capítulo 9

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To seriamente pensando em Hiato!

Boa leitura 📖

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— Com licença — me afastei, forçando um sorriso enquanto discava o número de Thanawat. O telefone tocou duas vezes antes que ele atendesse.

— Que história é essa de duas semanas? — perguntei direto, sem rodeios.

— Ah, Engfa... Eu ia te contar. A corregedoria não aprovou completamente a minha medida disciplinar. Acharam que você precisava se afastar por um tempo. Parece que seu “incidente” não foi exatamente o primeiro...

— Então, estou suspensa? — o interrompi, irritada.

— Não exatamente. Por isso você está em Londres. Consegui que você continuasse trabalhando, mas não em Bangkok. Mantenha a calma, Wahara. Serão apenas duas semanas.

Duas semanas? Uma eternidade.

Sem pensar, chutei um balde que estava por perto. Ele voou longe, atraindo olhares curiosos, mesmo com minhas costas viradas para a maioria deles.

— Claro, duas semanas... Devo agradecer por todo o “esforço” que fez por mim, Chefe. Tenho certeza de que você faria isso por qualquer um — alfinetei, carregando minha voz de ironia.

Ele, porém, não percebeu o tom.

— Estou vendo que Londres já está surtindo efeito. Que bom ver sua mudança, Engfa.

Revirei os olhos.

— E o hotel? O departamento vai bancar a estadia?

— Sim, claro. O seu hotel não é caro, para ser honesto. Nem é dos melhores, apenas... aceitável. Tem bar e piscina, o básico.

Fantástico. Exatamente o que eu precisava.

— Tenha um bom dia, chefe — murmurei antes de desligar. Virei-me rapidamente, os punhos cerrados e o rosto fechado, o suficiente para fazer o detetive Pendleton dar um passo para trás.

— Problemas, Wahara? — Alistair perguntou, lançando-me um olhar curioso.

— Nenhum… — minha resposta foi seca.

Logo, a equipe de Charlotte chegou para levar o corpo. Ela os acompanhou, e eu fui com o detetive Pendleton. Durante o trajeto, ele insistia em puxar assunto, fazendo perguntas que eu respondia com um desinteressado “Sim”, ‘Uhum”, ou um sarcástico “É mesmo?”
Eu não queria ouvi-lo. Na verdade, preferia que ele nem estivesse ali. Minha mente estava ocupada demais, girando em torno do que seria trabalhar com Charlotte. Por anos, imaginei como seria se a encontrasse. Pensei em tantas coisas que queria dizer a ela, mas agora, tudo parecia errado. Inadequado.

Deveria perguntar “Por quê?”

Deveria culpá-la? Deveria contar como sobrevivi todos esses anos?

Antes que eu pudesse organizar meus pensamentos, Alistair quebrou o silêncio:

— Prontinho, chegamos.

Suspirei, saindo do carro. Meus passos eram lentos e hesitantes, como se eu estivesse indo em direção ao inevitável. Mas parecia um condenado à morte caminhando pelo corredor até a cadeira elétrica. Será que ela também estava se sentindo assim? Besteira, Engfa. Claro que não.

— Vamos, precisamos atualizá-la sobre o caso. Depois passamos no necrotério para ver se a Dra. Austin tem alguma novidade — disse ele, apressando os passos à minha frente.

Eu o segui, ainda tentando engolir a tempestade que se formava dentro de mim.

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𝐎𝐍𝐋𝐘 𝐘𝐎𝐔『 𝐞𝐧𝐠𝐥𝐨𝐭 』Onde histórias criam vida. Descubra agora