twenty-four; sick boy

12 3 7
                                        


🌸🌸🌸

Eu quase disse não.

Estava exausto depois da aula, o frio lá fora parece zombar do meu moletom fino e o sofá está perigosamente confortável. Mas Jungkook apareceu aqui com esse sorriso persuasivo e um convite nos olhos antes mesmo das palavras.

─ Só uma saída rápida. Vi que tem um bar com música ao vivo ali na Brick Lane. Vai ser divertido, amor.

E, como sempre, ele me convenceu a ir.

O lugar é pequeno e aconchegante, com luzes amarelas penduradas no teto e um palco improvisado no canto. Um cantor toca versões acústicas de músicas antigas, e o som do violão misturado com o burburinho das conversas preenche o espaço como um cobertor quentinho.

Jeon parece à vontade aqui.

Cumprimentou o atendente como se já tivesse vindo antes ─ provavelmente já veio ─ e me puxou pela mão até uma mesa perto do palco. Seu toque sempre me dá a sensação de que tudo está bem. Que apesar de todo o tempo e distância que enfrentamos, nada realmente mudou.

Conversamos sobre bobagens no começo. As aulas dele, as minhas, nossa semana corrida, como precisamos fazer compras. Dei risada quando ele tentou imitar meu professor de História da Dança. Ele ficou bravo (de brincadeira, claro) quando eu o zoei por confundir alguns estilos.

Quando uma música mais tranquila começou, Jungkook se levantou e me estendeu a mão.

─ Vem. Me ensina a dançar, amor.

Eu revirei os olhos, mas fui. Sempre vou quando é ele.

A pista é pequena, mas suficiente. Nos movemos devagar, colados um no outro. Sua mão acaricia levemente minha cintura e seus lábios roçam minha bochecha levemente.

Quando nos afastamos um pouco, uma garota se aproximou.

Alta, bonita, com uma presença que enche o ambiente. Ela tocou em seu braço com intimidade e disse algo em seu ouvido que não consegui escutar. Jungkook riu ─ um riso que ele solta sempre que está um pouco sem graça ─ e respondeu rápido. Ela falou mais alguma coisa, e ele apenas assentiu, com um sorriso nos lábios.

Foi só um segundo, mas queimou.

Voltei para mesa, disfarçando o aperto no estômago com um gole longo de vinho. Ele demorou alguns minutos para voltar, o suficiente para minha cabeça inventar pelo menos três cenários dramáticos.

─ Tá tudo bem? ─ perguntou, sentando ao meu lado.

─ Claro. ─ mentira.

Ele franziu o cenho. ─ Ela só me perguntou se eu era o cara da banda da semana passada. Confundiu. Disse que achava que me conhecia de algum lugar.

Assenti, ainda encarando meu copo. E então senti sua mão sobre a minha, firme.

─ Jimin. ─ disse, com a voz baixa que só usa quando quer me tirar do transe. ─ Não tem ninguém aqui que eu queira além de você.

Levantei os olhos. Ele está sério, mas os olhos brilham com um carinho que me quebra todas as vezes.

─ Foi só um segundo. ─ disse, envergonhado.

─ E mesmo assim, seu ciúme durou uma eternidade. ─ ele riu, me puxando pela nuca e encostando nossos rostos. ─ Adoro quando você fica com ciúmes, sabia?

─ Idiota.

─ Seu idiota.

E então me beijou. No meio do bar, com o som da música misturado aos aplausos e ao meu coração acelerado. Sem se preocupar com nada além de nós dois.

Since The First TimeOnde histórias criam vida. Descubra agora