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dias atuais

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Pov: Billie

O sol estava alto, e o céu sobre a praia tinha aquele azul cristalino que parecia uma pintura. A brisa carregava o cheiro do mar, salgado e fresco, e o som das ondas preenchia o espaço ao nosso redor. Depois de dias tensos e discussões constantes, aquele momento parecia um milagre.

Alyssa estava sentada na areia, com os pés enterrados nela, de costas para o mar. Eu estava ao lado dela, mexendo em um pedaço de madeira que, segundo minha criatividade repentina, seria transformado em uma lança.

— O que você tá fazendo? — Alyssa perguntou, com uma sobrancelha arqueada.

— Uma lança — respondi casualmente, levantando a arma improvisada com um sorriso.

Ela bufou, claramente segurando uma risada.

— Por quê? Vamos caçar alguma coisa? — A ironia na voz dela era impossível de ignorar.

— É sempre bom estar preparada. E, além disso, estamos vivendo A Lagoa Azul versão adulta. Precisamos ser autossuficientes. — Apontei para ela, ainda com a lança na mão.

Alyssa revirou os olhos, mas eu vi o canto da boca dela se curvar em um sorriso.

— Certo, Lagoa Azul. Mas você esqueceu um detalhe importante.

— O quê?

— Eles não tinham calça jeans de marca e um estoque de comida escondido na cabana.

Eu gargalhei, jogando a lança na areia. Ela tinha razão, mas eu não daria o braço a torcer tão fácil.

— Bom, se a gente tá jogando verdades aqui, você também não é exatamente Brooke Shields.

— Nem você é o Christopher Atkins, então tá tudo certo. — Ela me deu língua, e eu juro que naquele momento senti meu peito relaxar de uma forma que não acontecia há semanas.

Passamos o dia inteiro assim, provocando uma à outra e rindo como se o mundo lá fora não existisse. Andamos pela praia, colhemos algumas frutas que cresciam perto das árvores e até fizemos uma fogueira mais tarde, como se estivéssemos em um daqueles programas de sobrevivência.

Alyssa adorava reclamar de tudo, mas eu via o brilho nos olhos dela quando conseguia arrancar uma risada minha com seus comentários ácidos.

— Billie, confessa — ela disse mais tarde, enquanto deitávamos na areia, olhando para o céu estrelado. — Você adoraria ser abandonada em uma ilha deserta.

— Claro, contanto que você esteja comigo. — Minha resposta saiu automática, e quando olhei para o lado, ela estava me encarando com um sorriso tímido.

— Isso foi fofo. Tá tentando compensar os últimos dias?

— Talvez — respondi, brincando, mas havia uma verdade naquilo que eu não consegui esconder.

O silêncio confortável se instalou entre nós, e eu comecei a traçar padrões no céu com os dedos. As estrelas pareciam tão próximas que dava para tocá-las.

— Eu sinto falta de casa, Billie — Alyssa disse de repente, a voz baixa, quase um sussurro.

Meu coração apertou ao ouvir isso. Eu sabia que ela estava falando sério. O peso de tudo o que ela tinha deixado para trás estava ali, nas palavras dela.

— Eu também sinto — confessei, virando o rosto para olhar para ela. — Mas, sabe... aqui, com você, eu me sinto feliz.

Alyssa virou a cabeça para mim, os olhos brilhando com uma mistura de emoções que eu não consegui decifrar completamente.

— Mesmo com as minhas crises e... tudo o mais?

— Principalmente com as suas crises — respondi, sorrindo. — Elas me dão um pouco de emoção. É como viver com um furacão, só que mais bonito.

Ela riu, balançando a cabeça.

— Você é impossível.

— Eu sou sua impossível. — Minha mão encontrou a dela, e ficamos ali, na areia fria, de mãos dadas enquanto o som do mar nos embalava.

Era um dia perfeito, mesmo com as pequenas rachaduras que ainda existiam entre nós. Porque, no final das contas, estar ao lado dela era tudo o que importava.

𝑆𝑒𝑝𝑎𝑟𝑎𝑡𝑒𝑑 𝑏𝑦 𝑏𝑙𝑜𝑜𝑑Histórias para pegar e não largar. Descubra agora