Kelly Blackburn Jaha passou toda a adolescência isolada, como uma intrusa em uma estação espacial, obrigada a desaparecer do mundo apenas para sobreviver. Seu sobrenome era um erro, um peso que a condenava a não existir, invisível até para aqueles q...
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❝Quem você era antes do mundo dizer quem você deveria ser?❞
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Hoje era só mais um dia na Arca. A diferença era cruelmente simples: faltavam quatro meses para eu completar dezoito anos. Quatro meses para deixar de existir oficialmente. Para dizer adeus a esse mundo que nunca me permitiu ser parte dele. Eu estava presa havia tempo demais. Não havia tarefas, não havia propósito. Apenas espera. Então eu lutava. Repetia golpes contra o nada, contra paredes que nunca cederiam. Não sabia o nome da luta — só sabia que meu corpo precisava se mover para que minha mente não me engolisse por inteiro. Quando não estava lutando, eu afundava. Pensar demais era perigoso. Sentir demais, fatal. Meu tio Paul tinha sido guarda. Foi ele quem me ensinou a me defender, quem insistiu que eu aprendesse a reagir antes mesmo de aprender a viver. Também foi ele quem, por muito tempo, me manteve segura. Invisível. Protegida. Não o vejo desde o dia em que fui descoberta.
E essa pergunta nunca me abandonou: como descobriram?
Minha mãe morreu para me proteger. Meu tio faria o mesmo. Jasper jamais teria coragem de me entregar — eu confiava nele mais do que em mim mesma. Ele não tinha motivos para me destruir. Então só restava um nome. Wells Jaha. Ele acreditava que contar ao chanceler era o certo. Não por crueldade, mas por fé cega nas regras.
Boas intenções não salvaram minha mãe. Boas intenções me colocaram aqui.
Nunca mais quis olhar para ele. Porque foi ele quem transformou minha vida em ruínas. Minhas mãos estavam feridas, como sempre. Inchadas, marcadas. Eu as observava com indiferença. Socava as paredes todos os dias. A dor física era pequena demais perto do que carregava dentro. Ainda assim, ela me ancorava.
Me lembrava que eu ainda estava aqui. Naquele momento, eu estava deitada, encarando o teto. Depois de tempo demais presa, a mente começa a apagar. Quando não lutava, eu apenas existia. Às vezes vinham crises — rápidas, intensas — mas eu já aprendera a sobreviver a elas em silêncio. Até que a porta se abriu.O som metálico ecoou antes mesmo que eu pudesse reagir. Um guarda me segurou por trás. Outro se aproximou com algo preso ao pulso.Meu corpo reagiu antes da mente.