As sirenes cresceram rápido demais.
Azul e vermelho rasgavam a noite, refletindo no sangue seco, nas duas marcas cravadas no peito da vítima. Hailee ainda segurava a arma. Não como policial. Como alguém tentando não afundar.
— Abaixa isso - murmurou Lena, sem se virar.
Hailee não obedeceu.
— Você disse que não era mais seu jogo. — Hailee sussurrou. — Então de quem é?
Lena finalmente se virou. Os olhos dela não tinham pressa. Nem medo. Eram fundos demais para alguém encurralada.
— De quem entendeu a mensagem antes de você. — respondeu.
Hailee sentiu o estômago revirar.
— Você não está falando de um copycat. — Isso é...coordenação.—
— Não.— Lena corrigiu. — É sucessão.—
Os peritos começaram a cercar a área. Vozes surgiram. Ordens. O mundo voltava ao normal rápido demais para algo que tinha acabado de ruir dentro de Hailee.
— Quantos? - Hailee perguntou, quase sem voz.
— O suficiente.— Lena respondeu.
— O suficiente pra quê?!—
Lena se aproximou, parando a menos de um metro. Baixo o bastante para ninguém ouvir.
— Para quando você se decidir... o jogo não precisar mais de mim.
As palavras atingiram Hailee como um tiro silencioso.
— Você me usou.
— Não — Lena disse, firme. — Eu confiei em você.
Hailee riu, um som quebrado.
— Você me colocou no centro de um massacre.
— Eu te coloquei diante da verdade.
O vento soprou mais forte. A fita policial tremulou.
— Eles não estavam sofrendo — Hailee disse, lembrando do corpo. — Não havia luta. Não havia medo.
— Porque entenderam — Lena respondeu. — O medo acaba quando você acredita que está fazendo a coisa certa.
Hailee fechou os olhos por um segundo.
— Isabelle... — o nome escapou. — Ela sabe, não sabe?
Silêncio demais.
— Ela escolheu — Lena disse por fim. — Antes mesmo de você.
Hailee abriu os olhos, arregalados.
— Você deixou ela entrar nisso?!
— Eu abri o portão — Lena repetiu. — Quem atravessou... foi ela.
Um oficial chamou Hailee à distância.
— Detetive!
Hailee não se mexeu.
— Se eu te prender agora — disse, a voz baixa, desesperada — eu salvo alguém?
Lena inclinou a cabeça, quase com ternura.
— Não.
— Então por que ainda está aqui?
Lena chegou mais perto. Tão perto que Hailee sentiu o calor dela no frio da madrugada.
— Porque você ainda não escolheu.
Os olhos delas se prenderam.
Passado. Presente. Sangue. Silêncio.
— O cordeiro escolheu o lobo — Hailee murmurou. — Mas e se o cordeiro puxar o gatilho?
Lena sorriu de leve.
— Então o mundo vai te chamar de caçadora... e esquecer quem te ensinou a caçar.
Hailee baixou a arma.
Não por confiança.
Mas porque percebeu algo muito pior do que culpa.
Ela não queria que aquilo acabasse.
Lena se afastou, mãos visíveis, expressão neutra.
— Isso não termina hoje — disse. — Nem comigo presa.
Ela passou pela fita policial sem ser impedida.
Hailee ficou parada.
Com a arma na mão.
E a escolha no peito.
Porque agora ela sabia:
Não estava mais investigando um assassino.
Estava decidindo quem se tornaria.
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Criminal | Hailee Steinfeld // you
FanfictionNa cidade de Nova York, a detetive Hailee Steinfeld é conhecida por sua habilidade excepcional em desvendar os casos mais complexos. Sua vida profissional toma um rumo inesperado quando ela é designada para investigar uma série de crimes brutais que...
