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O som da esteira de bagagens parecia distante em meio ao turbilhão que sinto no peito. Tentava manter a postura, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco, mas meus olhos não param de vasculhar cada rosto que passa pelo portão de desembarque.
E então, ele apareceu.
Park Jimin. Cansado da viagem, com os cabelos um pouco bagunçados e os olhos escondidos atrás dos óculos escuros. Mas ainda assim... ele.
Por um segundo esqueci como se respira.
Ji me viu quase ao mesmo tempo ─ e o sorriso que cresceu devagar nos lábios dele fez o mundo todo desacelerar.
Dei dois passos à frente, mas parei. Esperei.
Ele tirou os óculos e pendurou na gola da camisa.
─ Oi ─ disse, simples, como se não estivesse reprimindo toda a ansiedade que carregava em si.
─ Oi ─ respondi com um sorriso contido. Estendi a mão para pegar sua mala, mas Jimin a puxou de volta.
─ Essa eu carrego. Mas... ─ ele olhou ao redor e depois de novo para mim. ─ você me leva?
Foi quando eu finalmente sorri de verdade.
─ Sempre.
Caminhamos lado a lado até a saída. Sem pressa, como se estivéssemos voltando para casa juntos depois de uma caminhada qualquer. Um silêncio confortável se formou entre nós, pontuado apenas pelo som das rodinhas da mala.
Antes de atravessarmos a porta de vidro, Ji parou por um instante. Me virei para ele confuso.
─ É meio estranho. ─ ele disse, encarando nosso reflexo no vidro. ─ Tipo... saber que agora é real. Que eu tô aqui. Com você.
Me aproximei devagar. Meus olhos, penetrados nele, conseguem ler tudo que está nas entrelinhas.
─ Eu pensei que fosse só um sonho por tanto tempo. ─ murmurei ─ Mas agora, você está aqui comigo. E eu vou fazer de tudo pra dar certo.
Jimin assentiu, quase sem perceber, e deu um passo em minha direção.
O toque foi sutil ─ um roçar de dedos, um gesto tímido. Mas a conexão está aqui, intacta. Como se nunca tivesse ido embora.
***
Nunca pensei que ver o Ji comer um croissant fosse me deixar com uma vontade de sorrir feito idiota. Mas aqui estou.
Ele está sentado do outro lado da mesa, com os cotovelos apoiados no tampo de madeira clara, encarando a vitrine de doces como se estivesse decidindo o destino do mundo. As luzes do lugar batem de um jeito suave em seus cabelos, que agora tem uma ponta dourada que não estava lá da última vez.
─ Você acha que eu peço outro ou isso já é abuso de confiança no meu primeiro dia em Londres? ─ ele pergunta, com a voz cheia de riso, os olhos virando pra mim como se já soubesse que eu vou dizer sim.
─ Abuso seria não pedir. ─ respondo, e ele ri com aquela risadinha curta que solta quando tá se segurando pra não parecer muito feliz.
É bom ver isso de novo. O riso dele, de perto. A calma. O tempo desacelerando enquanto a gente divide um bolinho de limão.
Jimin levanta e vai até o balcão. Fico observando o jeito como ele mexe nas mangas do suéter, como fala com a atendente com aquele jeitinho gentil que ele sempre teve. Algumas pessoas notam. Ele chama atenção sem querer.
E eu... só estou aqui, tentando entender como dei a sorte de ter ele de volta.
Quando ele volta com outro croissant ─ agora recheado de chocolate ─ coloca uma das metades no meu prato.
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Since The First Time
FanfictionEu e Taehyung conseguimos sobreviver aos dois primeiros anos do Ensino Médio. Foi difícil, já que ele adorava me arrastar para as farras quase todos os dias. Mas finalmente, chegamos ao tão esperado terceiro ano. E desde agora acredito fielmente que...
