vinte e nove

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Simone descreveria aqueles dias com as brasileiras e suas amigas como os melhores que teve em muito tempo. Não se recordava a última vez que esteve tão bem em um período tão longo de tempo, pois sua vida sempre oscilava e poucos eram os momentos de felicidade e risadas, onde ela poderia ser ela mesma sem restrições e sem ninguém para julgar ou repreender seu lado curioso. Aqueles dias foram fundamentais para ela relembrar sua essência e como realmente era, o que era bem difícil em seu cotidiano.

Esses dias que se seguiram também serviram para que pudessem organizar a ida de Sunisa e Jordan para o Brasil com as meninas, o que estava aumentando a animação e euforia. Estavam todas animadas. Rebeca queria muito voltar para seu país com todas, levar Simone e aproveitar todas juntas, mas não podia. Apesar de Jordan e Suni estarem indo, as meninas voltariam para a rotina normal assim como Rebeca voltaria aos seus treinos aqui.

A situação que estava se desenrolando era um tanto delicada e Simone sabia disso, deveria ter insistido com Jonathan e falar até ele aceitar o fim do noivado. Algo dentro dela ainda tinha medo, foram cinco anos com aquele homem que inicialmente parecia perfeito. Era jovem demais quando começou seu relacionamento com Owens, talvez seu estado de vulnerabilidade tivesse impulsionado sua aceitação para tantas situações. A mesma boca que a elogiava, que dizia que a amava e destilava palavras carinhosas e que havia feito o delicado pedido de casamento, era a mesma que não poupava palavras cruéis, que criava inseguranças que nunca tinha sido pensada por ela, que justificava as atitudes más alegando ama-la. Essa dicotomia criou uma prisão em sua mente, então insistiu em algo que estava fadado ao fracasso por saber que existia um lado dele que poderia ser bom, que sabia tratá-la bem, que poderia ser um bom homem. Mas, essa vista grossa a fez não enxergar as correntes invisíveis que a prenderam tão firmemente, que a fez permanecer nesse relacionamento por cinco anos.

A mesma mão que lhe estendeu uma caixinha de veludo contendo uma caríssima aliança, era a mesma que a segurava firmemente pelo pulso. A mesma mão que lavara seu cabelo com delicadeza, era a mesma que o puxou em um momento de fúria.

É, Simone sabia que tudo estava fadado ao fracasso.

Porém, sua ânsia por sentir algo, por ter algo importante e uma âncora que a mantivesse firme a fez insistir. Mas, Jonathan a afundava, ele a atrasava.

Quando suas amigas perguntaram se ele, em algum momento, a agrediu fisicamente, Simone negou – mesmo que não soubesse exatamente se nunca tinha acontecido. Sua mente tende a apagar momentos difíceis, traumáticos e muitas vezes ela não recordava de situações que foram ruins para ela. Então, apesar de negar, não tinha veracidade alguma em sua negativa, realmente não saberia dizer se as discussões e desentendimentos haviam ultrapassado aquele limite.

Sua vida era um tanto pacata, Simone vivia para as amigas e a família, não tivera muitas experiências com homens e, depois da morte de seus pais quando ela tinha dezessete anos, tudo empacou. Agora, tudo se resumia ao luto e, as únicas pessoas que permitiu permanecer em sua vida e que insistiram para isso, foram Suni e Jordan. Todos se afastaram dela, ou porque ela os forçou a isso, ou porque seu lado mais animado e festeiro havia desanuviado depois da perda. Quando seu lado mais divertido se apagou um pouco, cada um se afastou conforme as semanas se passaram.

Então, quando um homem chegou com uma conversa agradável, instigando seu lado curioso sem parecer se importar com suas perguntas e seu humor duvidoso, Simone se deixou levar sem enxergar os sinais que era lhe mostrado desde o início.

Cinco anos depois de tudo que havia passado e estava passando, já aceitando que sua vida seria daquela forma, chegou Rebeca. Em um mês, a brasileira de sorriso bonito e safado, olhar perspicaz e palavras bonitas, havia despertado nela tudo o que ansiava sentir desde os seus vinte anos. Talvez até antes, pois sempre desejou se apaixonar e encontrar alguém para dividir a vida como seus pais fizeram. Sentia medo de se entregar outra vez? Com certeza, mas tudo era tão diferente com Rebeca, tão fácil e tão intenso, tão certo e recíproco, que a fez se entregar.

Primeira Vez - Rebiles Histórias para pegar e não largar. Descubra agora