capítulo 13

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Pov Engfa

À noite, liguei para minha mãe e tive que enfrentar a enxurrada de perguntas de sempre, além de sua decepção por eu não ter ido para casa no Natal. Prometi enviar a clássica foto com o suéter da família e desliguei. Decidi tomar um banho relaxante enquanto meus pensamentos me levavam de volta para aquela tarde, para o encontro inesperado com Charlotte. Bem, não foi exatamente um encontro, mas o destino parecia gostar de brincar de nos aproximar, mesmo que a passos lentos.

Eu realmente tento manter distância. Ela tem um namorado, e parece feliz com ele. Tem uma vida sólida em Londres: uma irmã, um trabalho que parece agradá-la. Talvez nossos planos de adolescência nunca dessem certo, afinal. Éramos apenas duas garotas explorando a vida, o mundo e as pessoas ao nosso redor. Mas, mesmo assim, parte de mim gostaria de ter arriscado.

Desliguei o chuveiro, me enrolei em uma toalha. Ao estar devidamente vestida, peguei minha jaqueta para enfrentar o frio de Londres. Pensei em levar o cachecol, mas quando o segurei nas mãos, a lembrança de quem me deu tomou conta de mim. Acabei deixando-o de lado, o que, claro, foi uma burrice considerando o vento cortante que me esperava lá fora.

Caminhei sem rumo pelas ruas de Londres, deixando meus passos me levarem enquanto a cidade seguia seu curso. Talvez eu só quisesse observar as pessoas, tentar me misturar, ser apenas mais uma na multidão. Minha mente estava uma confusão, um emaranhado de pensamentos soltos.

Lembrei do instante fugaz que tive com Charlotte no parque e, sem perceber, sorri. Mas será que era só isso que teríamos? Breves momentos que logo se tornariam memórias? Isso seria suficiente para mim? Acho que não. Já carrego memórias demais do passado. Quero algo novo, algo do agora. Mas será que ela ainda sente algo por mim?

Um esbarrão brusco me tira do transe, seguido por um insulto cortante. Só então percebi que tinha parado no meio da calçada, perdida nos meus devaneios. Continuo andando, tentando afastar as dúvidas, mas a noite está fria, e a falta do cachecol começa a pesar. Resolvo voltar para o hotel.

No quarto, me desfiz das roupas, buscando o calor das cobertas. Fecho os olhos, ansiando por algum alívio no sono. Mas antes que o descanso viesse, espirrei. Que droga.

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Cheguei ao departamento agasalhada até onde era possível, mas o frio já tinha feito seu estrago – o resfriado era inevitável. Assim que entrei, Pendleton foi o primeiro a me notar.

— Meu Deus, Wahara, você está péssima. O que aconteceu?

— Obrigada pelo elogio, Pendleton — retruquei, afundando na minha cadeira. — Estou gripada.

— Isso acontece direto com visitantes, especialmente nessa época do ano. Por que não ficou no hotel? Eu posso cuidar de tudo por aqui — ele disse, com aquele ar de superioridade insuportável.

Levantei num impulso, ficando a poucos centímetros dele.

— Alistair, eu sei que você gosta de se achar o melhor investigador deste departamento, mas você tem casos demais na sua mesa. Que tal o Martinez e eu cuidarmos do homem encontrado no galpão?

Ele hesitou, mas não por muito tempo.

— Eu não acho que...

— Não estou pedindo — cortei, firme. — Estou dizendo que vou resolver esse caso antes de voltar para a Tailândia.

𝐎𝐍𝐋𝐘 𝐘𝐎𝐔『 𝐞𝐧𝐠𝐥𝐨𝐭 』Onde histórias criam vida. Descubra agora