Kelly Blackburn Jaha passou toda a adolescência isolada, como uma intrusa em uma estação espacial, obrigada a desaparecer do mundo apenas para sobreviver. Seu sobrenome era um erro, um peso que a condenava a não existir, invisível até para aqueles q...
"Esperança e a única coisa mais forte que o medo. Um pouco de esperança e eficaz, muita esperança e perigoso.
Faíscas são boas enquanto são contidas.
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Nós chegamos e fomos direto para a nave. Cada passo parecia mais pesado que o anterior. Meus músculos doíam, meu corpo inteiro pedia descanso, mas minha mente estava presa em uma única imagem: Jasper desacordado, pálido demais, silencioso demais. Eu só continuava andando porque precisava vê-lo respirar de novo.
Monty apareceu correndo em nossa direção, o desespero estampado no rosto.
— Ele tá bem? — perguntou, a voz trêmula, como se tivesse medo da resposta.
Olhei para Jasper antes de responder. O peito dele subia e descia, fraco, irregular... mas subia. Engoli em seco.
— Ele tá vivo — disse, sentindo um alívio doloroso atravessar meu corpo — Eu te disse que ia trazer ele de volta.
Mal terminei de falar e Monty me puxou para um abraço apertado. Forte demais. Necessário demais.
— Obrigada — ele murmurou, se afastando logo depois, como se tivesse vergonha de demonstrar tanto.
— Disponha, Green — respondi, tentando sorrir.
Clarke já assumia o controle, como sempre.
— Eu quero água fervida e tiras de roupa pra ataduras.
— Ok, vou pegar as roupas — falei de imediato.
— E eu a água — Monty completou.
Saímos quase correndo. Quando voltei com as roupas, avistei Bellamy perto da fogueira, assando carne. Parei por um segundo. Se não fosse ele, talvez nenhum de nós tivesse voltado.
— Ei, Bellamy... obrigada — Ele me olhou confuso.
— Pelo o quê?
— Por ajudar a salvar o Jasper. Sei que você não tava afim de ir — fui sincera. Ele deu um meio sorriso torto.
— Não tem de quê, princesa.
— Idiota — respondi rindo, ou o mais próximo que conseguia chegar de uma risada antes de seguir para a nave.
Lá dentro, Monty já estava esperando.
— Até que enfim, vamos.
Entregamos tudo para Clarke. Eu me aproximei de Jasper e segurei sua mão. Estava fria. Apertei com cuidado, como se assim pudesse mantê-lo aqui.
Vivo. Comigo.
O medo de perdê-lo apertou meu peito com força. Eu não sabia quando exatamente Jasper tinha deixado de ser "só um amigo", mas agora a ideia de um mundo sem ele doía mais do que qualquer ferimento meu. Clarke percebeu meu estado.