Cap 6: Chess

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A noite caiu sobre a cidade, abafada e carregada de promessas silenciosas. Hailee sentia o peso dos últimos dias nos ombros – a investigação, as descobertas no escritório de Cole, a presença constante de Lena. Ou melhor, a ausência dela.

Era estranho como alguém que havia conhecido há pouco tempo conseguia se infiltrar na sua mente com tanta facilidade. Lena Carter era um enigma, um mistério que Hailee não conseguia decifrar. E talvez por isso, naquela noite, impulsivamente, Hailee a convidou para sua casa.

— Não tenho certeza se você gosta de vinho, mas… — Hailee ergueu a garrafa enquanto Lena cruzava a porta, os olhos analisando cada detalhe do apartamento.

— Gosto. — O tom de Lena era tranquilo, mas havia algo afiado ali, uma cautela calculada.

Hailee serviu duas taças e observou a mulher à sua frente. O jeito como Lena se movia, como se sempre soubesse onde pisar, como se nunca estivesse realmente relaxada. Mas agora, sob a luz suave da sala, ela parecia… diferente.

— Você é sempre tão difícil de ler? — Hailee perguntou, encostando-se no balcão da cozinha.

Lena sorriu, um sorriso pequeno, quase provocativo.

— Depende de quem está tentando me ler.

A resposta fez o estômago de Hailee se revirar. Era isso. Aquela tensão sutil, aquele jogo que parecia existir entre elas desde o primeiro dia. Não era só curiosidade – era uma atração magnética, perigosa, como um precipício chamando para o salto.

A conversa seguiu por um tempo, com Hailee tentando decifrar Lena e Lena deixando-se ser decifrada apenas o suficiente para manter o jogo interessante. Mas quando a noite avançou e Lena anunciou que precisava ir, Hailee sentiu um estranho incômodo ao vê-la partir.

E foi aí que começou.

Nos dias seguintes, Hailee se pegou distraída, rolando as mensagens no celular, parando sempre na conversa com Lena. Mensagens que enviava sem pensar muito, mensagens que ficavam sem resposta.

Hailee: Hey, foi divertido ontem. Vamos repetir?
Hailee: Você anda sumida. O que anda aprontando?
Hailee: Lena?

O silêncio do outro lado era ensurdecedor.

E então, veio a notícia.

Mais um assassinato.

A mesma brutalidade, a mesma assinatura.

Hailee sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao olhar para o corpo sem vida encontrado na periferia da cidade. A garganta apertou ao perceber que, enquanto ela perdia o sono pensando em Lena, enquanto se afundava na confusão dos próprios sentimentos, o assassino que estavam caçando seguia adiante, impiedoso.

Ela levantou os olhos da cena do crime e pegou o celular novamente.

Hailee: Lena, me responde.

Dessa vez, ela não queria apenas uma resposta.

Ela precisava.

Criminal | Hailee Steinfeld // youHistórias para pegar e não largar. Descubra agora