capítulo 10

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Vcs tem ideias de nome para um canal de tradução? Estou traduzindo músicas Tailandesas e inglês tbm. #meajudemPlisss.

Comentem bastante!

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Pov Charlotte (amém)

Naquele dia, tudo parecia igual. Fiz as mesmas coisas de sempre, até ser chamada para analisar um corpo em um galpão. Diziam que uma nova detetive viria de Bangkok. Bangkok... fazia tanto tempo que eu não voltava para lá. Segui com o trabalho enquanto Pendleton e Gregory conversavam sobre as mulheres com quem haviam saído no fim de semana. A conversa me irritava. Era sempre a mesma coisa — policiais e detetives tratando mulheres como distração passageira. Senti vontade de dizer algumas verdades àqueles dois trogloditas, mas havia um corpo para examinar.

Eu estava tão focada que nem percebi quando Pendleton entrou. Só notei sua presença quando me virei para conhecer a nova detetive. Naquele momento, meu coração disparou e minhas mãos suaram. Por um instante, achei que fosse um ataque cardíaco, mas não... era medo. A nova detetive era Engfa Wahara.

Quando cheguei ao necrotério, me esforcei para parecer normal. Ainda havia uma autópsia a ser feita, mas minha mente insistia em vagar. Não conseguia parar de pensar em como seriam essas duas semanas com Engfa aqui. Fazia quinze anos que não nos víamos...

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O término com P'Engfa foi mais doloroso do que eu esperava. Parecia que alguém havia aberto meu peito e cravado um bisturi direto no coração. E como se não bastasse, girava o instrumento, afundando-o ainda mais.

Quando abri a porta de casa, minha mãe estava na sala.

— Charlotte? — ela chamou, hesitante.

Não consegui responder. Já tinha chorado tanto, mas as lágrimas não paravam. Eu era feita de choro. Fui direto para o quarto, me joguei na cama e olhei para o lado. As malas estavam prontas. Covarde. Idiota. Garota mimada pela mãe. Era isso que eu era. A expressão de Engfa ainda estava gravada na minha mente — confusa, magoada. Eu a machuquei, e me odiava por isso. O pior de tudo? P'Fa não seria minha amiga. Como eu explicaria aquilo?

Liguei para Rebeca e contei o que aconteceu no parque. Disse que P'Fa precisava dela, mas não consegui entrar em detalhes. Eu não queria machucá-la, mas foi o que fiz. Passei meu novo endereço para que Becky pudesse me escrever. Ela se despediu, e eu desabei de novo, em um choro incontrolável.

Minha mãe bateu na porta. Não abri. Não queria ver ninguém - especialmente ela.

O primeiro ano em Londres foi uma tortura. A cidade tinha uma beleza única, perfeita para casais apaixonados, mas isso só tornava tudo mais doloroso. A pessoa que eu queria ao meu lado, vivendo aqueles momentos, estava longe. Engfa estava em Bangkok, e me odiava.

À noite, eu me apoiava na janela do meu apartamento e observava as luzes brilhando sobre o Tâmisa. O London Eye girava lentamente ao longe, e eu me pegava imaginando como Engfa reagiria ao vê-lo. O sorriso dela, a empolgação em cada descoberta... Londres tinha museus incríveis, bibliotecas majestosas e inúmeros lugares para explorar, mas nada preenchia o vazio que ela deixou. Cada canto da cidade só me fazia imaginar como seria tê-la comigo.

Esperei por uma carta que nunca veio. Toda vez que entrava em casa, meus olhos buscavam o telefone, como se ele pudesse me trazer alguma resposta. Eu ficava parada, torcendo para que tocasse. E quando tocava, eu atendia sem hesitar, quase desesperada, perguntando "P'Engfa?". Mas do outro lado, sempre uma voz qualquer em inglês.

𝐎𝐍𝐋𝐘 𝐘𝐎𝐔『 𝐞𝐧𝐠𝐥𝐨𝐭 』Onde histórias criam vida. Descubra agora