três

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Simone esperava pacientemente que Chad, como lera no crachá, pudesse ver se tinha algum quarto disponível àquela hora. Era um hotel caro e conhecido, sabia de várias celebridades que já havia passado por ali, então não a incomodava toda essa demora porque não tinha feito reserva.

Poucas pessoas transitavam por ali, todas cansadas demais ou bêbadas, mas Simone enxergou um ou outro casal chegando muito eufóricos. Sorriu, era bom ver que ainda poderia existir casais promissores. Pelo menos a atração, coisa que não mais havia com Jonathan.

Observou quando uma moça de pele morena entrou, parecia cansada demais, mas permanecia linda, definitivamente. A mala era puxada com pesar, mas sua expressão curiosamente era serena. As tranças loiras com cachos lhe chamou a atenção, parecia iluminar ainda mais àquela desconhecida. Reparou na calça jeans pouco rasgada e no cropped verde musgo da moça, e apesar de ela evidentemente ser baixinha, Simone concluiu que a mulher tinha no mínimo dez centímetros de diferença entre as duas.

A jovem desconhecida se aproximou e, ao perceber as encaradas de Simone, lhe oferece um sorriso simpático e doce, que causou um reboliço em seu interior. Os olhos castanhos brilhavam ao encara-la com curiosidade, em momento algum demonstrando estar incomodada apesar da indiscrição de Biles.

— Olá, — a mulher cumprimentou, por fim, com um inglês carregado. Ela deve ser de fora, pensou sorrindo nervosa.

Diante de seu silêncio, a mulher bonita de sorriso encantador voltou-se para Chad solicitando um quarto. Porém, no mesmo instante Chad anuncia que só havia um disponível – que deveria ser para Simone, que estava esperando há uns bons minutos.

Biles não gostou como o brilho sumiu momentaneamente da expressão da estrangeira. Chad oscilava sua atenção entre as duas mulheres, sem saber ao certo o que falar ou fazer.

— O quarto tem duas camas, — chama atenção para si. — No mesmo quarto, mas há duas... Poderiam dividir, talvez? — sugeriu.

O coração de Simone disparou e ela voltou a encarar a desconhecida, que sorria esperançosa.

— Por favor? Estou cansada, acabei de chegar de um hotel decadente depois de um voo de muitas horas — explicou-se com a voz doce e carregada, denunciando suas origens. — Me chamo Rebeca Andrade, você sequer perceberá minha presença.

— Ok. — concordou antes que pudesse se dar conta.

Rebeca comemorou muito, dando alguns discretos pulinhos. Tocou-lhe o antebraço em agradecimento e rapidamente entregou um cartão de crédito, dizendo que os custos seriam por sua conta.

Apesar dessa vontade de Rebeca ter gerado certa discussão, logo as duas subiam pelo elevador depois que Simone deixou também o seu cartão para que tudo fosse dividido.

O cansaço de Rebeca e a exaustão mental de Simone impossibilitou uma possível conversa. Sequer repararam muito no quarto, apesar de terem percebido a beleza singular do lugar.

— Tem alguma preferência? — a voz suave de Rebeca quebrou o silêncio do quarto amplo, ganhando a atenção de Simone.

— Como?

— A cama. — apontou, sorrindo. — Tem alguma preferência?

— Oh, não. Por mim tanto faz, eu só preciso de um banho agora.

— Então ficarei com essa — Rebeca se jogou na cama da esquerda — Enquanto você vai para o banheiro, vou pedir algo para comermos.

— Ok... eu não estou com fome, não precisa se incomodar.

Dentro do banheiro, Simone puxou o celular do bolso na intenção de enviar uma mensagem para o grupo que tinha com suas amigas, mas desistiu e respondeu a desconhecida que tinha mandado mensagem alegando ter pego seu número em uma lanchonete. A resposta chegara quase que imediatamente, mas não deu muita importância e logo foi tomar seu banho.

Primeira Vez - Rebiles Histórias para pegar e não largar. Descubra agora