Kelly Blackburn Jaha passou toda a adolescência isolada, como uma intrusa em uma estação espacial, obrigada a desaparecer do mundo apenas para sobreviver. Seu sobrenome era um erro, um peso que a condenava a não existir, invisível até para aqueles q...
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❝O inferno está vazio, todos os demônios estão aqui.❞ - William Shakespeare
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Nos encontrávamos completamente desamparados e sem saídas. Já não sabia dizer se meu corpo funcionava corretamente; cada movimento parecia apenas uma resposta involuntária a um comando antigo demais para ser questionado. Eu respirava, mas não conseguia sentir o ar preenchendo meus pulmões. Caminhava, mas o atrito do solo sob meus pés era inexistente, como se eu flutuasse alguns centímetros acima da realidade.
É assim que o corpo reage quando o coração desacelera depois de um pico de adrenalina. Quando o sangue começa a esfriar. Quando a mente, enfim, se permite assimilar o que acabou de acontecer.
Eu já havia sobrevivido a traumas piores — e nem de longe sentia empatia por mim mesma. Ainda assim, as digitais daquele homem haviam deixado uma mancha dolorosa na minha pele. Uma marca suja e grotesca que, a partir daquele momento, sempre serviria como lembrete da minha irrefutável impotência. Meus dedos ainda formigavam, como se não me pertencessem. A sensação de sujeira persistia, impregnada, mesmo sabendo que aquele sangue não era meu.
Lincoln e meu tio Paul não ficariam nada contentes com meu desempenho. Fui esperta, usei as armas disponíveis e sobrevivi; mas fui imobilizada com facilidade. Eles teriam vergonha de mim — Raiva, talvez, por terem desperdiçado tempo ensinando técnicas a alguém de mente vazia, incapaz de se manter no controle quando realmente importava.
Se eu mal conseguia suportar minhas próprias turbulências mentais, quem diria uma derrota física?
Eu saí suja de sangue. E mesmo que não fosse o meu, minha pele continuava pegajosa — marcada por lembranças nojentas, lembretes constantes da minha falha.
Isso nunca mais iria se repetir.
— Aqui não tem saída. Vamos precisar retornar e nos encontrar com os outros. É inútil continuar rodeando esse lugar agora que começamos a pisar em ovos. Vamos voltar e fazer um novo plano.