quarenta e três

440 28 4
                                        

O braço esquerdo de Rebeca estava sobre os ombros de Simone, enquanto a mulher tinha as costas contra seu colo e observavam a vista da sacada. Na outra mão, Andrade observava a foto do ultrassom e sorria abobalhada.

— Eu não entendo quase nada disso, — começou, dando um beijinho na têmpora de Simone, fazendo a mulher olhar para a fotografia. — Mas é tão lindo...

Simone soltou uma risadinha, mas inclinou a cabeça até beijar Rebeca nos lábios e acariciou sua bochecha.

— Depois que voltarmos dessa competição, podíamos planejar o quarto... — sugere, encarando a americana nos olhos enquanto ainda sorria, estava presa àquele olhar e era exatamente onde gostaria de estar. — Pensei em fazer tudo, mas as meninas se animaram demais e as coisas fugiram do controle, então achei que nós duas devíamos fazer isso.

— Contanto que não seja rosa — esclarece, arrancando uma risada de Rebeca.

— Elas me sugeriram muitos quartos rosas — Simone rir.

— Acho que ela deve decidir a cor que quiser quando crescer — volta a deitar a cabeça no colo de Rebeca e fecha os olhos.

— Eu não poderia concordar mais.

O dia terminou tranquilo, com conversas leves e sinceras, ambas deixando claro, em alguns momentos, o quanto queriam viver aquilo. Estavam onde queriam e deveriam estar.

De noite enquanto Simone tomava banho, Rebeca preparava a cama para poderem assistir e jantar por ali mesmo. Sua mente estava presa nas mensagens que havia recebido de Gabriela, estava inconformada com tamanha audácia.

Para falar a verdade, Rebeca adorava ter a amizade de Gabriela, ela realmente era uma ótima amiga. Porém, a partir do momento que se mantiveram em uma “relação” envolvendo sentimentos unilateral, as coisas mudaram completamente. Rebeca conheceu um lado de Gabriela que nunca pensou que existia e, com isso, decidiu acabar tudo. Não queria relacionamento, cobranças e ciúmes, não queria um compromisso sério e Gabriela agir como se estivesse em um, a fez dar o fora sem pensar duas vezes. A jogadora era inofensiva a seu ver, mas sabia da capacidade dela em usar as palavras e, se permitir, é exatamente o que fará com Simone e Rebeca com certeza não quer isso.

— Beca? — o chamado de Simone a acorda dos devaneios.

A ginasta se vira, encontrando Simone encostada no batente da porta com o lábio inferior entre os dentes e as sobrancelhas sutilmente franzidas.

— Eu estava pensando, — começa, assistindo Rebeca se aproximar, então desencosta do batente permitindo que a brasileira abrace sua cintura.

— Hum?

— Nós estamos juntas, não é? — Rebeca cerra os olhos com ar risonho e assente de prontidão.

— Com certeza.

— Eu estou grávida, — Rebeca volta a balançar a cabeça, mas permanece em silêncio querendo saber onde tudo iria parar. — O que sua mãe acha disso? Sua família? Vocês são próximos e eles nem me conhecem, o que devem pensar de mim? De repente você está compromissada com uma mulher grávida e...

Rebeca se aproveita da pausa para poder falar.

— E eles estão ansiosos para te conhecer!

— Você contou tudo? — Rebeca novamente acena com a cabeça. — Eles devem estar com raiva de mim...

— Por que estariam? A gente se ama e eu estou feliz com vocês. Minha família já te ama! — esclarece.

Elas ficam em silêncio por um momento, até Biles soltar a respiração parecendo absorver as palavras de Rebeca e sorrir pequeno, deslizando as mãos pelos braços fortes de Andrade até abraçá-la pelo pescoço.

Primeira Vez - Rebiles Histórias para pegar e não largar. Descubra agora