CAP 20: O começo

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Pov: Josh Beauchamp

A primeira coisa que percebi ao abrir os olhos naquela manhã foi o silêncio. Um silêncio pesado, quase sólido, que se infiltrava entre as frestas da madeira envelhecida da casa. Lá fora, as árvores formavam um muro de sombras, balançando levemente sob o vento frio. Eu sempre gostei de silêncio, mas não desse tipo. Esse tinha gosto de clausura… e de perigo.

Eu me levantei devagar, como quem ainda não decidiu se quer enfrentar o dia. O chão de tábuas estalou sob meus pés descalços. Um estalo seco, outro… e mais um. Cada som parecia um anúncio: “Ele está acordado”. E talvez fosse isso mesmo. Nesta casa, cada ruído era um recado para quem estivesse ouvindo.

Any estava na cozinha. Podia vê-la de costas, mexendo em algo sobre o balcão improvisado. O cheiro de café recém-passado tomava o ar. Ela usava uma blusa larga demais, como se quisesse esconder o corpo, ou talvez fosse só frio. Me aproximei devagar, encostando na porta.

Josh: Bom dia — disse, minha voz baixa, mas carregada daquele tom neutro que aprendi a usar para que ninguém saiba o que penso de verdade.

Ela virou só o suficiente para me lançar um olhar rápido.

Any: Bom dia.

O modo como ela respondeu me disse mais do que qualquer frase longa. Ela estava desconfiada, mas também cansada. Cansaço é sempre uma vantagem para alguém como eu. Pessoas cansadas cometem erros.

Peguei uma caneca e servi café sem pedir permissão. Bebi um gole e deixei o calor invadir minha garganta. Depois me sentei à mesa, observando-a enquanto ela se movia.

Josh: Dormiu bem? — perguntei.

Ela deu de ombros.

Any: O suficiente.

O suficiente. Não era uma resposta real, mas eu deixei passar. Em vez disso, deixei o silêncio trabalhar para mim. Silêncio, quando usado direito, é uma arma. Ele obriga a outra pessoa a preencher o espaço com palavras, e palavras são sempre reveladoras.

Josh: Você parece… inquieta — falei, como se fosse uma constatação casual.

Any: E você parece sempre calmo — ela rebateu, virando-se para me encarar de verdade.

Sorri.

Josh: É um hábito útil.

Any: Ou perigoso.

Nesse momento, percebi que a conversa estava tomando o rumo que eu queria. Se ela me via como perigoso, então estaria sempre atenta… mas também fascinada. Esse tipo de tensão é combustível para criar laços ambíguos.

Me levantei, caminhei até a janela. A vista era sempre a mesma: árvores, sombras, isolamento. Mas naquela manhã, percebi algo diferente. Um vulto distante, movendo-se entre as árvores. Por um segundo, pensei que fosse só imaginação, mas o movimento foi real. Eu sabia reconhecer.

Josh: Você viu isso? — perguntei, sem me virar.

Any: O quê? — Ela se aproximou.

Josh: Lá… entre aquelas duas árvores maiores. — Apontei.

Ela olhou por alguns segundos, mas balançou a cabeça.

Any: Não vi nada.

Era a resposta que eu esperava. Se ela não viu, ótimo: eu poderia usar isso depois.

Sentei-me novamente.

Josh: Any… preciso te perguntar algo.

Ela cruzou os braços, defensiva.

Sequestrando Meu Mafioso {BEAUANY}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora