Terça feira.
Acordei com uma luz forte batendo no meu rosto. Era o sol. Ah, meus olhos. Levanto-me e vejo que ainda estou no quarto da boate, mas não vejo Katherine. Rodeio o quarto com meus olhos até eles pararem em uma trilha de sangue, que estava seguindo para o banheiro.
- Sangue? - Sussurro. Corro até o banheiro e vejo Katherine caída no chão, seus pulsos... Meu Deus... Katherine. - Katherine? - Grito, correndo até ela. Mas ela não se mexe, está desmaiada? Caralho. - Me ajudem! Por favor. - Grito, mas ninguém se quer escuta.
- Chanyeol?
- Sehun? - Eu grito.
- Cara, está tudo bem? - Corro para abrir a porta, quando a destranco, Sehun estava todo bagunçado. - O que houve?
- Chame a ambulância.
- O que?
- Sem perguntas. Apenas chame. - Ele assentiu.
{...}
- Onde está ela? - Disse Edward.
- Hey, cara. - Abraço-o. - Fique calmo.
- Ficar calmo? Chanyeol, o que aconteceu?
- Ela... Eu a encontrei no banheiro da boate com os pulsos cortados.
- Com o que? Ela não faria isso. Pelo amor de Deus, isso é estúpido.
- Edward, não fale isso. Ela vai ficar bem.
- Mas ela não cortou nenhuma veia, não é? - Kris pergunta.
- Espero que não.
- Espera que não? Eles não disseram nada?
- Não. Ainda não.
- Quem aqui é Edward... - Edward respondeu antes que ela pudesse continuar.
- Sou eu. - Ele disse.
- A senhorita Katherine está bem. Mas recomendo uma clínica de recuperação.
- Uma clínica de recuperação?
- Sim, sua irmã cortou os pulsos e isso é extremamente sério, poderia ter acontecido algo mais grave.
- Minha irmã não é do tipo suicida, ok? Ela nunca fez isso.
- Como sabe?
- E como você sabe?
- O senhor está perdendo o controle.
- Foda-se. Eu só quero ver minha irmã.
- Os senhores podem vê-la. Mas vão rápido, ela precisa descansar.
- Quando ela vai receber alta? - Eu pergunto, enquanto os outros entram no quarto de Katherine.
- Amanhã. Ela passará essa noite aqui.
- Tudo bem. Muito obrigado. - A enfermeira assentiu e saiu. Fui até o quarto dela e parei na porta, ela estava com algumas coisas em seus pulsos e doía ve-la assim. Seu rosto estava coberto pelo cobertor.
- Vamos, Kat. Queremos te ver. - Edward disse, tentando tirar o cobertor de seu rosto.
- Eu quero ficar sozinha.
- Kat... - Minhas lágrimas caem e todos me olham assustado. Ela finalmente tira o cobertor de seu rosto assim que escuta minha voz. Ela tenta levantar-se mas os fios que estavam em seus pulsos a impede. - Eu pensei que você estivesse morta. - Me aproximo dela e a abraço.
- Me perdoe, Chanyeol. - Ela diz, chorando.
- Eu te perdôo.
- Me desculpe. Me desculpe.
- Você vai ficar bem. - Todos estão nos olhando, não entendo nada. E vejo que Sehun estava fervendo de ciúmes. Solto-a e ela limpa seu rosto. - Me desculpem. O que eu fiz foi estúpido.
- Não foi. Você só... Estava fora de si. - Eu digo, acariciando seus cabelos.
- Porque você estão tão juntos assim? - Sehun disse.
- Por acaso está com ciumes, Sehunnie? - Katherine diz, sorrindo.
- Claro que não. - Ele diz, coçando sua nuca.
- Venha cá. Eu estou sentindo saudades dos seus abraços e do seus beijos.
- Oh, não me faça chorar. - Tao disse, rindo, mas seus olhos estavam cheios de lágrimas.
- Venha, Sehunnie. - Ela abriu os braços e Sehun abraçou-a.
- Eu também quero abraço. - Disse Baek, fazendo Kat rir.
- Eu abraçaria todos mas vocês são muitos.
- Você abraçou Chanyeol e Sehun, mas não me abraçou? Seu próprio irmão?
- Oh, Edward. Não seja dramático. - Ela abriu os braços e Edward abraçou-a.
- Lamento mas, vocês terão que ir, ela precisa descansar. Katherine perdeu muito sangue.
- Ah, deixe eles ficarem mais um pouco. Por favor. - Katherine disse, fazendo beicinho.
- Não posso, querida. Mas um deles, terá que ficar contigo.
- Eu fico. - Edward disse.
- Ed, deixa que eu fico com ela. - Eu disse.
- Não.
- Eu então? - Disse Baek, sorrindo.
- Não! Eu já disse que vai ser eu. - Edward disse.
- Eu posso escolher? Por favor. - Katherine disse.
- Ahn... Okay.
- Tudo bem, Sehun fica comigo. - Sehun pula de alegria.
- Eu sei sou incrível.
- Não seja convencido.
- Porque ele?
- Porque sim.
- Tudo bem, agora vocês tem que ir. - Todos nos beijamos a testa de Kat e saímos. Imagino se Sehun não estivesse no corredor naquela hora, o que seria de Katherine agora? Mas o que está me incomodando é: Ela é suicida?
[...]
Katherine P.O.V
Sehun caio no sono. E aqui estou eu, no maior tédio. Em um hospital. Eu não fazia idéia do quão ruim é ficar em um hospital? De verdade, é tudo sem cor e chato, e fora do quarto, é tudo escuro. Dá até medo.
- Kath... - Sehun sussurra, ainda dormindo. Ele fala enquanto dorme? - Eu... Ah! Eu quero. Comer. - Ele ri. Olho para um criado mudo que havia ao meu lado, e nele havia um copo de água. Pego o copo e me aproximo um pouco mais de Sehun, jogo a água nele e ele acorda assustado. - O que?
- Estava sonhando comigo?
- Quase que eu me afogo. - Ele brinca e dou risada. - Mas sim, eu estava.
- Como foi?
- Muito bom. - Ele diz, sorrindo.
- Claro, foi comigo.
- E depois você diz que Kai é o metido?
- Ele é sim. - Dou risada.
- Mas você também.
- Não sou não.
- É sim.
- Eu não sou e ponto final.
- Ok. - Ele se aproxima da minha maca. - Sabia que você fica linda até assim?
- Não, Sehun.
- Sim, Katherine. Você é linda. Você fez essa roupa de hospital ficar perfeita em você.
- Obrigado. Essa roupa é terrível. - Ele riu. - Entra um ar frio na parte de trás. - Ele ri mais ainda.
- Não ria da minha desgraça.
- Foi mal, mas amanhã. Você vai estar livre disso tudo.
- Aham.
- Posso perguntar uma coisa?
- Porque eu fiz isso? - Dei um suspiro. - Eu não sei. Eu estava bêbada.
- Ah, ok. Posso fazer outra?
- "Porque você me escolheu?"
- Por acaso você está fazendo alguma macumba? - Ri.
- É as perguntas mais prováveis. Enfim, eu também não sei porque te escolhi.
- Você não sabe nada. - Ele resmunga e eu dou risada.
- E você é um chato.
- Eu? Eu sou mais legal que o Chanyeol.
- Isso não é verdade.
- Aah! Vai me dizer que ele é mais legal?
- Sim.
- Isso mágoa.
- Pobre, Sehun. - Faço beicinho.
- Aah! Não faça isso, você acaba comigo.
- O que?
- Esse beicinho. - Ele me imitou.
- Ah, foi mal.
- Kat...
- O que?
- Posso te beijar? - Ele diz, coçando a nuca.
- Como assim? - Eu digo, assustada.
- Sabe quando dois lábios se tocam? Então.
- Sehun, eu sei. Mas eu não posso.
- Porque não?
- Porque... Porque não.
- É, você gosta do Chanyeol, só pode.
- O que?
- Não é verdade?
- Não! Está ficando louco? Eu não gosto de ninguém, principalmente nenhum de vocês.
- Você fala isso, mas no fundo tem uma paixão por nós.
- Sehun! Você bebeu muito e o efeito da bebida não passou. - Dou risada.
- É sério, fala a verdade, não acha nenhum de nós bonito?
- Bonitos? Admito que sim.
- Viu? Eu sabia.
- Não se empolgue, você não é um deles.
- Como assim não? Eu sou o mais bonito.
- Não é, o mais bonito é o... - Tampo minha boca. - Ninguém.
- Agora fala.
- Não.
- Fala.
- Não, Sehun.
- Por favor. - Ele fez beicinho. Ah, droga.
- N-Não.
- Por favor.
- Não!
- Dá uma dica.
- Não.
- Então diga.
- Tudo bem. - Reviro os olhos. - Para mim, o mais bonito é o Kai. Por isso ele é muito metido.
- Hm... Tem razão.
- Finalmente um de vocês admitiram.
- Admitiram o que?
- Que o Kai é metido.
- Ah! Todos sabiam disso.
- Mas enfim, Suho também é bem bonito mas a beleza dele me assusta.
- Porque?
- Ele tem uma beleza assustadora. - Sehun ri. - Não parece um ser humano de tão bonito.
- Mais que exagero.
- É sério, as vezes, dependendo de que posição ele está, ele parece um boneco.
- Você é doida.
- Sim, eu sei.
- Mais quem?
- Todos vocês são lindos. - Sorri.
- Sério mesmo?
- Sim, você sabia que você é meu favorito?
- Ah, está usando a ironia.
- Não.
- Você me odeia.
- Eu não odeio ninguém, Sehun. Eu só sou um pouco... Nervosa.
- Nervosa? Isso é pouco. - Dou risada.
- Tem razão. Eu sou muito mais que nervosa.
- Hm! Então admitiu?
- Ahh! - Ele ri.
- Você é um amor, diferente do que se mostra.
- Não sou diferente.
- É sim... Você esconde a garota gentil e fofa em baixo da ignorância.
- Sabe porque eu faço isso?
- Claro que sim.
- Ah é? Porque então?
- Para não ser magoada. Mas você viu, que ignorância não presta. Você foi magoada.
- Eu nunca fui ignorante com Alan. Jamais. Eu o amava.
- Não ama mais?
- Não. Ele me quebrou.
- Então eu tenho chances?
- Você? Claro que... - Eu não quero magoa- lo. Mas também não quero iludir. - Eu não sei.
- Eu não sei. - Ele disse me imitando. - Essa é sua resposta para tudo.
- Eu não sei. - Eu digo, rindo.
- Vou te bater.
- Ta bom, já parei, mamãe.
- Ah! Não queria ser sua mãe.
- Meu irmão?
- Não.
- Irmão de consideração?
- Não. Isso eu já sou.
- E como você sabe se eu te considero como irmão?
- Isso está na cara. Você me ama.
- Hm...
- O que foi?
- Nada. - Eu digo, sorrindo.
- Eu te amo. - Ele beija minha bochecha.
- Eu... - Dei uma pausa e suspirei. - Também te amo.
