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Nunca imaginei que acordaria com vontade de correr para aula tão cedo em uma segunda-feira. Mas aqui estou eu, atravessando os corredores da faculdade com a mochila nos ombros e os fones tocando uma playlist que só uso em dias bons. E esse, definitivamente, parece um deles.
Desde que as aulas começaram, eu sinto que algo dentro de mim voltou a respirar — algo que havia adormecido por um tempo depois de tantas dúvidas sobre o futuro. A faculdade é exigente, claro, mas eu gosto disso. Gosto de sentir os músculos doerem depois de uma coreografia puxada, gosto do cheiro de resina do estúdio, gosto do som do piano que às vezes acompanha os ensaios. Aqui, eu sinto que sou eu mesmo.
Na sala de espelhos, o professor já nos esperava com uma música instrumental suave preenchendo o ambiente. É uma aula de dança contemporânea — uma das minhas preferidas. Me posicionei no centro ao lado dos outros colegas e inspirei fundo.
— Vamos começar com uma sequência de transições no chão. — anunciou o professor, com aquele tom que misturava firmeza e inspiração.
Deixei o corpo ceder ao solo, sentindo cada parte se adaptar ao movimento. Braços abertos, peito próximo ao chão, giro leve e ascendente. Deslizei como se meus ossos tivessem memória de cada passo, como se o chão fosse uma extensão de mim.
Durante a pausa, me peguei sorrindo para meu reflexo. Estou suado, com os cabelos grudando na testa, mas meu sorriso é leve. Era como se, por alguns instantes, o mundo inteiro desaparecesse — e só restasse o som da música, o ritmo do corpo e esse espaço sagrado para criação.
— Você está dançando com o coração hoje, Park. — comentou o professor passando por mim.
Eu apenas assenti, meio tímido, mas por dentro senti meu peito inflar. Estou no lugar certo.
No fim da aula, fiquei um pouco mais no estúdio, alongando-me em silêncio enquanto os outros se dispersam. Peguei minha garrafinha de água, dei um gole e deixei meu corpo cair de costas no chão de madeira fria.
Olhei para o teto e deixei minha mente vagar. É aqui, no silêncio pós-dança, que as lembranças vem com mais força.
Meu celular vibrou dentro da mochila.
Mensagem de: Amor.
Amor
| Estava ouvindo aquela música que você me mostrou e lembrei de quando você dançou ela pra mim.
| Estava pensando em você. Tá tudo bem por aí?
Fiquei alguns segundos encarando a tela, com o coração batendo mais rápido sem permissão. Sorri sem querer, mesmo com o peito doendo um pouco. Jungkook está longe, mas sempre acha uma forma de se fazer presente.
A aula hoje foi incrível. Saí flutuando. Você teria rido da forma como quase derrubei um colega com uma pirueta torta. |
Digitei, apaguei e reescrevi. Respirei fundo e mandei algo mais simples.
Foi um bom dia, dancei com o coração. E você? Como está Londres? |
A resposta não demorou.
Amor
| Frio. Cinza. Mas tô me acostumando. Ainda é estranho não te ver todos os dias.
Mordi meus lábios, segurando a vontade de dizer que também sinto falta. Que ainda danço imaginando ele sentado em um canto da sala, observando em silêncio. Que certos passos parecem ter sido feitos para serem vistos por ele.
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Since The First Time
FanfictionEu e Taehyung conseguimos sobreviver aos dois primeiros anos do Ensino Médio. Foi difícil, já que ele adorava me arrastar para as farras quase todos os dias. Mas finalmente, chegamos ao tão esperado terceiro ano. E desde agora acredito fielmente que...
