E novamente estou na estaca zero, novamente sem família. Não totalmente, mas não é a mesma coisa que ter uma mãe para você poder desabafar ou até mesmo falar sobre garotos e um pai para você abraçar quando ele chegar do trabalho ou sair num dia de domingo pra tomar sorvete. A maioria das pessoas a minha volta cresceram assim, menos eu!
Não gosto de pensar nisso como algo ruim e sim que sou especial de mais pra ter alguém tão próximo assim. Eu sei que este é o meu jeito de me proteger dos problemas, mas é assim que ainda não entrei em depressão e nem corto os pulsos. E olha que não falta motivos. Eu podia ser uma menina suicida, que se corta, depressiva, doente mental entre outros, mas não. Escolhi ser melhor!
Me levanto lavo o rosto, ponho meus fones e desço. Tomo meu café e na geladeira tem um recado.
{Ana meu bem, é hoje a inauguração da minha nova ONG. O William vai estar no trabalho e Josh vai pra escola.
Espero que não se importe de ficar sozinha em casa, mas logo poderá ir para a escola novamente.
Um beijo, qualquer coisa me liga.}
Olho no relógio e Josh ainda não foi pra escola porque ele sai às 10:00 a.m e são 8:50.
Lavo a louça que fiz e vou pro quarto dele chama-lo.
Bato na porta uma, duas, três, quatro vezes e ele nada. Começo a entrar devagar, aquele lugar é uma bagunça só! Nem deve ser chamado de quarto de tanta zona.
Ele dorme muito profundamente, porque acabo por tropeçar em sua mochila e quase caio, mas ele nem se mexe.
O quarto esta meio escuro pois as cortinas são de tecido grosso.
Abro a cortina e já o ouço resmungar. Sento na ponta da cama e começo a chacoalha-lo.
- Josh, acorda.
- Não ainda tô com sono.
Ele diz colocando o travesseiro sobre a cabeça.
-Só acordo se tu me chamar assim "Josh docinho, acorda".
- É bem cara de pau você né?
-Não estou escutando...
-"Josh docinho, acorda". Melhor agora?
-Bem melhor ele diz tirando o travesseiro da cabeça e se sentando na cama.
-Bom Dia.
Ele beija minha testa e começa a levantar.
- Bom Dia, vais tomar café?
- Oh sim, já desço. Queres ajuda pra descer?
Não gosto de ficar a pedir ajuda a Josh nem a ninguém.
-Não, não obrigada.
Ele da uma risada e vira-se para a cômoda, e eu começo a sair do quarto, quando ele me vem por trás e pega-me no colo.
- Josh é sério, não precisa me levar.
- E se eu quiser?
Sei que se eu continuar a dialogar sobre isso vou perder então apenas balanço a cabeça negativamente beijo-lhe a bochecha e deito em seu ombro.
Ele desce-me rápido e me coloca no sofá.
- Então tem planos pra hoje?
Ele zomba.
- Ah claro, vou fazer uma tatuagem.
- Você não faria uma tatuagem.
Ele tem razão, eu não faria uma tatuagem antigamente, mas agora a coisa muda de figura.
- Talvez sim, talvez não...
-Vai a sério o que vai ficar fazendo hoje?
-Nada, e você sabe. Talvez assista TV e ficarei esperando até você vir da escola e seus pais chegarem.
- Vou ficar contigo!
Ele está decidido a lutar por isto, percebo em sua voz.
- Tens que ir à aula hoje.
- Não irie simples assim.
-E seus pais?
-Eu explico!
- E as lições?
- Pego com Matthew depois.
- E...
-Chega de mas! Eu fico e pronto.
- Tá desisto, você ganhou!
Ele liga a TV, pega algo pra comer e se senta ao meu lado.
-Que tal algum filme para hoje?
-Okay, pode escolher.
- Zumbis!!
- Ok, ok zumbis. Tenho direito a pipoca?
Digo rindo.
- Claro, eu faço.
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Believe | Original
AcakJoana é uma menina de 15 anos, tem uma vida e uma família complicada. Seus pais são divorciados, e por isso seu pai descontava tudo na bebida. Uma discussão e uma divida acabaram com a única pessoa que ela tinha pra chamar de "família". Ela agora...
