Cap. 10: Guerreira

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-Como assim problemas?- perguntei eu.

-Não te assustes com o que vou dizer mas...O teu corpo não aceita sangue parado...-disse o "loirinho".

-O quê? Então o que vou beber?- disse eu.

-Não te preocupes. Se precisas de sangue corrente, bebes sangue de um animal.

-Fenomenal!- disse eu ironicamente...Mas rapidamente deixei de ser irónica.- Porque é que não o aceita?

-A transformação reage de maneira diferente nos vários corpos. Dá-te por satisfeita dele não aceitar sangue parado.

-Claro...- voltei à ironia.-Já pensei seriamente em rezar a deus para agradecer tal feito.- deixei a ironia.- Mas tu queres que eu morra?

Ele sorriu.

-Ainda te ris?- disse eu irritada.

-Se quisesse que morresses já te tinha espetado uma punhal de prata no coração.- disse ele.- Estou a falar a sério...

-Vais espetar-me um punhal? - disse eu assustada.

-Não! Se quisesse já o tinha feito...

-E pensas fazê-lo?

-Parece que não...

-Parece ou tens a certeza que não?

Ele sorriu e disse:

-E se te calasse minha maluquinha? Estava a tentar dizer que enquanto rejeitarem sangue que não vem de um humano vivo é bom...é sinal de que o teu corpo ainda está a rejeitar a tua nova condição...

Depois pegou num lenço e limpou-me o sangue da boca. Quando o vi aproximar-se, o meu coração disparou... O meu subconsciente dizia-me "O que se passa contigo Ella. Controla-te!!!"

Afastei-me o mais rapidamente dele. Depois, pensei em tudo o que se tinha passado e de como ele era o único que, naquele preciso momento, um momento crucial da minha vida, estava a meu lado.

Sentei-me encostada a árvore e uma tristeza invadiu-me. Ele olhou para mim, sentou-se ao meu lado e disse:

-Estás bem?

-A minha vida está prestes a transformar-se...Já não sou humana e provavelmente vou ter de me alimentar de ratazanas...Define "bem"...- disse eu.

-Tens razão, o erro foi meu. Mas sabes que há sempre um lado positivo...

-Ai sim. E qual é?

-Eu não disse que tinha de ser ratazanas. Pode ser ratinhos fofinhos...

Não pude evitar rir. Naquele momento apetecia-me tudo menos rir, no entanto, ele fez-me rir.

Olhei para ele, ali sentado, e naquele momento ele estava a sorrir. Parecia perfeito, perfeito até demais. Perdi o sorriso que tinha na cara e olhei para o chão.

-Vá lá, o que queres que eu faça para te ver sorrir? Queres que faça o pino?- disse o caçador.

-Porque estás aqui?- disse eu.-Quer dizer, pela maneira como vieste até mim, tu querias matar-me... podias ter-me matado... e seguido a tua vida...Porque ficaste aqui a ajudar-me?

-Porque olhei nos teus olhos e vi que não eram sombrios como os dos outros vampiros. Não sei...não me pareceste malvada... Pareceste-me diferente dos outros vampiros.

-Tu já conhecias o John... O que é que ele te fez?

-Nada...Ele é um vampiro e isso é o suficiente para o querer matar. E tu, queres mesmo vingar-te?

-Sim... Mesmo muito. Ele transformou-me num monstro, então só me resta ser esse monstro... Eu quero a minha vida de volta...

O caçador levantou-se e esticou-me a mão. Depois disse:

-Vá, vamos.

-Aonde?- disse eu.

-Transformar-te numa guerreira.

Dark Blood #wattys2016Histórias para pegar e não largar. Descubra agora