Cap. 8: O verdadeiro "loirinho"

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O pai de Sam chegou. Eu levantei-me do chão, agora coberta do sangue de Daniel, e abracei-o.

-Olá querida. Não olhes mais para isto. Eu prometo descobrir quem lhe fez isto... Eu prometo.- disse o pai de Sam.

-Eu...Eu...- tentei eu falar.

-Eu sei querida. Vem comigo até lá fora. A Sam está lá. Vai ficar tudo bem.

Fui até à rua onde já lá estava Sam. Ela rapidamente me abraçou e disse:

-Sinto muito querida, sinto muito. Vai ficar tudo bem. Vais ficar connosco. Vai ficar tudo bem...

Fui para casa de Sam, a minha casa nos tempos mais próximos. Não comi nada e simplesmente fiquei no quarto a chorar. Senti bater à porta.

-Entre.- exclamei.

-Olá querida. Tens um minuto?- disse o pai de Sam.

-Claro.

Ele entrou e sentou-se ao meu lado, na cama.

-Querida, eu sei que é difícil, mas preciso que amanhã vás à escola. O corpo do teu irmão vai ficar detido como prova. Já só falta uma semana de aulas. Preciso que vás.- disse o xerife.

-Eu...como o senhor me acolheu como se eu fosse sua filha e como me tem tratado tão bem, eu farei esse esforço.- disse eu.

-Querida, tu já és minha filha. Sempre o foste.- disse o xerife.

E assim foi: sem dormir nada à noite e com os olhos inchados de tanto chorar, fui à escola no dia seguinte.

As aulas foram difíceis: a notícia tinha-se espalhado e toda a gente me dava as condolências. Cada vez que alguém me dizia: "Sinto muito." dava-me vontade de chorar. Era preciso um grande esforço para conseguir impedir que as lágrimas saíssem.

Já as aulas tinham acabado quando eu, Sam e uma amiga de Sam decidimos regressar a casa. Estava ao portão da escola, que já se encontrava vazia, quando me lembrei que tinha deixado a carteira no cacifo.

-Esqueci-me da carteira no cacifo. Vou lá busca-la.- disse eu.

-Eu vou contigo.- disse Sam.

-Não é preciso. Vai andando.- disse eu sorrindo.- Eu apanho-vos pelo caminho.

Sam e a amiga seguiram caminho e eu voltei a trás.

Abri o cacifo e tirei a carteira. Estava a fechar a porta quando reparei numa coisa estranha no espelho do meu cacifo: apesar de eu estar mesmo em frente ao espelho, não me conseguia ver. Assustei-me. Fui até ao parque da escola para ver se o sol me queimava a pele. Quando cheguei ao parque, reparei que a minha pele não estava a queimar com o sol. Eu também ainda não tinha fome...fome de sangue humano. O que se passava?

Estava eu a pensar quando vi uma seta aproximar-se de mim. Desviei-me e a seta espetou-se na árvore. Olhei na direcção donde a seta tinha vindo e vi um rapaz a correr na minha direcção.

O rapaz atirou-me contra a árvore onde a seta de tinha espetado e, enquanto me prendia com uma mão, ergueu uma faca na outra.

Fixei-me na sua cara e não pude acreditar em quem era: era o "loirinho" de Sam.

Dark Blood #wattys2016Histórias para pegar e não largar. Descubra agora