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Meu quarto está mergulhado em silêncio, exceto pelo leve zumbido do ventilador girando preguiçosamente no teto. A luz do entardecer entra pelas persianas entreabertas, pitando listras douradas sobre o chão de madeira e sobre os nossos retratos que eu nunca tive coragem de tirar da cômoda.
Entre eles, um em especial sempre me chamava mais atenção. A foto tirada na nossa última viagem antes de tudo mudar. Nós dois nos beijando na praia. Passei os dedos sobre a imagem, como se pudesse sentir a pele quente dele aqui, ainda vívida em minha memória.
É engraçado — ou talvez cruel — como a vida tem o dom de afastar até os laços mais fortes.
Eu fui embora, porque a bolsa que consegui para estudar aqui em Londres era o meu maior sonho e eu sei que Jimin nunca pediria para ficar, ele não é assim. Prometemos que tudo daria certo e que nos esperaríamos.
Mas não deu.
As chamadas diminuíram. As mensagens se tornaram espaçadas, até que o silêncio se instalou de vez, confortável apenas para o tempo que passava sem pedir permissão.
Agora, meses depois, eu encaro esse vazio como quem encara uma cicatriz: com saudade do que foi e com medo de tocar de novo.
Sentado na cama, peguei o celular. Ainda tenho seu número salvo, ainda sei quais dos nossos horários batem, ainda me pego abrindo o Instagram para ver se ele postou coisas novas. Nada há dias.
Digitei uma mensagem — um simples "oi" — e fiquei olhando para a tela indeciso, depois de ser ignorado em outras. Apaguei. Reescrevi. Apaguei de novo.
"Você ainda pensa em mim, Ji?"
A pergunta só ecoa na minha cabeça, nunca digo em voz alta, muito menos a escrevo.
O tempo passou. O mundo do Jimin gira agora longe demais. E eu... Eu ainda estou aqui, preso nas lembranças, tentando entender onde tudo desandou. Se foi a distância, se foram os silêncios ou se apenas deixamos de ser "nós".
Me deitei na cama, com o rosto virado para o teto, os olhos marejando devagar. Não choro com frequência, mas quando a saudade aperta assim — sem motivo aparente, no meio de um dia qualquer — é impossível segurar.
Aqui, entra a dor e a lembrança, desejo mesmo que só por um segundo, que ele venha me ver.
Porque por mais que eu tente não pensar nele e me livrar de tudo que nos liga para não sofrer mais, eu não consigo nem por um minuto manter essa farsa.
E, bem no fundo do meu coração, eu desejo voltar correndo pra ele.
Ouço um som bem longe, mas não consigo reconhecer de primeira. Meu corpo está pesado, mal consigo me mexer.
Depois de alguns segundos tentando focar, reconheço ser do meu celular. Me esforço um pouco e estendo a mão para atender sem antes verificar quem é. Provavelmente alguém da faculdade me enchendo pra sair.
A surpresa em meu rosto é clara quando ouço sua voz, meu coração acelera e acredito que estou sonhando.
***
Antes de nos despedirmos no parque, resolvi convidá-lo para ir a uma festa da faculdade comigo, para conhecer meus novos amigos e o ambiente em que estudo.
Confesso que pensei um pouco antes de fazer tal convite, mas já que decidimos tentar de novo, é justo ele conhecer essa nova parte da vida minha vida. Só espero que ele não se sinta deslocado ou excluído.
Fui para o campus, tomei um banho e me vesti — uma calça jeans larga, uma blusa preta e meus tênis — nada fora do normal.
Quando cheguei na portaria, mandei mensagem avisando, para que ele me encontrasse.
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Since The First Time
FanfictionEu e Taehyung conseguimos sobreviver aos dois primeiros anos do Ensino Médio. Foi difícil, já que ele adorava me arrastar para as farras quase todos os dias. Mas finalmente, chegamos ao tão esperado terceiro ano. E desde agora acredito fielmente que...
