twenty-six; cherry trees

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🌸🌸🌸

Tóquio nos recebeu com céu limpo e um vento leve, daqueles que mexem no cabelo. É primavera ─ e tem algo de poético nisso, como se o nosso romance estivesse perfeitamente alinhado com o florescer das cerejeiras.

O carro que nos trouxe até o hotel deslizou pelas ruas limpas e cheias de vida. Jimin está colado na janela, olhos atentos a casa detalhe, como uma criança entrando num sonho enquanto eu o filmo. Ver ele empolgado com as coisas simples me dá uma paz impossível de explicar.

Chegamos no hotel, um daqueles modernos e elegantes, mas com um toque minimalista. O quarto é grande, cheio de vidro, luz natural e uma cama enorme no centro, com lençóis brancos que gritam "descanso merecido".

Mas o que mais chamou atenção e não só a minha, foi o banheiro.

As paredes de vidro cercam a banheira e o chuveiro deixando tudo à vista. Um botão no canto oferece a opção de "vidro fosco", mas... por enquanto, deixamos assim.

─ Eles sabem que casais vêm pra cá, né? ─ Ji comentou, largando a mochila no chão e se aproximando do banheiro como se estivesse analisando uma obra de arte.

─ Com certeza sabem. E devem imaginar o que acontece ali dentro. ─ respondo, me aproximando por trás, abraçando sua cintura.

Ele sorri e se vira pra mim.

─ A gente vai tomar banho ali como pessoas normais... ou você vai aprontar de novo?

─ Depende de você, Park.

Ele levantou uma sobrancelha, e antes que eu fizesse qualquer movimento, já estava indo pra janela.

─ Depois. Primeiro, cerejeiras.

***

Saímos no fim da tarde, quando o céu começa a mudar de cor. O parque está calmo, e o chão já começa a se encher de pétalas rosadas. As árvores parecem flutuar, de tão incrível.

Jimin caminha ao meu lado, com a câmera pendurada em seu pescoço e um sorriso suave no rosto. O vento bagunça seu fios e faz as flores dançarem ao seu redor.

─ Aqui é tão bonito. ─ ele disse, olhando pra cima, hipnotizado com tudo.

─ Você também. ─ respondi sem pensar.

Ele olhou pra mim, surpreso ─ não pelo elogio, mas pelo jeito que eu disse, como se estivesse olhando pra ele pela primeira vez.

Segurei sua mão com firmeza e puxei devagar, até ele estar colado em mim de novo. Debaixo da cerejeira, com o som distante da cidade e o perfume suave das flores, eu o beijei. Não como antes, com urgência. Mas com calma. Com presença. Com tudo que não coube na pressa do tempo.

─ Estamos muito bem, né? ─ perguntou, com a testa encostada na minha. ─ Estou muito feliz por estarmos aqui. Juntos.

─ Estamos onde deveríamos estar, meu amor. ─ disse.

As pétalas continuam caindo devagar, uma a uma, como se estivessem tão encantadas quanto eu. O beijo ainda arde de leve nos meus lábios, fazendo com que a vontade de beijá-lo de novo me provoque ansiedade. Fechei os olhos por alguns sentidos para sentir todo o ambiente e quando os abri, Jimin me com um sorriso pequeno e sincero, que me dá vontade de prometer o mundo inteiro para vê-lo sempre assim.

Sorri, sentindo meu peito quente de amor.

Continuamos caminhando, lado a lado, com os dedos entrelaçados. As árvores cobrem a trilha com sombras rosadas, e o vento traz o perfume das flores misturado com o som dos passos calmos do nosso redor. É como andar dentro de um quadro ─ e, ainda assim, nada parece mais verdadeiro do que suas mãos na minha.

Since The First TimeOnde histórias criam vida. Descubra agora