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Naoto Tachibana

- Conseguiu encontrar alguma pista na casa da Akane, como eu pedi?

- Olha, foi por pouco... Quase foi pega por ela , mas achei algo suspeito. - Ela abaixou a voz, olhando para os lados antes de continuar. - Um gravador. Consegui pegar e colocar dentro da minha bolsa. Acho que você deveria dar uma olhada, mas não agora. Quero passar um tempo com meu filhinho e saber os detalhes do casamento.

Ela deixou o zíper da bolsa e retirou uma pequena fita cassete, deixando-a em cima do rack com um gesto casual. Mas nada naquilo parecia casual para mim.

Minha respiração ficou lenta e pesada. A fita, ali, parada, parecia um peso invisível no ambiente. Por mais que tentasse desviar o olhar, meus olhos sempre voltavam para ela. Como se a verdade estivesse trancada ali dentro, aguardando o momento certo para me devorar.

Tentei afastar os pensamentos. Passei um tempo com minha mãe, rimos, conversamos sobre o casamento, e, por algumas horas, deixei que a normalidade me envolvesse. Mas o rompimento era falso, superficial. No fundo, meu peito queimava de ansiedade.

Quando ela finalmente foi embora, fiquei sozinho com aquele pequeno objeto que poderia mudar tudo.

Com um suspiro pesado, peguei a fita e coloquei no gravador. Meus dedos hesitaram antes de apertar o jogo. Uma parte de mim queria que fosse apenas um mal-entendido. Mas outra... outra já sabia a verdade.

Depois de assistir aquela fita tudo fazia mas sentido agora, a akane realmente era uma assassina não só isso ela era uma sérial killer a mesma que eu estava investigando, como sou burro e não percebi os sinais, talvez o amor me deixou cego.

Meu melhor amigo... Kanji. Eu sabia que ele estava perto da verdade. Mas nunca imaginei que essa verdade tivesse um rosto tão familiar.

Tirei a fita do gravador com um estelo seco, meu peito subindo e descendo rapidamente.

Eu não podia mais negar.

Akane era um serial killer mais procurado do Japão.

O pior era que, no fundo, eu já suspeitava. Preferi ignorar, preferi me agarrar a uma versão dela que talvez nunca tenha existido.

A raiva começou a tomar conta de mim. Eu não poderia simplesmente deixar isso passar. Não importa o que sinto por ela, não importa o quanto a amasse.

Então, outra peça do quebra-cabeça surgiu na minha mente.

Kaito.

As letras que apareceram em todas as pistas que Kanji deixou para trás. O mesmo sobrenome da Akane. O mesmo nome de um homem que desapareceu sem deixar rastros, aquele mesmo do bar.

Seria possível...?

Puxei algumas informações sobre ele, mas não encontrei nada concreto. Tudo sobre sua vida parecia ter sido desligado. Mas uma coisa era certa: ele tinha acesso às informações sobre a mãe de Akane.

Se ele sabia tanto... ou era alguém próximo, ou...

Ou ele era um assassino. Que nem sua filha

Se minha teoria fosse certa, Akane já havia feito mais uma vítima: o próprio pai.

E ninguém jamais encontraria o corpo dele.

Os dias passaram como um borrão. Nosso casamento estava cada vez mais próximo. Eu preciso agir, mas também preciso fingir que estava tudo normal.

Porém, percebi algo nos olhos de Akane. Eles estavam sempre atentos a mim, observando cada detalhe do meu comportamento, como se pressentisse que algo havia mudado.

Eu tentei manter a calma. Tentava sorrir, agir naturalmente. Mas por dentro... eu estava fervendo.

Eu não deixaria esse casamento acontecer.

Eu tinha prometido.

Eu ia acabar com tudo isso.

Agora, estávamos diante de uma vitrine de joias, olhando alianças.

Akane segurou uma delicada aliança dourada, seus olhos brilhando com empolgação.

- Olha, amor,esses aqui são lindos! O que você acha? - murmurou, girando o anel entre os dedos.

Observei o reflexo dela no vidro. Por um instante, enxerguei a Akane que conheci. A mulher que amei.

Mas agora, tudo que eu via era só uma assassina.

O peso do anel no meu dedo parecia uma corrente.

Sorri, forçando leveza na voz.

- São boas, porém tem que ser algo que é nossa cara não concorda meu amor?

- concordo

Nossos olhos passeavam pela vitrine, deslizando entre fileiras de alianças douradas e prateadas, todas brilhantes sob a luz fria da joalheria. Nenhuma delas parecia certa. Nenhuma parecia nossa

Até que os vimos.

Um par de anéis diferentes de todos os outros. Um mais grosso, inteiramente preto, de um minimalismo sólido e imponente. O outro, mais fino, esculpido com delicados detalhes florais, como vinhas entrelaçadas em um segredo antigo.

Houve um silêncio carregado entre nós.

Nem eu nem Akane precisamos dizer nada. Apenas nos olhamos, e naquele instante, já sabíamos.

Eram aqueles.

Ela deslizou os dedos sobre a superfície do anel mais fino, os traços florais refletindo um brilho discreto sob a luz. Seus olhos, por um breve momento, tinham a suavidade de alguém verdadeiramente feliz. Como se, dentro daquela loja, dentro daquela escolha, nada mais existisse além de nós dois.

Eu segurei o outro anel, sentindo o metal frio contra minha pele. Ele era pesado, sólido quase simbólico. Um peso real em meio ao peso invisível que já carregava dentro de mim.

Akane ergueu o olhar, e eu fiz o mesmo.

E, a gente não precisava falar nada para sabermos que concordamos com essa escolha

As revelações dos últimos dias, a verdade sombria que me assolava, o ressentimento crescendo em meu peito - tudo isso ficou suspenso no ar, como poeira em um quarto escuro.

Só por agora.

Só dessa vez.

Sorri, segurando sua mão com delicadeza.

- São perfeitos.- murmurei, a voz calma.

Akane sorriu de volta, apertando meus dedos com leveza.

E naquele momento, me permitir fingir. Fingir que o futuro que estávamos construindo era real. Fingir que esse casamento ia acontecer.

Mesmo sabendo, no fundo, que aquele círculo negro em minha mão não representava união.

Representava um fim.











- concordo completamente com você afinal não somos um casal comum.

Então e quando nossos olhos repousam em um anel diferenciado, totalmente preto um mais grosso "simples" e outro mais fino com uns detalhes de flor totalmente nossa cara.

Nem eu e nem a akane precisou dizer nada, já sabíamos qual seria nossa escolha... Não tínhamos dúvidas e por um momento esqueci todo que aconteceu nesses últimos dias e me concentrei em aproveitar o momento com minha noiva só dessa vez.

Finalmente o dia do casamento havia chegado.

Ja estamos quase chegando ao fim dessa mas, teremos fanfic nova com mas personagem de Tokyo revergens:)





















entre luvas e sangue Onde histórias criam vida. Descubra agora