meredith abriu uma vaga para a direção executiva que vai ser ocupada por alguém tão eficiente quanto, por favor, recebam de braços abertos o Senhor Bedetti, seu novo diretor executivo da Times Company!

Quase como num filme de terror, quem eu menos esperava ver aqui sai da escuridão e sobe ao palco, abraçando Sulzberger de lado como se fossem íntimos. Posso jurar que tenho as mãos trêmulas e o cenho franzido neste momento, embora sinta nada além de confusão, surpresa e medo.

— Quer dar uma palavrinha, Alessandro?

Alessandro nega com a cabeça mas com a evidente insistência de Arthur, ele toma o microfone em mãos.

— Boa noite a todos. A única coisa que posso dizer é que... – Seus olhos encontram os meus, quase como se estivesse me procurando antes. — É um prazer estar aqui. Estou pronto pra tocar nossa equipe da maneira mais profissional possível e levar esse jornal a um patamar que ele nunca esteve antes.

♡♡♡

— Você vai pedir demissão.

— Jaden, calma. – Peço para meu... o pai da minha filha se acalmar, ele anda de um lado para outro, extremamente nervoso.

— Calma, nada! Você vai pedir demissão e vai sair desse emprego ainda essa semana!

— Por que está gritando comigo? Por que está agindo como se fosse minha culpa?? – Levanto minha voz no mesmo tom que o dele, o forçando a parar um pouco e respirar fundo.

— Eu sinto muito. – Ele ergue as mãos, massageando uma das têmporas. — O que eu quero dizer é que não é seguro continuar aqui.

— Eu quero acreditar que está errado. Quero dizer, ele é o diretor, eu sou apenas uma escritora qualquer, quais são as chances da gente se esbarrar?

— Todas, Bianchi. Esse infeliz é doente por você e não vai sossegar até fazer da sua vida um inferno. Eu não vou permitir que se coloque nessa posição.

— Jaden. – Tento fazê-lo entender.

— A resposta é não. Você está com a minha filha na sua barriga, não se esqueça disso.

𝘸𝘢𝘪𝘵𝘪𝘯𝘨 𝘳𝘰𝘰𝘮 - 𝘫𝘢𝘥𝘦𝘯 𝘸𝘢𝘭𝘵𝘰𝘯.Onde histórias criam vida. Descubra agora