Cap 12: Entre a Verdade e a Mentira

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O relógio na parede marcava 23h47. O departamento de polícia estava silencioso, com apenas algumas mesas ainda ocupadas por detetives que preferiam a solidão da madrugada para trabalhar. Lena Carter estava sentada em frente ao computador, revisando relatórios sobre os assassinatos recentes.

Hailee surgiu ao lado dela com dois copos de café.

— Achei que ia precisar de reforço — disse, entregando um para Lena.

Ela aceitou com um pequeno sorriso, escondendo a ironia da situação. Estava investigando a si mesma, e Hailee, sem saber, estava ali para ajudá-la.

— Obrigada — respondeu, levando o café aos lábios. — Descobriu algo novo?

Hailee puxou uma cadeira e deslizou uma pilha de papéis para frente.

— O legista encontrou algo estranho na última vítima. Um pequeno símbolo esculpido na pele, perto da costela. Algo discreto, mas não acidental.

Lena manteve a expressão neutra. Ela se lembrava do momento exato em que fez aquela marca—uma assinatura silenciosa, oculta o bastante para passar despercebida por olhos desatentos, mas visível para quem soubesse onde procurar.

— Um símbolo? — fingiu surpresa.

— Sim, e eu já vi antes. — Hailee pegou um arquivo e o abriu na página marcada. — Em outra vítima, há dois meses. Olha isso.

Lena olhou o documento e viu uma foto em preto e branco da pele cortada. O símbolo estava lá. Pequeno. Preciso.

Hailee respirou fundo.

— Acho que nosso assassino quer ser reconhecido.

Lena segurou o copo de café com mais força.

— Se for verdade, significa que ele pode estar querendo ser pego. Ou testando se somos espertos o suficiente para pegá-lo.

Hailee riu de leve, sem perceber o duplo sentido.

— Bom, então ele subestimou a gente.

As Sombras Entre Elas

Algumas horas depois, já na saída do prédio, Hailee e Lena caminhavam juntas até o estacionamento. O vento noturno era frio, e as ruas estavam quase desertas.

— Você sempre trabalha até tarde assim? — Lena perguntou, mantendo o tom casual.

— Só quando algo me intriga. E você?

Lena deu de ombros.

— O mesmo.

Elas pararam ao lado do carro de Hailee.

— Quer carona? — Hailee ofereceu.

Lena hesitou. Estar tão próxima dela era um jogo perigoso. Mas também era um jogo que ela não queria parar de jogar.

— Claro.

O trajeto foi silencioso no começo, apenas o som suave da música baixa no rádio preenchendo o espaço entre elas.

— Esse caso… — Hailee quebrou o silêncio. — Às vezes eu sinto que estou perseguindo um fantasma. Um assassino que está sempre um passo à frente.

Lena observou a expressão dela, o brilho determinado nos olhos.

— Talvez porque ele conheça bem quem está caçando ele — disse, deixando a frase no ar.

Hailee franziu a testa.

— Como assim?

Lena sorriu de leve.

— Digo, talvez ele entenda a polícia. Saiba como pensamos.

Hailee assentiu lentamente.

— Sim… faz sentido. Isso só torna tudo mais desafiador.

O carro parou em frente ao prédio de Lena. Antes que ela saísse, Hailee segurou seu pulso levemente.

— Você é boa nisso, Lena. Trabalhar com você… é diferente. Parece que a gente se entende, de algum jeito.

Lena sentiu o calor do toque dela. Por um segundo, a máscara que usava pareceu pesar mais.

— Eu sinto o mesmo — respondeu, sua voz mais baixa do que pretendia.

Os olhos de Hailee escanearam os dela por um momento a mais. Então, como se percebesse o que estava fazendo, soltou o pulso e sorriu de leve.

— Boa noite, Lena.

Lena saiu do carro e observou Hailee ir embora.

Ela sabia que estava se aproximando demais. Que isso era um erro.

Mas, no fundo, parte dela não queria parar.

Criminal | Hailee Steinfeld // youHistórias para pegar e não largar. Descubra agora