capítulo 23

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Peço desculpas pelo sumiço,
estou meio sem ideias.

Comentem bastante pfvr ☺️

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POV Engfa

É claro que a única pessoa na face da terra que poderia substituir o imprestável do Anon, tinha que ser ela. Charlotte Austin.

E é claro que a Rebecca, com aquele coração de porta aberta, ia reconhecê-la na mesma hora e chamar pra sentar com a gente. A Charlotte hesitou – e com razão. Sentar com a pessoa cujo coração você quebrou duas vezes não é só desconfortável, é quase uma experiência de quase-morte. Mas se ela não viesse por conta própria, Becky ia levantar e arrastá-la pelos cabelos até a nossa mesa. Conheço bem.

Ela pegou o café e veio andando em câmera lenta – ou talvez tenha sido só minha cabeça projetando a cena – porque, honestamente, a mulher continua linda. E pior: gostosa. Cada passo que ela dava era como levar um soco no peito.

E o meu coração, esse idiota traidor, batia loucamente contra meu peito. E eu ali, quase gritando com ele: “Se controla, porra! Vai bater por outra! Vai amar outra! Para de me humilhar!”, mas ele não me ouvia.

Quando ela sentou, eu fui rápida. Me agarrei às minhas armas de sempre: sarcasmo, ironia, e o impulso desesperado de fugir.

— Ah, que ótimo. Já que você está tão bem acompanhada, Rebecca Armstrong Wahara... e mal acompanhada pra caralho, diga-se de passagem. Eu vou trabalhar.

Sério mesmo que Becky ia jogar no lixo tudo o que eu contei pra ela, só porque estava com saudade da Britânica? Levantei pronta pra mandar as duas e as respectivas famílias se ferrar – até as vacas, se fosse o caso – quando Becky segurou meu braço com força e me puxou de volta.

— Senta, Engfa. A gente tá junto de novo. Custa aproveitar o momento por DOIS segundos?

— Claro... — respondi com veneno — um... dois... tchau.

— Engfa Wahara! Senta nessa porra dessa cadeira agora!

Seu tom foi tão seco e autoritário que eu sentei no mesmo instante. Rebecca poderia muito bem ser treinadora de cães. Eu seria a primeira da fila pra levar choque na coleira.

Charlotte, tentando bancar a pacificadora, abriu a boca:

— Becky, talvez seja melhor marcarmos outra hora, eu e a P'... — começou Charlotte.

— Você não começa também, Charlotte. — Becky virou o olhar de uma pra outra. — Isso aqui é o nosso primeiro reencontro depois de quinze anos. Se comportem. Não é porque vocês não estão mais se comendo que eu não posso ter as duas no mesmo recinto.

— Se ela não tivesse escolhido aquele otário, ainda estaria sendo bem comida! — murmurei entre os dentes.

— Todo mundo ouviu isso, Engfa. Quando o assunto é a sua cama, você grita mais do que deveria. Em todos os sentidos. — Becky revirou os olhos.

Que vontade de matar a Rebecca. E jogar o corpo dela no mar. Num saco. Amarrado.

Ela virou pra Charlotte, com aquele tom falso de anfitriã de chá da tarde:

— E aí, p’mor? Como você tá? O que tem feito nesses últimos quinze anos?

— Ah... Eu me formei em medicina geral, mas hoje atuo como médica legista. Passei um tempo morando na Alemanha, depois voltei para Londres e, agora, estou de volta, junto da minha irmã.

𝐎𝐍𝐋𝐘 𝐘𝐎𝐔『 𝐞𝐧𝐠𝐥𝐨𝐭 』Onde histórias criam vida. Descubra agora