twenty-one; for me

13 2 4
                                        


🌸🌸🌸

Acordar com o cheiro do vento batendo entre as frestas da casa na árvore foi como voltar a um tempo que eu achei que não existia mais. Tudo aqui é antigo, mas não gasto. É como nós ─ pausados no tempo, esperando a coragem de voltar.

Senti o calor de Jimin antes de abrir os olhos. Ele dorme encolhido ao meu lado, com o rosto voltado pra mim, os cabelos espalhados pelo rosto e os lábios entreabertos. A luz da manhã nos alcança pouco a pouco. Por um segundo, não quis mexer. Só queria guardar essa imagem.

Mas ele se mexeu primeiro.

─ Já está acordado? ─ sua voz saiu baixa, meio rouca. Como se soubesse que esse silêncio tem valor demais pra ser quebrado de qualquer jeito.

Assenti devagar. ─ Tô. Há um tempo, na verdade.

Ji bocejou e se espreguiçou, mas ficou deitado, com os olhos presos nos meus. ─ E no que você estava pensando?

Sorri. ─ Que você ainda fala dormindo.

Ele riu, sem pressa. ─ O que eu disse?

─ "Não vai embora." ─ olhei pro teto de madeira, sentindo o peso e a leveza daquela frase ao mesmo tempo. ─ Você estava sonhando ou lembrando?

Ele ficou em silêncio por uns instante. Depois, virou de lado, mais perto de mim.

─ Talvez os dois. ─ seus dedos tocaram os meus de leve. ─ E você? Pensa em voltar algum dia ou quer permanecer lá?

Neguei com a cabeça. ─ Você sabe que vou estar onde você estiver. Não existe vida pra mim sem você.

O silêncio voltou, mas é outro agora. Não é incômodo ─ é aquele tipo de silêncio que só existe entre duas pessoas que já disseram tudo com o olhar.

─ Sabe ─ Jimin murmurou ─ às vezes eu acho que, se a gente não tivesse se afastado, talvez a gente não teria se reencontrado assim.

─ Com mais certeza? ─ completei por ele.

Ele sorriu. ─ Com mais vontade.

Ficamos por um tempo nos olhando e acariciando, esperando que o tempo nunca passe e eu não tenha que voltar. Pelo menos, não sem ele.

─ Amor, eu queria muito te pedir uma coisa. ─ sentei virado para si, sério para que ele não pense ser brincadeira.

Ji franziu o cenho e se sentou também a minha frente.

─ O que, amor? ─ questionou curioso.

─ Que tente a bolsa de Londres. ─ confessei nervoso. ─ E antes que diga qualquer coisa, você consegue sim. Você é incrível, consegue tudo.

Ele negou abaixando a cabeça e sorriu. ─ Eu fico feliz que acredite em mim, mas eu não sei se... eu só não quero criar expectativas sobre isso e nos frustrar.

Levei minha mãos até seu rosto e acariciei levemente, levantando-o para que me olhasse nos olhos.

─ Tenta, por favor. Por mim. ─ supliquei. ─ Eu não aguento mais viver longe de você, eu preciso de você do meu lado, todos os dias.

Algumas lágrimas escorreram por seus olhos e eu as sequei com os dedos. Beijei suas bochecha, sua testa e todo o seu rosto.

─ Não quero que se sinta pressionado se não quiser, mas pensa sobre isso? ─ pedi.

Ele assentiu e se aconchegou em meu colo.

─ Eu te amo.

─ Eu te amo, muito mais.

Since The First TimeOnde histórias criam vida. Descubra agora