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dias atuais ( penúltimo )

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Pov Billie

A noite estava fria e úmida quando estacionamos os carros perto do galpão na fronteira da cidade. O cheiro de óleo e metal velho impregnava o ar, misturando-se ao cigarro barato que um dos nossos homens fumava encostado na caminhonete. 

— Isso parece uma cilada — resmungou Finneas ao meu lado, puxando o casaco mais para cima. — Você sente? 

— É claro que eu sinto — respondi, os olhos varrendo o local. — Mas negócios são negócios. 

Tínhamos vindo até ali para garantir que uma negociação de venda de carros roubados fosse concluída sem problemas. Era um dos pontos estratégicos da cidade, e Nova York sabia disso. Era só questão de tempo até que eles tentassem algo. 

— Três carros parados perto do armazém — disse um dos nossos, baixinho. — Pelo menos seis caras armados. 

— Tem mais vindo pelos fundos — outro informou, observando a rua lateral. 

Suspirei. Eu já sabia como essa noite ia terminar. 

— Muito bem, rapazes — murmurei, ajustando a pistola na cintura. — Vamos acabar logo com isso. 

*** 

A emboscada começou rápido. 

Os homens de Nova York saíram dos carros como se tivessem ensaiado, abrindo fogo contra nós antes mesmo de qualquer negociação começar. 

Nos jogamos para trás dos veículos, respondendo aos tiros na mesma intensidade. Vidros estouravam, faíscas saltavam no ar quando as balas atingiam o metal, e o som dos disparos ecoava na noite. 

Finneas estava ao meu lado, atirando com precisão. Ele sempre foi um atirador melhor do que eu, apesar de nunca admitir isso. 

— Como sempre, esses desgraçados jogam sujo! — ele gritou, recarregando a arma. 

— E a gente se preparou pra isso — respondi, mirando e derrubando um dos inimigos. 

Foi quando ouvi o rugido de motores ao longe. 

— Mais reforços? — resmunguei, me preparando para o pior. 

Mas então reconheci os carros. 

Um frio percorreu minha espinha ao ver os veículos pretos chegando em alta velocidade, derrapando na entrada do armazém. 

O pai de Alyssa saiu do primeiro carro como se já soubesse exatamente o que estava acontecendo, seus homens saindo atrás dele, armados até os dentes. 

Os homens de Nova York hesitaram por um momento. 

E foi aí que nós avançamos. 

A luta durou menos do que eu esperava. Com as forças combinadas dos O’Connell e da família de Alyssa, os inimigos foram sendo abatidos um a um, até que os poucos sobreviventes fugiram, deixando corpos e armas espalhados pelo chão sujo do galpão. 

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. 

Patrick O’Connell e o pai de Alyssa se encararam por um longo momento. 

Então, como se tivessem chegado a um entendimento silencioso, os dois se aproximaram e apertaram as mãos. 

— Parece que agora somos oficialmente uma só família — disse Patrick, sua voz grave cortando o ar denso. 

O pai de Alyssa assentiu, cruzando os braços. 

— Espero que sua filha esteja à altura do que está por vir. 

Senti um aperto no peito, mas Finneas me deu um tapa nas costas, rindo. 

— Ah, você não faz ideia — ele disse. 

Olhando para aqueles homens ali, percebi que algo havia mudado. 

Não éramos mais rivais. Não éramos mais duas famílias separadas. 

A partir daquele momento, éramos uma só. 

E o mundo lá fora ia ter que aprender a temer isso.

Pov Alyssa

A sala de estar estava iluminada apenas pela lareira acesa, lançando sombras dançantes pelas paredes. Eu andava de um lado para o outro, sentindo o tapete macio sob meus pés descalços, o coração batendo rápido no peito. 

— Eles já deviam ter voltado — murmurei, cruzando os braços, inquieta. 

Minha madrasta, Dayla, estava sentada no sofá, uma xícara de chá quente entre as mãos. Seu olhar me seguiu por um momento antes de suspirar. 

— Você precisa se acalmar, Alyssa — disse ela, com aquela voz suave de quem sempre parece saber mais do que deixa transparecer. — Seu pai foi junto. Nada vai acontecer com a Billie. 

Eu parei, cerrando os punhos. 

— Eu sei disso, mas… — Mordi o lábio. — Essa guerra já passou dos limites. Eu só quero que isso acabe logo. 

Dayla sorriu de leve, passando a mão sobre a barriga já bastante visível. 

— Está acabando. Vocês estão mudando as coisas. Acredite em mim. 

Antes que eu pudesse responder, ouvi o barulho de carros chegando. 

Saí da sala quase correndo, o frio da noite me atingindo quando a porta da frente se abriu. 

Meu pai entrou primeiro, com aquele olhar satisfeito de quem acabou de conseguir exatamente o que queria. Ele me encarou e sorriu de canto. 

— Foi um bom dia, filha. 

— Foi? — perguntei, cruzando os braços. — Billie está bem? 

Antes que ele respondesse, Billie surgiu atrás dele. Suja de poeira e com um corte pequeno na testa, mas viva e com aquele sorriso convencido no rosto. 

— Eu volto depois de garantir que Nova York não vai mais ser um problema e tudo que eu ganho é um interrogatório? — ela brincou, abrindo os braços. 

Bufei, mas antes que percebesse, já estava atravessando a distância entre nós e me jogando nos braços dela. Billie riu baixo, segurando minha cintura firme. 

— Você me mata de preocupação — murmurei contra seu pescoço. 

— Eu sou difícil de matar, amor — ela respondeu, deixando um beijo no topo da minha cabeça. 

Quando me afastei, percebi meu pai nos observando com um olhar diferente. Algo entre orgulho e aceitação. 

— Você deveria estar feliz, pai — falei, levantando uma sobrancelha. — Finalmente está trabalhando com os O’Connell. 

Ele soltou um riso baixo, balançando a cabeça. 

— Nunca achei que veria esse dia, mas admito que é uma boa aliança. E, mais importante… — Seus olhos me analisaram por um momento. — Você está feliz. Isso significa algo pra mim. 

Meu coração apertou um pouco. Meu pai nunca foi de admitir sentimentos tão abertamente. Mas naquele momento, vi algo genuíno em seu olhar. 

Talvez, finalmente, estivéssemos chegando a algum lugar. 

Billie apertou minha mão de leve, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. 

E, pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti respirar aliviada.

𝑆𝑒𝑝𝑎𝑟𝑎𝑡𝑒𝑑 𝑏𝑦 𝑏𝑙𝑜𝑜𝑑Histórias para pegar e não largar. Descubra agora