5° Capítulo. - Mortes e promessas.

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{...}

- Bom dia, meninos. - Eu digo, coçando minha cabeça.
- Bom dia. - Eles dizem, em coro.
- Dormiu bem? - Lay pergunta.
- Bom, acordei quando era três da manha, mas ai eu consegui dormir novamente. Mas... Acordei novamente quando era 6:00.
- Porque? - Suho disse, enfiando uma colher de cereal na boca.
- Não faço idéia. Eu tive um sonho estranho.
- Um sonho estranho?
- Sim. Eu estava numa sala. Presa numa sala.
- E...?
- Eu ouvia sons estranhos, tipo, ruídos.
- Ui. Slender estava ao seu lado.
- Não diga isso, Ed. Não me mate do coração. - Ele ri. - Você sabe que eu prefiro o Jeff.
- O que você vê nesse cara?
- Hm... Ele é bonito e a história dele é maravilhosa.
- Você é louca.
- Eu irei deixar você dizer isso quando eu cortar minha boca e queimar minhas pálpebras.
- Tem coragem? - Xiumin pergunta, me olhando assustado.
- Sim. Pegue uma faca que eu lhe mostro. - Dou um sorriso psicopata.
- Não, não precisa mostrar. - Dou risada.
- Mas então, o sonho foi só isso?
- Não. Teve alguns momentos em que... Alguém me chamava, e pedia por ajuda. Foi... Um pouco horrível.
- Deve ter sido.
- Bom. Eu vou passar a tarde no parque, então...
- Não vai tomar café?
- Ah, não... Eu... Eu estou bem. - Menti.

{...}

Eu nunca se quer pensei em suicídio. Em cortes. Ou algo parecido mas ontem... Eu tive pensamentos estranhos, eu provoquei os vômitos, eu comi tanto que me senti mal, e simples provoquei um vômito para me sentir melhor, mas não aconteceu, me senti pior. Por ter feito algo tão ridículo. Mas eu não quero engordar, sinceramente. Não tenho preconceito algum mas eu não quero. Mas... Eu realmente não sei porque fiz aquilo.
- Hey. - Alan diz, enquanto acena para mim. Passo reto sem responde-lo. - Hey? - Ignoro mais uma vez e sento-me na grama, ele vem até mim e sorri. - Escute, eu já pedi desculpas.
- Desculpas não apaga a dor que eu estou sentindo.
- Eu lamento.
- Eu te odeio.
- Você acreditou porque quis. Você se iludiu. O que eu podia fazer?
- Sabe o que podia fazer? Ter recusado o desafio e nunca ter entrado na minha vida.
- Me desculpe.
- Vai se foder.
- O amor...
- O amor é uma bosta. É como um elástico sabia?
- Porque?
- Porque o primeiro que solta machuca o outro e você soltou. - Minhas lágrimas caem.
- Lamento. - Ele se levantou e saiu.
- Eu também. - Sussurrei. Jogo-me para trás e fecho os olhos, sentindo o vento balançar alguns fios de meu cabelo, nesse parque é sempre assim, a grama bem cuidada e verde, e o vento... É ótimo senti-lo batendo cotra meu rosto e meu cabelo.
- É bom, não é? - Ouço a voz de Chanyeol e abro os olhos. Ele sorri. - Olá.
- O que faz aqui?
- Eu gosto de vir aqui.
- Ah, sério?
- Sim.
- Eu também...
- Mais uma coisa em comum.
- E qual é a outra?
- "A primeira garota". - Era um livro. Falava sobre uma garota e um garoto, eles eram melhores amigos, ela tinha uma emorme depressão, e ele tentava ajuda-lá. É o melhor livro.
- Ah, isso é verdade.
- Sabemos até as falas.
- É... Além disso, o que mais você gosta?
- Eu gosto de beber café.
- Café? - Eu pergunto, confusa.
- Sim, mas eu gosto de beber café sozinho.
- Sozinho?
- Sim. Eu amo ler livros sozinho. Gosto de andar sozinho, gosto de ouvir música sozinho e comer sozinho.
- Gosta de fazer tudo sozinho?
- Sim. Isso me dá tempo para pensar e definir coisas na minha mente livre. Mas...
- Mas?
- Mas sempre quando eu vejo amigos rindo juntos ou namorados juntos, eu me sinto... Solitário. Percebo que mesmo que eu goste de ficar sozinho, não gosto de me sentir sozinho.
- Você... Você é diferente do que eu pensava que era.
- Achava que eu era como?
- Assim como Kai. - Ele ri. - Metido.
- Você julga as pessoas sem conhecer.
- É que eu não gosto muito de pessoas.
- Porque?
- Elas... São estranhas.
- São falsas. Não é? - Chanyeol me olhou com um olhar triste.
- Você acha?
- Sim, eu acho.
- Eu também. - Respiro fundo. - Chanyeol.
- Sim?
- Você já amou alguém?
- Sim. Mas acho que essa pessoa que eu amava... Não me amava.
- Porque acha isso?
- Acho que ninguém me ama.
- Porque?
- Eu realmente não consigo idealizar alguém apaixonado por mim. Eu não consigo imaginar alguém pensando em mim antes de dormir, ou contando para os amigos sobre mim com um sorriso bobo. Eu não consigo imaginar alguém nas nuvens porque eu dei um "oi" ou qualquer coisa assim. Sei lá, só não consigo.
- Mas... Você era um dos caras mais populares da escola.
- Sim, mas... A popularidade atrai pessoas falsas.
- Chanyeol, as garotas se matariam por você. Fala sério, acha mesmo que ninguém te ama?
- Continua sendo falsas.

{...}

O sorriso que estava em meu rosto desapareceu assim que eu vi meu irmão caindo em lágrimas.
- O que houve?
Edward me olhou, e abriu a boca pra falar, mas nada saia de seus lábios.
- O que aconteceu? - Prrgunto novamente. Sehun deu um passo a frente, se aproximando de mim com uma cara triste.
- Os seus... Pais.
- O que tem meus pais?
- Eles estão... - Ele fez uma pausa. - Mortos. - Ele suspirou longamente. - Apenas sinto minhas lágrimas rolarem por minhas bochechas. Eu realmente pensei que era apenas uma brincadeira ou algo assim, mas todos estavam tristes, ou sérios. Meu irmão estaca soluçando de tanto chorar, ele precisa de mim agora. Vou até meu irmão e o abraço, ele me abraça tão forte. Meus pais estão mortos?

E foi ali, onde tudo desabou. Eu desabei.

{...}

- E aí. Você está bem? - Luhan perguntou.
- Sabe, eu odeio essa pergunta.
- Porque?
- Porque algumas pessoas perguntam sem querer saber a resposta.
- Mas eu quero. Eu me importo. - Ele sorri. - Mas eu não aceito mentiras.
- Eu vou ficar.
- Aham. Vamos ficar.
- Eu vou... Para meu quarto. - Luhan assentiu e eu vou para sala. Edward acabou dormindo depois de tanto chorar, dou um sorriso fraco ao ver meu irmão dormindo em cima de Kai, que está com os olhos vermelhos.
- Kath?
- Hm?
- Esta tudo bem? - Meus olhos enchem de lágrimas.
- Eu... Posso ficar com vocês? - Ele sorri, se aproxima e me abraça. Sentamos um ao lado do outro, Chanyeol ficava me observando com um olhar triste. Eu queria poder ir até ele e beija-lo. Mas... Não posso.
- Você vai ficar bem... Prometemos. - Sehun disse, enquanto acaricia meus cabelos. Não ligo para quem estava me olhando e apenas deixo minhas lágrimas caírem. Eu odeio que me vejam chorando mas agora... Não é uma hora para ligar para isso.
- Eu era uma péssima filha. - Digo, entre meus soluços.
- Não. Não era.
- Sim, eu era.
- Eles te amavam. Não importa como você seja, se foi ou não uma boa filha, eles te amavam. - Minha choro aumenta e Sehun beija minha testa.
- Porque eles?
- Eu não sei, Kat.
- Mas eles tem sorte, não é?
- Porque sorte?
- Porque... Porque a morte é melhor que a vida.
- Sim, é sim. - Chanyeol disse, com seu rosto todo molhado por lágrimas. - Eles estão em um lugar melhor. Acredite.
- Eu acredito. - Ele sorri, ainda derramando as lágrimas. Eu nunca havia visto Chanyeol chorar. É tão triste.
- Vem comigo. - Chanyeol disse, se levantando. Eu o segui até a cozinha. Eu apenas me sentei na cadeira e abaixei minha cabeça então não vi o que ele estava fazendo, mas eu ouvi sons de copos. Sinto ele passar sua mão pelas minhas costas, levanto minha cabeça e vejo duas canecas de café na mesa. - Eu mesmo fiz. Hoje de manhã. Prove. - Pego uma caneca e bebo um gole de café. - Está bom? - Ele sorri.
- Sim, está ótimo.
- Está mesmo?
- Sim. - Ele pega a outra caneca e toma um pouco do café.
- Hm... Eu sou ótimo, não é? Já podemos se casar. - Ele da risada.
- Você disse que gosta de beber café sozinho.
- Eu posso ser sozinho contigo. - Ele sorri.
- Chanyeol... - Dou uma pausa. - Isso foi muito irônico. - Dou risada.
- Eu sei. Eu gosto de ironia.
- Eu também. - Dou risada. - Me faz um favor?
- Qualquer coisa. - Ele diz, sorrindo. Puxo sua mão até meu quarto, vou até minha prateleira de livros e pego "A última garota".
- Lê para mim?
- Ler?
- Sim.
- Tudo bem. - Deito-me na cama, ele senta e abre o livro. Ele começa a ler, sem erros algum, sem travadas, como se tivesse lido várias e várias vezes. Sua voz tão calma...

{...}

Chanyeol P.O.V

Seus olhos são perfeitos, sua boca tão macia e tão boa. Droga. Eu estou apaixonado? Isso não pode acontecer. Não novamente.
- Chan... - Ela resmunga.
- O que?
- Vem... - Ela puxa minha camisa. - Mais perto. - Chego bem perto dela. - Beija-me.
- O que?
- Me beije. - Beijo ela. Sinto seu rosto molhado e me afasto, ela estava chorando. Chorando feito um bebê. - Isso vai passar?
- Vai sim... Eu vou ajuda-lá.
- Vai mesmo?
- Vou... Eu estou aqui, Kat. Enquanto eu estou aqui, você vai ficar bem.
- Você promete?
- Sim. Eu prometo. - Ele beija minha cabeça.

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