Linha Fina

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1 semana depois

Eu comecei a perceber que a linha entre o que era missão e o que era sentimento tava ficando fina demais.

Karol me mandava áudio rindo, me chamando de "amiga" com uma facilidade que me deixava desconfortável. Não porque eu não gostasse dela... mas porque eu sabia exatamente onde aquilo ia dar.

Naquela tarde, a gente tava sentada no chão da sala dela, cercadas de revista de decoração e amostras de tecido.

Karol: Tu acredita que eu nunca quis esse tipo de vida?

Ela falou do nada, mexendo num pedaço de renda.

Eu fiquei quieta. Aquilo não era conversa de quem só quer falar de casamento.

Karol: Eu achava que ia casar com alguém normal... ter uma vida normal. Mas aí... tu sabe como é, né?

Eu sabia. Sabia até demais.

Lívia: Às vezes a gente não escolhe.

Ela me olhou diferente. Como se tivesse visto um pedaço de mim ali.

Karol: Tu entende mesmo.

Naquele momento, bateu um peso estranho no peito. Porque eu entendia. E talvez, pela primeira vez, não tava só fingindo.

...

Na mesma noite, o clima no morro do Moreno tava diferente.

Tenso.

Os caras andando mais armados, mais atentos. O baile rolando, mas sem aquele clima leve. Era tipo calmaria antes de coisa ruim.

Moreno me puxou pelo braço pra um canto mais escuro.

Moreno: Eles adiantaram.

Meu estômago gelou.

Lívia: Como assim?

Moreno: A informação que tu trouxe... não era pra agora. Mas eles vão fechar a Rua Alta amanhã de madrugada.

Eu travei.

Lívia: Mas... o casamento é daqui a três semanas...

Moreno: Justamente.

Ele chegou mais perto, falando baixo.

Moreno: Eles vão usar o casamento como distração. Enquanto todo mundo tá olhando pra festa... eles tomam o resto.

Eu senti o mundo dar uma leve inclinada.

Porque aquilo mudava tudo.

E pior... colocava a Karol no meio de um fogo cruzado que ela talvez nem entendesse completamente.

Lívia: E o que você vai fazer?

Ele me encarou. Frio. Decidido.

Moreno: Atacar primeiro.

Silêncio.

Lívia: No dia do casamento?

Ele não respondeu na hora. Só tragou o cigarro, soltando a fumaça devagar.

Moreno: É o único momento que eles vão tá expostos.

Meu coração disparou.

Não era mais só estratégia.

Era um massacre anunciado.

E pela primeira vez desde que tudo começou... eu hesitei.

Lívia: E ela?

Ele franziu a testa.

Moreno: Ela quem?

Lívia: A Karol.

Ele soltou um riso seco.

Moreno: Tu tá esquecendo de que lado tu tá?

Aquilo bateu mais forte do que qualquer grito.

Eu não respondi. Mas dentro de mim... alguma coisa já tinha começado a quebrar.

...

Na madrugada, deitada na cama, o celular vibrou.

Mensagem da Karol.

Karol: Amiga, tu acha melhor cabelo preso ou solto?

Fiquei olhando pra tela por um tempo.

Os dedos travados.

Porque agora... não era só sobre vestido, maquiagem ou casamento.

Era sobre vida ou morte.

Respirei fundo... e respondi.

Lívia: Preso. Vai destacar mais teu rosto.

Ela respondeu na hora:

Karol: Sabia que podia contar contigo ❤️

Eu fechei os olhos.

E naquele instante, uma certeza veio, pesada:

Se eu continuasse naquele jogo... alguém ia sair destruída.

E talvez... não fosse quem eu imaginava.

...

No dia seguinte, acordei com uma decisão martelando na cabeça.

Pela primeira vez, eu não sabia se ia seguir o plano do Moreno...

ou criar o meu próprio.

Porque no meio daquela guerra...

eu já não tinha certeza de quem era o verdadeiro inimigo. Ou tinha, Tavares. Mas a Karol fazia parte disso?

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Oii gente, demorei hortes pra postar, mas estava tão desanimada!!! Mas voltei, e tentarei ficar mais ativa nos eps. Beijos!!

Dono do Morro.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora