Dias atuais

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Pov: Alyssa

A porta da minha casa bateu com força atrás de mim, mas eu não me importei. Meu peito subia e descia com a respiração acelerada, o corpo inteiro tremendo de raiva. 

Billie foi baleada. Finneas foi esfaqueado. 

E tudo isso porque meu pai não conseguia aceitar que eu queria ser feliz com alguém que ele considerava inimiga. 

Eu marchei pelos corredores em direção ao escritório dele, sentindo a adrenalina pulsar nas veias. Dois dos homens de segurança tentaram me impedir na porta, mas um único olhar meu foi o suficiente para fazê-los hesitar e se afastarem. 

Abri a porta sem bater e encontrei meu pai sentado atrás da enorme mesa de mogno, segurando um charuto aceso entre os dedos. Ele levantou os olhos lentamente para mim, como se já soubesse que eu viria. 

— Você tem coragem de aparecer aqui desse jeito — sua voz era baixa, mas carregada de autoridade. — Depois do que fez. 

Soltei uma risada seca, sem humor. 

— Depois do que eu fiz? — dei um passo à frente, batendo as mãos na mesa dele. — Billie quase morreu hoje, pai. 

Ele permaneceu impassível. 

— E isso não teria acontecido se você tivesse feito o que deveria desde o começo. 

Meu sangue ferveu. 

— O que eu deveria ter feito? Casar com um desgraçado que eu mal conheço? Fingir que eu sou feliz enquanto você me usa como peça de um jogo sujo? 

Ele tragou o charuto calmamente. 

— Isso se chama responsabilidade, Alyssa. Você acha que pode fugir desse mundo, mas não pode. Você nasceu nele. Você é sangue da minha família. 

— Eu não quero esse sangue — gritei, minha voz embargada. 

Ele estreitou os olhos para mim. 

— Querendo ou não, você o tem. E eu não posso permitir que uma fraqueza minha coloque essa família em risco. 

Algo dentro de mim se quebrou. 

Minhas mãos tremiam enquanto eu me virava para o armário ao lado e o abria com força. Meu pai franziu a testa, mas não fez nenhum movimento para me impedir. Ele achava que eu estava apenas tendo um surto de raiva. 

Até que eu puxei duas armas e as segurei firme. 

O silêncio no escritório ficou pesado como chumbo. 

— O que você pensa que está fazendo? — a voz dele não tinha mais paciência. 

Eu me virei para ele, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelo meu rosto. 

— Uma delas é para Billie — minha voz saiu trêmula. — E a outra é para mim. 

Ele me olhou, sem expressão. 

— Alyssa… 

— Se Billie morrer, eu morro junto. 

Meu pai se levantou lentamente, apoiando as mãos na mesa. 

— Não diga besteira. 

Engoli em seco e caí de joelhos no chão. 

— Por favor, pai. Eu te imploro. Me deixa viver. Me deixa ser feliz com ela. 

O silêncio tomou conta do ambiente. 

Ele me olhava como se não me reconhecesse mais. Como se eu não fosse a filha que ele criou. 

— Eu já perdi a minha mãe para esse mundo — continuei, minha voz falhando. — Não me faz perder você também. 

Algo nos olhos dele mudou por um instante, mas logo desapareceu. 

— Você não entende, Alyssa. Isso não é só sobre você. 

Ele se afastou da mesa e começou a andar pelo escritório, esfregando as têmporas. 

— Se eu aceitar isso, se eu romper o acordo com Nova York, eu perco território. Perco controle sobre o fluxo de armas e drogas que mantêm essa família no poder. E um capo que demonstra fraqueza não sobrevive por muito tempo. 

Meu estômago revirou. 

— Então, você prefere me matar? 

Ele parou no meio da sala, me olhando nos olhos. 

— Eu nunca faria isso. 

— Mas faria com Billie. 

Ele não respondeu. 

A dor no meu peito se intensificou. 

Eu estava implorando por algo que ele não podia me dar. 

Mas talvez houvesse outra saída. 

— Então faz um novo acordo. 

Ele arqueou uma sobrancelha, curioso. 

— O quê? 

Limpei as lágrimas com a manga da blusa e levantei do chão. 

— Você disse que romper o acordo te enfraqueceria. Mas se você tiver controle sonre toda a California ? 

Ele cruzou os braços, analisando minhas palavras. 

— Explique. 

Eu respirei fundo, tentando acalmar meu coração disparado. 

— Você tem metade da Califórnia em seu poder, os O'Connell a outra metade, Nova York pode lidar com metade de vocês com facilidade, mas não com todo o poder da Califórnia.

Ele soltou uma risada curta. 

— Você acha que pode fazer isso?  Os O'Connell não vão aceitar isso Alyssa...

— Eu sei que posso. 

Nos encaramos por alguns segundos. Ele parecia estar calculando os riscos, ponderando se valia a pena ao menos ouvir mais sobre a minha proposta. 

Então, ele jogou o charuto no cinzeiro e se inclinou contra a mesa. 

— Como vai fazer isso?

E naquele momento, soube que ainda havia uma chance para nós.

𝑆𝑒𝑝𝑎𝑟𝑎𝑡𝑒𝑑 𝑏𝑦 𝑏𝑙𝑜𝑜𝑑Onde histórias criam vida. Descubra agora