Kelly Blackburn Jaha passou toda a adolescência isolada, como uma intrusa em uma estação espacial, obrigada a desaparecer do mundo apenas para sobreviver. Seu sobrenome era um erro, um peso que a condenava a não existir, invisível até para aqueles q...
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❝Algumas pessoas só vão embora. E nos deixam sem que a gente saiba exatamente o motivo. Algumas pessoas só deixam de estar apaixonadas pela gente. Ou a gente segue em frente, ou a gente segue em frente. Não tem opção além de seguir em frente. Não dá pra ficar parado esperando uma pessoa notar que "era você esse tempo todo". Porque a vida real é real. A gente não tá dentro de um livro de romance.❞
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A porta não resistiu ao terceiro impacto.
O metal cedeu com um gemido prolongado, quase humano, antes de ser arrancado de vez. Os guardas invadiram o espaço como uma maré armada e agitada — botas pesadas, gritos sobrepostos, armas erguidas. O alarme já não era um som externo; vibrava dentro do meu crânio, marcando o ritmo do caos, como um coração mecânico prestes a falhar.
A presença da névoa ácida tão próxima tornava o ar denso. Respirar exigia um esforço consciente. Cada inspiração queimava a garganta, avisando — lenta e cruelmente — que aquele lugar não fora feito para preservar vidas. O gosto metálico se espalhava pela língua, descendo pela garganta, impregnando tudo.
Bellamy não pensou por muito tempo. Ele agiu.
Vi quando arrancou o maçarico a gás do suporte. A chama azul refletiu nos tanques metálicos marcados com símbolos de risco, avisos gritantes que ninguém ali tinha o luxo de respeitar. O calor distorceu o ar por um instante, como se o próprio ambiente recuasse diante da decisão tomada.
Ele não me olhou quando decidiu o que fazer. Não pediu permissão — não hesitou.
— Corre.
Foi tudo o que me disse.
Meu corpo respondeu antes da mente. As pernas se moveram por puro instinto, tropeçando no próprio desespero, enquanto o coração batia com tanta força que doía. Disparei em direção aos túneis sentindo o chão vibrar sob meus pés — não pelo impacto ainda, mas pela promessa dele. Pela certeza iminente de que algo ficaria para trás.