eighteen; a gray afternoon in london

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À tarde, depois de ficarmos bastante tempo deitados juntinhos e de preguiça, resolvemos tomar um banho para passear no Tâmisa. Visto que já é meu último dia aqui, quero conhecer alguns lugares e criar boas memórias com ele.

O vento carregava um cheiro metálico do rio e diesel do barco turístico. Jungkook comprou os ingressos para uma cabine reservada na London Eye — um capricho caro, mas ele queria tempo e espaço para nós dois.

Quando a cápsula de vidro começou a subir, apoiei a testa na superfície fria e observei a cidade se desenrolando em 360 graus. Pontos turísticos se enfileiravam em miniaturas de um tabuleiro: a Abadia de Westminster, o Big Ben em obras, a cápsula da StPaul.

— Sabe o que é estranho? — perguntei, sem tirar os olhos do cenário. — Passei o ano imaginando Londres pelos seus vídeos, e mesmo assim... estar aqui parece outro universo.

Jungkook encostou-se ao meu lado.

— Eu assisto às suas coreografias e penso a mesma coisa sobre Seul. Meio difícil lembrar que é o mesmo planeta quando o relógio insiste em dizer "três da manhã".

Depois de algum tempo em dúvida sobre o que fazer da vida, decidi me entregar ao que eu sempre desejei. Ignorei toda a minha timidez e insegurança, me lançando na faculdade de dança.

Jeon tentou me convencer a me inscrever para a de Londres, o que seria ótimo, pois ficaríamos juntos, mas não me acho bom o suficiente para isso. Logo, me contentei em permanecer em Seul.

Virei-me encurtando o espaço entre nós.

— A gente vai conseguir dessa vez?

A pergunta ficou suspensa no ar, tão alta quanto a roda-gigante no ponto máximo. Ele sustentou o olhar, sem pressa de responder.

— A gente conseguiu chegar até aqui. — disse, enfim. — Mesmo depois de tudo, você está do meu lado agora. Pra mim, isso é prova de que vale tentar de novo. Mas não quero prometer que vai ser fácil, a gente já sabe que não vai.

— Nem eu. — disse e segurei sua mão. — Promete só que, quando ficar difícil, a gente vai falar. Mesmo que doa, mesmo que seja de madrugada.

— Prometo.

Nós selamos o acordo em um beijo lento, o vidro embaçou levemente com o calor dos nossos corpos. Do lado de fora, Londres se estendia cinza e majestosa, mas aqui dentro, bastava o calor desse beijo para que qualquer fuso horário parecesse irrelevante.

Descemos da London Eye sob chuva um pouco mais grossa. Corremos na direção de Waterloo, rindo de casacos ensopados e cabelos pingando. Na plataforma, espremidos entre as mochilas dos turistas, encostei minha cabeça em seu ombro.

— Você ainda tem aquele gravador antigo? — perguntei, quase em um sussurro.

— Tenho. Por quê?

— Quero que você grave sua voz lendo alguma coisa. Por ser a lista de compras, não importa. — ri. — Só quero algo pra ouvir quando a saudade apertar de madrugada.

Jungkook sorriu e apertou os braços ao redor da minha cintura.

— Eu gravo quantas listas você quiser. E mando vídeos dos lugares que você ainda não conheceu. — pausou, escolhendo bem as palavras. — até você voltar.

A frase "até você voltar" soou como uma âncora jogada no mar revolto da incerteza: de repente, havia chão, havia horizonte.

***

Since The First TimeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora