25° Capítulo. - Margaridas.

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Dia 11 de agosto. - Terça-Feira.

"Está tudo bem se você não acordar." Katherine sussurrou, enquanto olhava para o céu azul. Ela respirou fundo e sentiu o maravilhoso cheiro de terra molhada, vinha de seu gramado, havia chovido bastante na noite passada, mas hoje o dia estava ensolarado. Ela não gostava disso, não gostava do sol e muito menos do calor, ela gostava de chuva e de dias frios. Katherine fechou os olhos, e sentiu o vento bater em seu rosto e bagunçar seu cabelos, ela sorriu ao sentir o cheiro de flores e chá, era seu irmão, ela reconhecia seu cheiro em qualquer lugar.
- Edward. - Ela disse, ainda com os olhos fechados.
- Irmã... - Edward respondeu. - Você está...
- Sim. - Katherine o cortou. - Eu estou bem. - Ela sorriu. - Mas e você? Você está bem?
- Eu estou bem. - Edward suspirou ao sentir o vento bater com força em seu rosto. "Eu não estou bem, irmão. Perceba isso." Katherine pensou.
- Kath... - Suke sussurrou. Katherine abriu os olhos e pode ver Suke segurando margaridas em suas mãos, e sorrindo de lado. - Eu lhe trouxe isso.
- Margaridas? - Katherine sussurrou, com lágrimas nos olhos. Uma das margaridas caiu no rosto de Katherine, e ela se lembrou de sua mãe, ela costumava colocar pétalas de margaridas em seus cabelos, e fazia isso com Katherine também, mas ela sempre as tirava escondido de sua mãe e as coloca nos cabelos de seu irmão. - Mamãe... - Ela sussurrou. Katherine pegou as margaridas e as colocou junto com seu corpo, ela respirou fundo, e sentiu o cheiro das margaridas. Suke arregalou os olhos ao ver Katherine sorrindo e ao mesmo tempo, derramando algumas lágrimas. Ela arrancou algumas pétalas e as jogou em seu cabelo, Edward sorriu.
- Mamãe... - Edward sussurrou.
- Vocês estão bem? - Edward não respondeu, apenas voltou para casa. E Katherine se levantou.
- Eu estou, obrigado. Eu adoro margaridas.
- Eu também gosto delas.
- Eu gosto de rosas também. São cheirosas. - Suke sorriu. - Você está bem?
- Eu imagino que você queira saber o que aconteceu ontem.
- Eu imagino que você não queira falar.
- Você me acalmou.
- Eu não sei como.
- Talvez você tenha tal dom de fazer as pessoas ficarem boas.
- Eu não tenho.
- Você me deixou feliz, com um simples abraço.
- Eu não sei como eu fiz isso.
- Os demônios correram de você, eu fiquei surpreso.
- O que você quer dizer com isso?
- Os demônios?
- Sim, eu não entendo.
- Você entenderá.

{...}

Dia 12 de agosto. - Quarta-Feira. - 2:00 da manhã.

Katherine seguiu pelo longo corredor, mas ela parou no meio do caminho, pois avistou uma mulher no final do corredor, Katherine ainda se perguntava aonde estava, parecia um manicômio, ou algo vparecido, ela nem se quer aproximou-se da tal mulher, ela era um tanto assustadora, aqueles olhos, Katherine podia ver dor, mas nem a moça e nem Katherine disse nada. Katherine parou por um tempo, para reparar na moça, ela era extremamente magra, e alta também, seus cabelos longos e lisos, mas não havia expressão em seu rosto, em seu rosto não havia cor, os lábios da moça eram brancos e secos, ela era pálida, tão branca quanto a neve. Katherine sorriu e acenou, nesse instante, a moça sumiu. Katherine rodeou o tal lugar com os olhos procurando pela moça, de repente, a moça aparece novamente, mas dessa vez, de frente para Katherine. E nesse momento, Katherine acordou. Era apenas um pesadelo. Um pesadelo bizarro. Katherine, agora estava ofegante, seu coração estava acelerado.
- Você está bem? - Sehun perguntou. Katherine arregalou os olhos e deu um pulo, mesmo sentada.
- Sehun... Sehun?
- Sim?
- Ah! Traga-me água! Rápido. - Sehun assentiu e foi atrás da água. Ela prendeu seu cabelo e suspirou, em poucos segundos, Sehun trouxe a água, Katherine a bebeu e suspirou novamente. - Obrigado.
- O que aconteceu?
- Eu tive um pesadelo.
- Um pesadelo?
- Nem queira saber. Só fique aqui. Por favor.
- Tudo bem, eu não irei sair do seu lado. - Katherine assentiu e beijou a bochecha de Sehun, ela deitou-se novamente e respirou fundo. Estava com medo de ver a tal moça. "Quem era ela?" Katherine pensou. "Que diabos que ela era?" Katherine pensou melhor.

{...}

Ainda dia 12 de agosto. - 2:17 da tarde.

- Eu sinto falta. - Suke disse. - Sinto falta de quando eu era normal. - Ele suspirou alto.
- Você é normal, Suke. - Katherine respondeu com um sorriso no rosto.
- Você não sabe de nada. - Suke riu.
- Então me conte.
- Posso lhe contar uma história antes?
- Ah! Claro que sim, quando eu era menor minha mãe contava histórias de terror para eu dormir.
- Isso é... Bom. Meus pais nunca fizeram isso.
- Oh, eu... - Suke a interrompeu.
- Esqueça isso, posso começar?
- Sim! Comece. - Katherine cruzou as pernas e esperou Suke começar.
- Havia um menino, ele não era muito feliz, seus pais viviam fora, trabalhando, e ele vivia com seu irmão.
- Hm? Continue.
- Um dia, quando ele fez treze anos de idade, bem no seu aniversário, ele descobriu uma doença.
- Uma doença? - Katherine perguntou, ela realmente não conseguia ficar quieta.
- É, esquizofrenia. Os pais dele ficaram muito assustados, pois o menino estava ficando louco, com medo de tudo, vendo coisas que ninguém via. Eles ficaram com medo do próprio filho.
- Suke! Você está sangrando...
- Me escute. - Suke disse, quase chorando. - Os pais do meninos foram embora, sem ao menos dizer adeus, o garoto ficou louco, tentou suicídio milhares de vezes, mas não conseguia, ele se sentia inútil, pois seus próprios pais tiveram medo dele, e esse garoto, não pode fazer nada, ele sai por aí com um sorriso no rosto, como se nada tivesse acontecido, como se ele não estivesse morrendo por dentro.
- Isso... - O nariz de Katherine começou a arder. - Isso é real? - As lágrimas caíram.
- Esse garoto... Sou eu. - O vento bateu forte nos cabelos de Suke, nesse instante, ela levantou imediatamente e ele começou a chorar sangue novamente. - Esse garoto se cortou e nunca mais parou.
- Você... Não! Você não é um suicida, Suke! Você não tem esquizofrenia! Você é uma pessoa normal. - Katherine gritou, suas lágrimas já estavam tomando conta de seu rosto. - Porque? Porque?
- Katherine... - Suke sussurrou.
- Porque coisas ruins só acontecem com pessoas boas? Porque? - Katherine gritou alto. - Isso é injusto, você deveria ser feliz, não suicida. - Katherine caiu de joelhos. - Porque, Suke?
- Você... Katherine, eu não sou bom, nem os outros, todos nós tentamos suicídio, todos nós temos nossos pulsos marcados, somos monstros.
- Não! Não são! Suicidas são apenas anjos... - Katherine soluçou. - Anjos que vêem a morte como uma saída para sua casa. - Suke arregalou os olhos.
- Katherine... - Ele disse novamente.
- Você ainda será feliz, Suke...

{...}

- Eu sei como é se sentir inútil. - Katherine começou.
- O que? - Naru perguntou.
- Às vezes, eu olho para minha imagem no espelho e não sei quem sou.
- O que você está falando? - Heji perguntou.
- Dói, não é?
- Katherine! O que você está falando? - Tachi disse.
- Dói, eu sei que dói, porque eu também passo por isso, sei como é se sentir doente e morta.
- Suke! O que ela está falando?
- São dias e noites intermináveis de saudades, eu entendo a dor de vocês.
- Saudades? Oh, seus pais. - Tachi disse.
- É, eu nunca fui uma boa filha, quando eles se foram, machucou fundo. E eu sofri um acidente da minha própria estupidez. - Ela riu entre as lágrimas, Katherine levantou a manga da sua blusa e mostrou seu primeiro corte, ela ainda se lembrava da dor, ainda se lembrava que foi parar num hospital.
- Katherine... - Naru sussurrou.
- Se vocês são monstros, eu também sou, se vocês são idiotas, eu também...
- Katherine! - Heji gritou. - Como você...
- Eu sou uma idiota, mas... Por favor. - Ela abaixou a cabeça. - Não me deixem novamente.

{...}

"Ele acordou." Katherine pensou.

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