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Aemond odiava Jacaerys.

Odiava seus cabelos castanhos , uma cor comum demais, humana demais para o herdeiro do Trono de Ferro. Odiava o sarcasmo constante, o senso de dever quase fanático, a mente instável e a natureza indomável que parecia sempre à beira do colapso. Odiava sua forma de amar, sua forma de sentir, sua forma de existir.

Ele odiava tudo nele.

Cada pensamento sobre o sobrinho era veneno correndo em suas veias.

Aemond caminhava com passos pesados pelos corredores de pedra de Jardim de Cima, o som de suas botas ecoando como marteladas contra o silêncio tenso do castelo. As tochas nas paredes tremulavam, projetando sombras longas que pareciam se mover como espectros, acompanhando-o até o Salão Principal.

No centro do salão, em seu trono, estava Garlan.Seu marido mantinha o rosto rígido, a mandíbula travada, os dedos cerrados nos braços do assento enquanto os lordes discutiam táticas, rotas de guerra

Todo o vestígio de felicidade que um dia marcara aquela casa havia sido arrancado.

Todo o paraíso que existira ali foi levado junto com Alicent.

Levada por Jacaerys.

No mesmo dia em que sua filha foi sequestrada, Garlan reunira os vassalos, enviara os filhos mais novos para Vila Velha, sob a proteção dos Hightower, e pedira apoio imediato aos irmãos.

Nada fora feito por impulso. Tudo fora feito por desespero.

Agora, três dias depois, Aemond estava enlouquecendo.Garlan enviara um mensageiro a Porto Real.
A mensagem fora clara, direta, irrecusável:

Devolva Lady Alicent ou lide com as consequências.

A resposta não veio.Mas o ódio veio.

A maioria dos vassalos declarara apoio absoluto à Casa Tyrell. A Campina inteira clamava pela volta de sua senhora. As bandeiras já estavam sendo preparadas. Os estandartes começavam a ser retirados dos cofres. Os sussurros se espalhavam como fogo em palha seca.

Rebelião.
Guerra.

As casas Baratheon, Stark e Martell já estavam ao lado deles, unidas pelos casamentos dos irmãos de Aemond. E ele tinha absoluta certeza de que poderia contar também com os Lannister.

O reino estava se partindo.
Quando Aemond entrou no salão, sua presença foi sentida de imediato. Conversas cessaram. Lordes se viraram. Alguns inclinaram a cabeça em respeito. Outros em puro temor.
Ele se posicionou ao lado de Garlan.
O marido o olhou com receio.
Garlan estava com medo.

Medo por Alicent.
Medo de ela estar ferida.
Medo de ela estar assustada.
Medo de ela estar sozinha.

Aemond, porém, conhecia Jacaerys.
Sabia que ele não machucaria Alicent.
Na mente distorcida do príncipe herdeiro, aquilo não era um sequestro,era uma fantasia. Uma tentativa doentia de construir uma família perfeita à força. De ganhar o amor da menina. De moldá-la à sua loucura.

O verdadeiro perigo não estava no ódio de Jace.

Estava no amor.

Porque Jacaerys sentia demais. Intensamente demais. Descontroladamente demais.
E quando ele explodia, era sempre catastrófico.

Aemond não sabia até quando aquele “amor” duraria.

Até quando a paciência dele resistiria.
Até quando Alicent estaria segura.
O que você vai fazer?
Vai escondê-la do mundo para viver sua fantasia doentia?
Vai revelar ao reino que ela é sua filha?
Vai jogar sobre ela o peso da bastardia, da vergonha, do escândalo?

𝐆𝐫𝐨𝐰𝐢𝐧𝐠 𝐒𝐭𝐫𝐨𝐧𝐠Onde histórias criam vida. Descubra agora