Seven~Blood

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"todo mundo morre, mais nem todo mundo vive"

Desci devagar, cada passo pesado demais, como se o ar tivesse virado concreto

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Desci devagar, cada passo pesado demais, como se o ar tivesse virado concreto.
E então eu vi.

Wells.
No chão.
Imóvel.

O sangue espalhado ao redor dele era escuro demais, real demais. Meu coração começou a bater tão forte que doeu.
Doeu de verdade.
Meus ouvidos zuniram, minhas mãos tremeram, e por um segundo eu achei que fosse desmaiar.

Não.
Não agora.

Aproximei-me devagar, como se ele pudesse desaparecer se eu chegasse rápido demais.

— Não... — sussurrei, a palavra saindo quebrada — Não, não, não...

Me ajoelhei ao lado dele. O cheiro metálico do sangue me atingiu em cheio. Meu estômago revirou, minha visão embaçou. Então ele se mexeu.
Muito pouco. Quase nada.

— Kelly... — a voz dele saiu fraca, falhada, quase um sopro. Meu mundo rachou inteiro naquele instante.

— Wells — falei, desesperada, me inclinando sobre ele. Minhas mãos pairaram no ar, sem coragem de tocá-lo — Ei... ei, olha pra mim. Fica comigo, tá ouvindo? Fica comigo.

Meus dedos finalmente tocaram seu braço. Estava frio. Não gelado — ainda não — mas frio o suficiente para me apavorar.

— Eu... eu vim te procurar — minha voz tremia tanto que mal se sustentava. — Eu ia falar com você hoje. Eu... eu ia pedir desculpa.

Ele tentou sorrir. Tentou.
Isso foi pior do que vê-lo sangrar.

— Você sempre... fala demais — murmurou, a respiração irregular.

Um soluço escapou de mim antes que eu pudesse segurar.

— Cala a boca — falei entre lágrimas, inclinando a testa até encostar na dele — Não fala. Guarda forças. Por favor.

Minhas mãos tremiam enquanto eu pressionava o ferimento, mesmo sabendo que talvez não adiantasse. O sangue continuava escorrendo, quente, escorrendo pelos meus dedos, marcando minha pele como uma culpa que eu não poderia lavar depois.

— Eu fui horrível com você — continuei, as palavras saindo em desespero — Eu sei. Eu sei que fui. Mas eu nunca deixei de te amar. Nunca. Você é meu irmão, Wells. Você sempre vai ser.

Ele engoliu em seco, os olhos brilhando, presos nos meus.

— Eu só... queria te proteger...Aquilo me destruiu — era a primeira vez que falamos sobre esse assunto... e também seria a última.

— Eu sei — chorei — Eu sei. E eu te odeio por isso às vezes... mas agora eu só... eu só preciso que você fique. Por favor.

Minhas lágrimas caíam no rosto dele, misturando-se ao sangue. Não me importei. Não consegui me importar com mais nada.

Darkness  | Jasper JordanOnde histórias criam vida. Descubra agora