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Pov: Alyssa

O cheiro forte de antisséptico e sangue impregnava o ar. O “hospital” dos O’Connells não era um hospital de verdade, mas sim um centro médico clandestino, onde casos como o de Billie e Finneas eram tratados longe dos olhos da lei.

Meu coração pesava no peito como se estivesse sendo esmagado. O trajeto até aqui foi um borrão — eu não conseguia me lembrar direito de como cheguei, apenas da sensação de sufocamento ao ver o nome de Billie na tela do celular e ouvir sua voz fraca do outro lado.

Meu pai havia feito isso.

Eu sabia que ele não aceitaria minha escolha, mas nunca imaginei que fosse tão longe. E agora, Billie estava ferida. Finneas estava ferido.

E eu não sabia se ainda havia uma saída para nós.

Respirei fundo antes de entrar no quarto onde Billie estava.

Ela estava sentada na maca, uma bandagem grossa cobrindo o ombro. Seu rosto estava pálido, os olhos pesados de cansaço, mas quando me viu, um pequeno sorriso brincou em seus lábios.

— Belladonna...

Meu peito se apertou. Eu queria correr para os braços dela, mas fiquei paralisada na porta.

— Você tá bem? — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria.

Ela deu de ombros, mas o pequeno movimento fez seu rosto se contorcer de dor.

— Ah, tirando o fato de que levei um tiro e meu irmão quase foi esfaqueado até a morte, estou ótima.

Meu coração despencou.

— Billie…

Ela suspirou e estendeu a mão para mim.

— Vem aqui.

Eu me aproximei hesitante, sentindo um nó na garganta. Assim que Billie tocou minha mão, um arrepio percorreu meu corpo.

— Me desculpa — sussurrei, sentindo as lágrimas arderem nos olhos. — Isso é culpa minha.

Ela franziu a testa.

— Não é.

— É sim — minha voz quebrou. — Meu pai nunca vai parar, Billie. Nunca. Eu tentei fugir com você, tentei esquecer esse mundo, mas ele sempre vai nos encontrar.

Ela apertou minha mão com mais força.

— Nós encontramos um jeito. Sempre encontramos.

— E se não houver um jeito dessa vez? — minha voz saiu em um fio.

Antes que Billie pudesse responder, a porta foi aberta bruscamente.

Maggie e Patrick entraram como uma tempestade. O olhar furioso de Maggie se fixou em mim, e antes que eu pudesse me preparar, as palavras dela me acertaram como um tapa.

— Eu deveria ter imaginado.

Eu pisquei, surpresa.

— O quê?

Patrick cruzou os braços, o rosto duro.

— Você. Você e sua família. Quase perdemos Billie e Finneas por sua causa.

Meu corpo gelou.

— Eu…

— Você achou que ia trazer a guerra para a nossa porta e que não haveria consequências? — Maggie continuou, a raiva evidente em cada palavra. — Você realmente achou que isso ia acabar bem?

Cada palavra cortava mais fundo que a anterior. Eu já estava destruída por dentro, mas ouvir isso dos pais da Billie fazia tudo parecer ainda pior.

Eu abri a boca para responder, mas Billie se adiantou antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa.

— Não.

Sua voz, firme e determinada, silenciou o quarto.

— Isso não é culpa dela — continuou, seu olhar se fixando nos pais. — Não ousem colocar isso nas costas da Alyssa.

Maggie cruzou os braços.

— Billie, se não fosse por ela, você não estaria nesse estado.

— E se não fosse por ela, eu nem estaria viva — Billie rebateu. — Eu amo a Alyssa. Mais que qualquer coisa nesse mundo.

Meu coração parou.

— E se for preciso morrer por isso, eu morro — sua voz saiu carregada de emoção, mas também de uma convicção inabalável.

Eu senti minhas pernas fraquejarem.

Maggie olhou para ela com um misto de frustração e desespero.

— Você fala como se isso fosse algo bonito, Billie. Mas morrer por amor não é romântico. É estúpido.

— Talvez — Billie respirou fundo. — Mas eu nunca fui do tipo racional, né?

Maggie fechou os olhos por um segundo, como se estivesse tentando conter a emoção. Patrick apenas balançou a cabeça e suspirou pesadamente.

— Finn está bem? — Billie perguntou, mudando o foco.

Patrick suspirou.

— Ele perdeu muito sangue, mas Claudia está com ele.

— Eu quero vê-lo.

Maggie e Patrick trocaram um olhar antes de assentirem.

— Vamos.

Eles saíram do quarto, deixando nós duas sozinhas novamente.

Eu finalmente respirei, me sentindo completamente exausta.

— Você realmente acha que ainda há um jeito? — perguntei baixinho.

Billie me puxou suavemente para perto dela.

— Eu não sei.

Ela olhou nos meus olhos, a intensidade ali me queimando por dentro.

— Mas eu sei que não vou desistir de você.

E, pela primeira vez naquela noite, eu quis acreditar que isso seria suficiente.

𝑆𝑒𝑝𝑎𝑟𝑎𝑡𝑒𝑑 𝑏𝑦 𝑏𝑙𝑜𝑜𝑑Histórias para pegar e não largar. Descubra agora