Pov: Alyssa
Os dias tinham começado a se misturar. Havia algo tranquilizador em acordar com o som das ondas, em sentir a areia entre os dedos e a brisa salgada no rosto. Morar ali, naquela pequena casa na praia, parecia um sonho distante de tudo que já vivi. Por três meses, tínhamos vivido em um casulo de paz improvável, onde não existiam mafiosos, sangue ou cobranças. Só nós duas e o mundo lá fora reduzido a uma imensidão azul.
Acordei cedo naquela manhã, como sempre fazia. Billie ainda estava jogada na cama, o rosto relaxado de um jeito que só eu tinha o privilégio de ver. Era raro ela se permitir relaxar assim. Passei um dedo pelo cabelo dela, bagunçando ainda mais os fios loiros, e sorri quando ela resmungou algo incoerente e se virou para o outro lado.
A rotina era simples: preparar o café, cuidar da pequena horta que Billie insistia que não sobreviveria (e que estava florescendo, só para provar que ela estava errada), e depois passar horas no mar, nadando ou simplesmente boiando e perdendo a noção do tempo.
A vida era boa. Melhor do que eu achava que merecia, considerando de onde viemos.
Mas nem tudo era perfeito. Havia noites em que eu via Billie olhar para o horizonte, com aquele brilho nos olhos que me dizia que ela sentia falta de algo. Não do caos, eu sabia disso, mas talvez de uma parte dela que ficou para trás. E havia momentos em que eu também me perguntava se essa paz tinha um preço que não estávamos prontas para pagar.
Naquele dia, enquanto arrumávamos as coisas para um jantar improvisado na praia, Billie estava especialmente elétrica. Ela dançava pela cozinha, mexendo nos ingredientes como se fosse uma chef de algum programa de culinária.
— Você não acha que essa comida vai ficar boa demais pra gente? — ela brincou, jogando sal com um floreio exagerado.
— Billie, você tá jogando sal no chão, não na comida — retruquei, rindo enquanto pegava o pote das mãos dela.
— É o meu toque artístico. Você não entende nada de culinária gourmet, Belladonna.
— Não se você continuar achando que gourmet é jogar metade do sal no chão.
Ela gargalhou, aquele som que fazia meu peito se apertar e relaxar ao mesmo tempo. Estávamos felizes. Eu sentia isso.
Passamos o resto do dia em paz. O jantar foi um sucesso – não pela habilidade de Billie na cozinha, mas porque o momento em si era perfeito. Sentadas na areia, com a fogueira crepitando ao nosso lado, compartilhamos histórias do passado, memórias engraçadas e até algumas que preferíamos esquecer.
Foi só quando a noite caiu que tudo desmoronou.
Eu estava dentro da casa, lavando a louça, enquanto Billie estava na varanda, falando algo sobre como ia fazer uma cama nova para a gente usando bambu da praia. A primeira coisa que percebi foi o silêncio. O som das ondas parecia mais distante, abafado, como se algo tivesse se infiltrado naquele nosso pequeno paraíso.
— Billie? — chamei, sentindo meu estômago revirar.
Quando saí para a varanda, meu coração parou. Havia três homens parados na areia, vestidos de preto, com armas discretamente escondidas sob os casacos. Mas eu reconhecia aquelas caras. Eram homens do meu pai.
Billie estava de pé, tensa, mas com a mesma expressão de desafio que ela sempre usava quando estava encurralada.
— Alyssa, entra. Agora — ela disse, a voz baixa, mas cheia de autoridade.
— Não. — Minha voz saiu firme, mais do que eu achava que seria possível naquele momento.
Um dos homens deu um passo à frente. Era Matteo, o braço direito do meu pai, e um dos poucos que eu sabia que não hesitaria em atirar, se fosse preciso.
— Alyssa, você sabe que não pode ficar aqui — ele disse, como se estivesse me dando uma chance. — Seu pai quer você em casa. E ela... — Ele apontou para Billie com um aceno de cabeça. — Ela já deveria estar morta.
Meu sangue gelou. Tudo o que passamos nos últimos meses, toda a paz que construímos, estava prestes a ser destruído.
— Você vai ter que passar por mim antes de encostar um dedo nela — eu disse, me colocando ao lado de Billie.
— Alyssa... — Billie começou, mas eu levantei uma mão, silenciando-a.
— Eles querem você morta, Billie. E, por mais que eu odeie admitir isso, eu sei como eles funcionam. Não vou deixar isso acontecer.
O olhar que ela me deu foi cheio de preocupação e amor, mas também algo mais profundo: medo. Pela primeira vez, Billie parecia realmente com medo.
Matteo suspirou, como se estivesse cansado daquela situação. Ele fez um gesto para os outros dois homens, e foi o suficiente para o caos começar.
O primeiro deles sacou a arma, e eu fui mais rápida, pegando a faca de pesca que estava escondida na cintura da minha calça. O movimento foi instintivo, certeiro, e ele caiu na areia com um grito de dor.
Billie se moveu ao mesmo tempo, mas eu sabia que ela não estava na melhor condição para lutar. Ainda assim, ela derrubou o segundo homem com um chute que o desarmou, mas Matteo já estava avançando em direção a ela.
— Não! — gritei, correndo na direção deles.
Tudo aconteceu rápido demais. Matteo empurrou Billie, e ela caiu na areia, ofegante. Ele ergueu a arma, apontando direto para ela.
Foi como se o mundo parasse. Eu não pensei. Apenas agi. Pulei sobre ele, segurando seu braço e torcendo até ouvir um estalo. A arma caiu na areia, mas Matteo ainda tentou reagir.
— Eu avisei, Matteo — sussurrei, antes de acertá-lo na lateral da cabeça com o cabo da faca. Ele caiu, desacordado.
Meu peito subia e descia rapidamente enquanto me virava para Billie, que ainda estava no chão, olhando para mim com uma mistura de choque e admiração.
— Você tá bem? — perguntei, a voz saindo mais trêmula do que eu esperava.
— Você acabou de salvar minha vida — ela respondeu, sem piscar.
— Não vou deixar ninguém tirar você de mim, Billie. Nunca.
Ela ficou em silêncio por um momento, antes de se levantar e me puxar para um abraço apertado.
— Eu te amo, Belladonna.
— Eu também te amo. Agora vamos sair daqui antes que mandem mais gente.
O paraíso tinha acabado. Mas eu não deixaria que aquilo fosse o fim da nossa história.
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𝑆𝑒𝑝𝑎𝑟𝑎𝑡𝑒𝑑 𝑏𝑦 𝑏𝑙𝑜𝑜𝑑
FanfictionAmor proibido no meio de uma família rival. De um lado a mais perigosa capô da família americana Billie, conhecia por impiedosa e sangue frio, já do outro Alyssa Baker filha de um dos mafioso mais perigoso, conhecia como a princesinha da marfia, ma...
