Cap 10: Blood

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Os dias que se seguiram foram um tormento.

Lena desapareceu da delegacia sem explicações, deixando Hailee inquieta. Mas o que a irritava ainda mais era a forma como Niall aproveitava essa ausência.

— Você tá mais tensa do que o normal — ele comentou, recostando-se na mesa dela com um sorriso.

Hailee revirou os olhos.

— Tô ocupada, Niall.

— Ah, qual é. Vamos sair daqui, tomar um drink, conversar.

— Eu já disse que não.

— Mas cê nunca disse por quê — ele insistiu.

Hailee se levantou, encarando-o.

— Porque eu não quero. Porque eu não sinto nada por você desse jeito.

O sorriso dele vacilou por um segundo.

— E sente por alguém?

Hailee abriu a boca para negar. Mas então pensou em Lena. No jeito que seu coração disparava quando ela estava perto. Na raiva absurda que sentia quando Lena se afastava. No frio no estômago quando seus olhos se encontravam.

Droga.

— Isso não importa — murmurou.

— Ah, importa sim. E eu acho que sei por que você tá desse jeito ultimamente. É por causa dela, não é?

Hailee fechou a expressão.

— Cuidado com o que você tá insinuando, Niall.

— Não tô insinuando nada. Só tô dizendo que, se for ela… você tá ferrada.

Hailee sentiu um aperto no peito. Porque, no fundo, sabia que ele tinha razão.

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Naquela noite, Lena apareceu.

Ela estava encostada no carro de Hailee, esperando. Seu rosto estava sombrio, cansado.

— Você sumiu — Hailee disse ao se aproximar.

— Eu precisava de um tempo.

Hailee soltou uma risada sem humor.

— Sempre precisa, né?

Lena ficou em silêncio.

— Eu não vou mais fugir disso — Hailee disse, cruzando os braços. — Eu gosto de você, Lena. De um jeito que eu não sei lidar direito. Mas você me deixa maluco com esse seu jeito. Eu sei que você sente alguma coisa. Só quero que me diga.

Lena desviou o olhar.

— Você não deveria sentir nada por mim, Hailee.

— E você acha que isso é algo que eu escolhi?

Silêncio.

Hailee sentiu um nó na garganta.

— Por que você tá sempre fugindo de mim?

Lena respirou fundo, e quando falou, sua voz era baixa, quase fria.

— Porque eu não posso te dar o que você quer.

E então, antes que Hailee pudesse responder, Lena virou-se e desapareceu na noite.

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As mortes começaram na mesma semana.

Três corpos. Três execuções brutais.

O primeiro, um juiz aposentado. Encontrado em sua mansão, os olhos arrancados, uma corrente de ferro amarrada ao pescoço.

O segundo, um pastor de uma igreja local. Sua boca costurada com arame, suas mãos quebradas em ângulos impossíveis.

O terceiro, um empresário renomado. Pendurado pelo tornozelo em um galpão abandonado, a pele marcada com palavras esculpidas à faca: "Monstros merecem o inferno".

E, como sempre, uma mensagem deixada no local do crime.

"Aqueles que negociam vidas perdem a própria alma."

Quando Lena voltou para a delegacia, seus olhos estavam sombrios. Mas não disse nada sobre seu sumiço. Apenas pegou os arquivos e começou a analisar as mensagens.

Foi Hailee quem quebrou o silêncio.

— Você já sabe o que significa, não é?

Lena manteve o olhar fixo no papel.

— Sim.

— E não vai me dizer?

Lena suspirou, fechando os olhos por um segundo. Então, murmurou:

— Tráfico humano. Pedofilia.

Hailee sentiu um calafrio subir pela espinha.

— O quê?

Lena largou os papéis na mesa.

— Esses três homens tinham um elo. Todos estavam envolvidos em redes de tráfico de menores. Acobertavam, facilitavam… vendiam crianças como mercadoria.

Hailee sentiu o estômago revirar.

— Meu Deus…

— E agora, alguém decidiu que eles tinham que pagar.

Hailee olhou para Lena. E, pela primeira vez, percebeu algo além da frieza.

Algo mais sombrio.

Como se Lena estivesse cada vez mais perto do que tentava esconder.

Criminal | Hailee Steinfeld // youHistórias para pegar e não largar. Descubra agora