Cap 5: The Mark of the Predator

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O telefone tocou antes mesmo de o relógio marcar oito da manhã. Eu atendi com um suspiro cansado.

— Steinfeld.

— Mais um corpo — a voz de Peter soou do outro lado da linha. — Você e Carter podem vir agora?

Meu olhar foi direto para Lena, que estava sentada à minha frente, folheando arquivos antigos sobre S/N. Ela ergueu os olhos ao perceber minha expressão e fechou a pasta devagar.

— O que foi? — perguntou, como se já soubesse a resposta.

— Temos outro assassinato. Vamos.

Em poucos minutos, estávamos na cena do crime, uma rua escura e estreita nos arredores do distrito industrial. A chuva fina tornava o asfalto brilhante sob as luzes piscantes das viaturas. O cheiro metálico de sangue se misturava ao ar úmido.

O corpo estava encostado contra uma parede pichada, os olhos arregalados de terror. Era um homem de meia-idade, vestindo um terno amarrotado. Sua garganta estava aberta, o corte limpo e preciso. No peito, a assinatura de S/N: um símbolo esculpido com precisão quase cirúrgica.

Lena se ajoelhou ao lado do cadáver, observando os detalhes com um olhar afiado.

— O nome dele é Darren Cole — informou Peter, folheando uma caderneta. — Advogado de alto nível. Representou algumas empresas farmacêuticas envolvidas em processos judiciais pesados nos últimos anos.

Meus olhos encontraram os de Lena por um instante. Um advogado ligado ao caso de Richard Harmon. Isso não era coincidência.

— A mensagem? — perguntei.

Peter apontou para um pedaço de papel preso à mão do morto. Peguei com cuidado e li em voz alta:

"Aqueles que defendem monstros tornam-se parte deles."

Um calafrio percorreu minha espinha. Não era apenas um assassinato. Era um manifesto.

— Ela está seguindo um padrão — murmurei, olhando para Lena.

Ela assentiu, ainda estudando o corpo.

— Está atacando aqueles que lucram com a dor alheia. Harmon fabricava os venenos. Cole os defendia nos tribunais.

Ela falava com uma frieza analítica, sem qualquer traço de emoção. Era como se estivesse decifrando um código.

— Mas por que agora? — Peter questionou. — O que fez S/N começar essa matança de repente?

Essa era a pergunta que ainda não conseguíamos responder.

Os legistas começaram a preparar o transporte do corpo, e eu me virei para Lena.

— Precisamos ir até o escritório de Cole. Pode haver algo lá que nos leve ao próximo alvo dela.

Ela sorriu de leve, como se estivesse esperando essa sugestão.

— Vamos.

Escritório de Darren Cole, New York

O prédio onde Darren Cole trabalhava ficava em um arranha-céu no centro da cidade. Passamos pela recepcionista, que ainda parecia em choque com a notícia da morte de seu chefe, e subimos para o escritório particular dele.

O lugar era impecavelmente organizado. Uma mesa de mogno polida, prateleiras cheias de livros jurídicos, e um computador de última geração. Mas havia algo que me incomodava: a perfeição do ambiente.

— Isso está limpo demais — comentei, cruzando os braços. — Um advogado desse nível tem segredos. E segredos não ficam à vista.

Lena percorreu os dedos pela borda da mesa, depois abaixou-se, inspecionando o rodapé da estante.

— Aqui.

Ela pressionou um ponto específico e um compartimento secreto se abriu. Dentro, havia uma pilha de documentos e um tablet bloqueado por senha. Peguei um dos papéis e senti meu estômago revirar ao ler o conteúdo.

— Meu Deus…

Eram relatórios sobre um acordo extrajudicial entre a empresa de Harmon e dezenas de vítimas de um medicamento experimental. O remédio havia causado efeitos colaterais devastadores, mas, graças a Cole, a empresa evitou qualquer grande escândalo público.

— Eles compraram o silêncio dessas pessoas — murmurei.

Lena pegou outro documento.

— E alguns nomes aqui… parecem ser de pacientes que desapareceram.

Me virei para ela, surpresa.

— Você acha que eles fizeram algo pior do que apenas pagar para esconder a verdade?

— Acho que S/N acredita que sim — ela respondeu, com um brilho estranho no olhar.

Eu respirei fundo. A verdade era feia, cruel. Mas se S/N sabia disso… então ela não ia parar.

Um Novo Alvo

De volta ao departamento, passamos horas cruzando informações. O tablet de Cole finalmente foi destravado pelos peritos, e o que encontramos lá foi ainda pior do que os documentos físicos.

Havia e-mails entre Cole e executivos da empresa farmacêutica discutindo a possibilidade de “minimizar riscos” para que a mídia não descobrisse detalhes dos testes ilegais.

Mas o que mais me chamou atenção foi um nome que apareceu repetidas vezes nas mensagens: David Langley.

— Quem é esse? — perguntei, apontando para a tela.

Peter digitou rapidamente no sistema da polícia e os resultados apareceram.

— David Langley… CEO da BioCore Pharmaceuticals. A empresa que desenvolveu os medicamentos que Harmon vendia e Cole protegia nos tribunais.

Lena ficou em silêncio por um momento, como se estivesse processando a informação.

— Se S/N está seguindo esse padrão, Langley pode ser o próximo.

A ideia me atingiu como um soco.

— Precisamos encontrá-lo antes dela.

Peter já estava pegando o telefone para entrar em contato com a segurança pessoal de Langley.

Mas Lena permaneceu parada, os olhos fixos na tela do computador.

— Algo errado? — perguntei.

Ela me olhou, e pela primeira vez desde que a conheci, vi um lampejo de algo mais profundo ali.

— Só estou pensando… se realmente conseguimos impedir S/N ou se estamos apenas correndo atrás das consequências do que já está decidido.

Não entendi bem o que ela quis dizer, mas não tive tempo de perguntar.

A caça a S/N continuava.

E, sem saber, eu estava investigando o caso ao lado da própria predadora.

Criminal | Hailee Steinfeld // youHistórias para pegar e não largar. Descubra agora