CAP 19: Ela

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Pov: Josh Beauchamp

A casa parecia respirar junto comigo.
Cada estalar da madeira no silêncio da madrugada soava como um lembrete: ela estava aqui. Me observando. Me estudando.

Era estranho como, em tão pouco tempo, aquela mulher havia entrado na minha cabeça. Não era só pelo que ela fazia — era pelo que ela não fazia. Pela maneira calculada com que deixava as coisas acontecerem, como se estivesse me dando corda para que eu me enforcasse sozinho.

Eu estava sentado no sofá, a luz fraca do abajur desenhando sombras alongadas pelas paredes. O cheiro de café velho ainda pairava no ar desde a noite anterior. Meus dedos tamborilavam contra o braço da poltrona, mas não de ansiedade… era mais um ritmo de espera.

Ela veio.
Devagar.
Pude ouvir o som de passos suaves, quase felinos, descendo o corredor. O ar pareceu mudar com a presença dela.

Any: Está acordado cedo — ela disse, surgindo na porta da sala.

Josh: Ou talvez nunca tenha dormido — respondi, sem desviar o olhar da sombra dela projetada na parede.

Any: Insônia? — ela perguntou, mas havia ironia na voz.

Josh: Chame como quiser. Eu chamo de... expectativa.

Ela se aproximou, cruzando os braços, mas mantendo uma distância segura. Any sempre calculava a distância entre nós como quem mede o alcance de uma faca.

Any: Expectativa de quê, Josh?

Josh: De quando você vai parar de agir como se tivesse todas as respostas.

Ela sorriu de canto. Não era um sorriso bonito. Era o tipo de sorriso que me dizia que ela sabia exatamente como me provocar.

Any: Você acha que não tenho? — ela perguntou.

Josh: Eu acho… — me inclinei para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos — que você se baseia em informações incompletas.

Any: Ah, e você não? — rebateu. — Você age como se entendesse tudo o que está acontecendo, mas a verdade é que só conhece metade do jogo.

Havia algo no tom dela que me fez prestar mais atenção.

Josh: Então me ilumine, Any. Me diga qual é a outra metade.

Ela caminhou até a mesa e puxou uma cadeira. Sentou-se de frente para mim, os olhos fixos nos meus. Por um momento, nenhum de nós disse nada. A tensão estava tão densa que poderia ser cortada.

Any: A outra metade — ela começou, lenta — é que você não é o único que está sendo caçado aqui.

Aquilo me pegou de surpresa.

Josh: Como assim?

Any: Eu não trouxe você para cá só para te manter sob vigilância. Eu te trouxe porque alguém… ou algo… também está me vigiando.

Eu ri, mas não havia humor na risada.

Josh: Então agora você quer me convencer de que somos aliados?

Any: Não — ela disse, firme. — Quero que entenda que o tabuleiro mudou. Você pode continuar me vendo como seu inimigo, mas talvez isso te mate mais rápido do que pensa.

Eu fiquei em silêncio, tentando decifrar se aquilo era um blefe. Any não era o tipo de pessoa que inventava histórias para ganhar tempo. Tudo nela era preciso, cirúrgico. Mas havia algo na maneira como ela evitava piscar enquanto falava que me deixava desconfortável.

Josh: E o que exatamente está te caçando? — perguntei.

Ela desviou o olhar por um segundo. Só um segundo, mas foi o suficiente para eu perceber que não era fácil para ela dizer.

Any: Alguém que sabe demais sobre nós dois.

Aquilo acendeu um alerta na minha cabeça.

Josh: Sobre nós dois…? — repeti.

Any: Sim — ela respondeu. — Sobre o que você fez… e sobre o que eu fiz.

Eu me recostei no sofá, cruzando os braços.

Josh: Interessante. Então, no fundo, você também tem medo de que a verdade apareça.

Any: Não é medo — ela rebateu, encarando-me de novo. — É cálculo. Se essa pessoa expuser tudo, não sobra nada para nenhum de nós.

Silêncio.
A única coisa que se ouvia era o som do vento batendo nas janelas. Eu precisava pensar rápido. Isso mudava tudo. Se havia uma terceira pessoa — ou força — envolvida, então Any e eu estávamos no mesmo barco, pelo menos temporariamente.

Josh: Quem é essa pessoa? — perguntei, mas a resposta veio com um desvio.

Any: Não é alguém que você vá reconhecer pelo rosto. Mas reconhecerá pelo método.

Josh: Método?

Any: Você não recebeu nada… estranho… ultimamente? Mensagens anônimas? Fotos deixadas em lugares onde não deveriam estar?

Aquilo me fez lembrar.
Eu não tinha contado para ela.
Uma semana antes de acabar aqui, encontrei um envelope embaixo da porta do meu apartamento. Sem remetente. Dentro, havia uma única foto minha — tirada da rua, pela janela — com a palavra "Observe" escrita em vermelho.

Meu silêncio deve ter entregado algo, porque ela arqueou a sobrancelha.

Any: Vejo que já foi abordado.

Josh: Isso não prova nada — disse, mas agora minha mente estava fervendo.

Ela se inclinou para frente, apoiando os cotovelos sobre a mesa.

Any: Prova que estamos sendo manipulados, Josh. Talvez desde o início.

Eu queria rir daquilo, mas a verdade é que uma parte de mim acreditava.
E foi aí que ela deu a cartada final.

Any: Josh… e se eu te disser que quem está por trás disso sabe onde ela está?

Meu corpo ficou gelado.
Ela nunca tinha mencionado ela antes. Não por nome, mas eu sabia exatamente de quem falava.

Josh: Como você sabe desse nome? — perguntei, a voz mais baixa do que pretendia.

Any: Porque essa pessoa me enviou algo também. — Ela abriu a gaveta da mesa e jogou um envelope em minha direção. Dentro, havia uma foto minha… e outra dela. A mulher que eu procurava há meses. Vivas, no mesmo quadro, mas em lugares diferentes.

Josh: Isso é impossível… — murmurei.

Any: Não é impossível — Any disse —, é um aviso.

Meu coração batia forte. Aquilo mudava tudo. Não era mais sobre sobreviver à vigilância dela ou tentar escapar dessa casa. Agora, havia alguém que sabia demais, alguém que estava nos conduzindo como peças em um jogo que talvez nenhum dos dois tivesse criado.

Josh: Então… — falei, lentamente — você está me propondo uma aliança.

Any: Temporária — ela corrigiu. — Até encontrarmos quem está mexendo nas nossas vidas.

Eu a encarei por longos segundos.

Josh: E quando encontrarmos?

O sorriso dela foi quase imperceptível.

Any: Aí… veremos de que lado cada um estará.

Foi assim que percebi que, pela primeira vez desde que nos conhecemos, estávamos no mesmo time. Não por escolha, mas por necessidade.
E, de algum modo, isso era ainda mais perigoso do que antes.

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7/10

Quem será ela? Fica a dúvida aí

A BIG KISSES OF SAM AND....BYEEE 😘

Sequestrando Meu Mafioso {BEAUANY}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora