Pov: Billie
A noite foi longa. Deitei na cama, encarei o teto e tentei dormir, mas minha mente não me deu trégua. Alyssa não havia mandado outra mensagem além do simples “Vou passar a noite aqui. Te vejo amanhã”*
E se ela estivesse dando para trás?
A ideia grudou na minha cabeça como um veneno. Eu queria confiar nela. Queria acreditar que ela estava ali para lutar por nós, mas tudo parecia errado. Depois de tanto tempo fugindo, finalmente voltamos e, no primeiro dia, ela já estava na casa do pai.
E agora?
A madrasta dela realmente passou mal ou isso foi só uma desculpa conveniente para ganhar tempo?
Rolei na cama, inquieta. Eu odiava sentir isso, odiava duvidar dela. Mas aprendi do pior jeito possível que, no nosso mundo, qualquer hesitação poderia custar caro.
Bufei e joguei as cobertas de lado. O relógio marcava seis da manhã, mas eu já estava acordada há horas. Levantei, peguei uma camiseta preta larga e coloquei um casaco por cima para esconder minha arma. Eu precisava limpar a mente.
Saí sem fazer barulho.
O bar ficava em um dos bairros mais movimentados de LA, mas o escritório no segundo andar era um refúgio discreto. Era um lugar que eu usava quando precisava pensar, longe de tudo e de todos.
Subi as escadas de concreto, sentindo o cheiro de álcool e cigarro no ar. Assim que entrei, joguei meu casaco em uma cadeira e servi um pouco de uísque.
Apoiei os cotovelos na mesa e passei as mãos pelo rosto. Minha mente ainda estava um caos. Eu sabia que Alyssa me amava, mas amor nem sempre era suficiente. Eu estava disposta a arriscar tudo por ela. Mas será que ela faria o mesmo por mim?
Peguei o celular e abri nossa conversa, pensando em mandar uma mensagem, mas antes que pudesse digitar qualquer coisa, ouvi um estalo na porta.
Meu corpo reagiu antes da minha mente.
Virei na direção do som no exato momento em que a porta foi arrombada.
— Mas que merd—
O tiro veio antes que eu terminasse a frase.
Me joguei para o lado, derrubando tudo da mesa no processo. A bala passou de raspão pelo meu ombro, queimando minha pele.
— Filha da puta! — gritei, sacando minha arma e atirando de volta.
O cara se jogou atrás de um sofá e continuou atirando.
Eu estava prestes a avançar quando um segundo homem entrou na sala. Antes que eu pudesse reagir, ele me chutou com força no peito, me fazendo cair para trás. Minha arma escorregou da minha mão e caiu longe.
— Você devia ter ficado fora disso, Eilish — ele rosnou, sacando uma faca.
Antes que ele pudesse se aproximar, outro tiro ecoou na sala.
O homem caiu no chão, morto.
Levantei o olhar e vi Finneas na porta, segurando uma pistola com uma mão e pressionando a lateral do corpo com a outra.
Meu estômago afundou quando vi o sangue escorrendo entre seus dedos.
— Finn!
O primeiro cara, que ainda estava vivo, aproveitou minha distração e me acertou um soco. Caí no chão de novo, sentindo o gosto de sangue na boca.
Mas antes que ele pudesse fazer mais alguma coisa, Finneas atirou nele também.
O silêncio tomou conta do cômodo.
Respirando com dificuldade, rastejei até Finneas e o segurei pelos ombros.
— Você foi esfaqueado?
Ele riu sem humor.
— Parece que sim.
— Merda.
Apoiei-o contra a parede e tirei meu casaco para pressionar contra a ferida.
— Você não devia ter vindo.
Ele sorriu, pálido.
— E deixar você morrer sozinha? Nem fodendo.
Olhei para os corpos no chão e meu coração acelerou.
— O pai da Alyssa mandou eles?
Finneas assentiu, cerrando os dentes quando pressionei mais forte a ferida.
— Isso foi um aviso. — Minha voz saiu baixa, mas carregada de fúria. — Ele não vai parar.
Finn respirou fundo, tentando conter a dor.
— Precisamos sair daqui.
Eu olhei ao redor e vi minha arma no chão. Peguei-a e a guardei no cós da calça antes de ajudar Finneas a se levantar. Ele cambaleou, mas conseguiu se apoiar em mim.
Saímos do escritório e descemos as escadas com pressa. Eu já estava mandando mensagem para um dos nossos motoristas quando senti meu celular vibrar com uma ligação.
Era Alyssa.
Atendi no terceiro toque.
— Billie? O que está acontecendo?
Pelo som da voz dela, ela já sabia que algo estava errado.
— Seu pai mandou caras atrás de mim — soltei, sem rodeios.
O silêncio do outro lado foi cortante.
— Você está bem?
Olhei para o sangue escorrendo do meu ombro e para Finneas, que mal conseguia andar direito.
— Não exatamente.
— Onde você está?
— Saindo do bar na Franklin Avenue.
Ela suspirou pesadamente.
— Vou encontrar vocês.
Desliguei sem responder. Eu sabia que ela viria, mas a pergunta que me atormentava desde a noite passada ainda ecoava na minha cabeça.
Será que Alyssa estava mesmo do meu lado? Ou será que, no fundo, ela ainda estava dividida?
Eu ia descobrir em breve. E, se ela não tivesse certeza… alguém ia acabar morto.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝑆𝑒𝑝𝑎𝑟𝑎𝑡𝑒𝑑 𝑏𝑦 𝑏𝑙𝑜𝑜𝑑
FanficAmor proibido no meio de uma família rival. De um lado a mais perigosa capô da família americana Billie, conhecia por impiedosa e sangue frio, já do outro Alyssa Baker filha de um dos mafioso mais perigoso, conhecia como a princesinha da marfia, ma...
