Cap 29: Portões Abertos

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As sirenes cresceram rápido demais. 


Azul e vermelho rasgavam a noite, refletindo no sangue seco, nas duas marcas cravadas no peito da vítima. Hailee ainda segurava a arma. Não como policial. Como alguém tentando não afundar.


—  Abaixa isso - murmurou Lena, sem se virar.

Hailee não obedeceu.

—  Você disse que não era mais seu jogo. — Hailee sussurrou. — Então de quem é?

Lena finalmente se virou. Os olhos dela não tinham pressa. Nem medo. Eram fundos demais para alguém encurralada. 

— De quem entendeu a mensagem antes de você. — respondeu.

Hailee sentiu o estômago revirar.

— Você não está falando de um copycat. — Isso é...coordenação.— 

 — Não.— Lena corrigiu. — É sucessão.—

Os peritos começaram a cercar a área. Vozes surgiram. Ordens. O mundo voltava ao normal rápido demais para algo que tinha acabado de ruir dentro de Hailee.

— Quantos? - Hailee perguntou, quase sem voz.

— O suficiente.— Lena respondeu.

— O suficiente pra quê?!— 

Lena se aproximou, parando a menos de um metro. Baixo o bastante para ninguém ouvir.

— Para quando você se decidir... o jogo não precisar mais de mim.

As palavras atingiram Hailee como um tiro silencioso.

— Você me usou.

— Não — Lena disse, firme. — Eu confiei em você.

Hailee riu, um som quebrado.

— Você me colocou no centro de um massacre.

— Eu te coloquei diante da verdade.

O vento soprou mais forte. A fita policial tremulou.

— Eles não estavam sofrendo — Hailee disse, lembrando do corpo. — Não havia luta. Não havia medo.
— Porque entenderam — Lena respondeu. — O medo acaba quando você acredita que está fazendo a coisa certa.

Hailee fechou os olhos por um segundo.

— Isabelle... — o nome escapou. — Ela sabe, não sabe?

Silêncio demais.

— Ela escolheu — Lena disse por fim. — Antes mesmo de você.

Hailee abriu os olhos, arregalados.

— Você deixou ela entrar nisso?!

— Eu abri o portão — Lena repetiu. — Quem atravessou... foi ela.

Um oficial chamou Hailee à distância.

— Detetive!

Hailee não se mexeu.

— Se eu te prender agora — disse, a voz baixa, desesperada — eu salvo alguém?

Lena inclinou a cabeça, quase com ternura.

— Não.

— Então por que ainda está aqui?

Lena chegou mais perto. Tão perto que Hailee sentiu o calor dela no frio da madrugada.

— Porque você ainda não escolheu.

Os olhos delas se prenderam.

Passado. Presente. Sangue. Silêncio.

— O cordeiro escolheu o lobo — Hailee murmurou. — Mas e se o cordeiro puxar o gatilho?

Lena sorriu de leve.

— Então o mundo vai te chamar de caçadora... e esquecer quem te ensinou a caçar.

Hailee baixou a arma.

Não por confiança.

Mas porque percebeu algo muito pior do que culpa.

Ela não queria que aquilo acabasse.

Lena se afastou, mãos visíveis, expressão neutra.

— Isso não termina hoje — disse. — Nem comigo presa.

Ela passou pela fita policial sem ser impedida.

Hailee ficou parada.

Com a arma na mão.

E a escolha no peito.

Porque agora ela sabia:

Não estava mais investigando um assassino.

Estava decidindo quem se tornaria.

Criminal | Hailee Steinfeld // youHistórias para pegar e não largar. Descubra agora