capítulo 15

1.5K 150 79
                                        


Sabiam que o prefixo Tailândes “ P’ ” tem um uso semelhante à palavra coreana “Oppa”? Ambos são usados para se referir a alguém mais velho ou a uma pessoa com quem se tem intimidade, mas "P’" é uma forma geral de respeito, enquanto “Oppa” é mais específico para mulheres falando com homens.

Comentem bastante pfvr!

°
°°

Pov Charlotte

Parei em frente à porta do seu quarto, com a mão suspensa no ar. Hesitei. Deveria mesmo bater? Entrar? Deixei a mão cair, dei meia-volta, mas parei no meio do corredor. Suspirei, voltei para a porta e bati. Para minha surpresa, ela se abriu sozinha. Entrei devagar, fechando-a atrás de mim, e olhei em volta. O quarto estava escuro e silencioso. Engfa dormia na cama.

Descalcei os sapatos, andando de meias para não fazer barulho. Enquanto caminhava, percebi algo: minhas meias eram diferentes uma da outra. Eu devia ter saído de casa às pressas. Me aproximei da cama e vi algo que me fez congelar: metade do corpo da Engfa estava coberta por uma manta lilás — a minha manta lilás. A mesma que eu havia deixado em Bangkok. Como isso foi parar com ela? Assim que ela melhorasse, Waraha teria muito a explicar.

Sentei-me na beira da cama e toquei em sua testa. Engfa estava quente. Precisava conferir sua temperatura corretamente, mas ela não acordava. Balancei seu ombro de leve. Nada. Tentei de novo, chamando pelo nome dela. Quando nenhuma dessas tentativas funcionou, me ocorreu uma ideia absurda: tocar bateria ali mesmo. Ri sozinha, achando graça no pensamento.

Com mais seriedade, peguei o termômetro, levantei delicadamente o braço dela e o posicionei debaixo de sua axila. Sentia-me mal em fazer isso com ela dormindo, mas era necessário. Ainda assim, não pude evitar outro pensamento bobo: um balde de água talvez funcionasse melhor. Dessa vez, ri alto.

Engfa acordou sobressaltada, olhando para os lados com os olhos arregalados. Quando me viu, fechou os olhos novamente, como se estivesse tentando processar o que via.

— Ótimo, agora estou tendo alucinações — murmurou.

— Ainda não — respondi, tentando manter a calma.

— O que tá fazendo aqui e como entrou? — Engfa perguntou, sentando-se na cama.

— Eu... A porta... — comecei, mas as palavras fugiram da minha mente. Respirei fundo para organizar os pensamentos antes de continuar: — Martinez me disse que você saiu mais cedo porque estava se sentindo mal. Quando cheguei, a porta estava aberta.

Levantei-me, cruzando os braços enquanto a observava.

— Você devia ter ido ao hospital, P’Engfa. Eu avisei que esse resfriado poderia piorar.

— Não é nada, já estou me sentindo bem — disse forçando um sorriso que claramente tentava me convencer.

— Não, você não está bem — retruquei, voltando para a cama e sentando novamente. Minha respiração estava acelerada enquanto pegava o termômetro. — Você está com febre.

Engfa desviou o olhar, fixando-se em um ponto que não era meu rosto. Meus lábios, talvez? Ou... meus seios? Então ela murmurou, quase distraída:

— Então eu vou tomar banho... pegar uma roupa.

Ela se levantou, movendo-se devagar, como se estivesse abatida. Pegou algumas roupas, mas antes de sair começou a rir. Eu franzi o cenho, confusa, até seguir o olhar dela e perceber: minhas meias. Ela estava rindo da diferença entre elas.

— Quer parar? — atirei um travesseiro nela que se esquivou com facilidade, ainda rindo.

— Desculpe, mas... por que essa escolha tão singular?

𝐎𝐍𝐋𝐘 𝐘𝐎𝐔『 𝐞𝐧𝐠𝐥𝐨𝐭 』Onde histórias criam vida. Descubra agora