Cap 13: Marcas da Justiça

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O cheiro metálico de sangue impregnava o quarto apertado e sem janelas. O corpo estava posicionado de forma cuidadosa, quase ritualística, no centro do colchão imundo. A cena era um espetáculo de horror calculado: brutal, cruel, e ainda assim, meticulosamente planejada.

O homem, identificado como Victor Reyes, um conhecido estuprador em série que escapara da justiça por falta de provas, estava irreconhecível. Seu rosto fora esmagado com repetidos golpes, tornando impossível distinguir sua expressão final. Mas o mais perturbador não era isso.

Seus pulsos estavam cravados contra a parede com pregos enferrujados, como se tivesse sido crucificado. Seu peito havia sido aberto com cortes precisos, expondo as costelas quebradas. No abdômen, entalhado com precisão cirúrgica, estava o mesmo símbolo encontrado nas outras vítimas—só que desta vez, ampliado, como se a assassina quisesse ter certeza de que fosse notado.

E então, o detalhe mais impactante: sua língua fora arrancada e deixada sobre seu peito, um aviso silencioso.

Lena observou a cena por um instante antes de sair do apartamento. O calor do sangue ainda fresco impregnava suas luvas, mas seu coração batia em um ritmo controlado. Ela limpou as mãos, retirou as roupas manchadas e, com a tranquilidade de alguém que já fizera isso antes, desapareceu na escuridão da madrugada.

Departamento de Polícia – 07h00

— Isso não foi só um assassinato — murmurou Hailee, olhando para o corpo destroçado de Victor. — Isso foi uma declaração.

Lena, ao lado dela, estudou a cena como se a visse pela primeira vez.

— Sim — disse, mantendo o tom profissional. — E me parece pessoal.

O legista confirmou.

— A vítima foi torturada antes de morrer. Os cortes foram feitos enquanto ele ainda estava consciente. Quem fez isso queria que ele sentisse cada segundo.

Hailee fechou os olhos por um instante.

— O assassino sabia exatamente quem ele era. Ele queria puni-lo.

Lena manteve o olhar fixo no cadáver.

— Ou queria nos mostrar algo.

Hailee suspirou, cruzando os braços.

— Se antes achávamos que esse assassino matava com algum tipo de propósito, isso só confirma. Ele não mata aleatoriamente. Ele escolhe.

Lena virou o rosto para encará-la.

— Isso significa que podemos prever quem será o próximo.

Hailee assentiu lentamente.

— Se descobrirmos o padrão.

Lena reprimiu um sorriso. O padrão já estava lá. E ela era a única que sabia a resposta.

Criminal | Hailee Steinfeld // youOnde histórias criam vida. Descubra agora