Tentei ligar para Max, mas ele não atendeu. Enquanto eu estava no táxi liguei novamente, mas dessa vez estava ocupado. Pensei que ele poderia retornar, mas até agora, nada.
Estou na casa de Brenda, e não há festa alguma aqui.
- Calma. Ainda irá começar. Mandei você vir antes pois não aguentei tanta depressão.
Joguei-me no sofá, com os braços abertos.
- Não tinha depressão alguma.
- Certo, certo, Ellen. Você pode negar o quanto quiser. Viva na negação! - Ela exclamou, exagerada. Olhei para o canto da sala, e caixas e mais caixas de cerveja estavam empilhadas lá.
- O que você fará com tanta bebida? Está grávida, não pode beber.
- Posso, sim. Uma garrafa de vinho, ou uma de cerveja.
- Onde você leu isso? É uma taça de vinho, não uma garrafa.
- Mas a cerveja pode.
- Não pode! Você não sabe o que está causando ao bebê.
Brenda para em minha frente, e por um segundo acho que ela está considerando a ideia.
- Ah! Está no começo. Não afetará em nada.
Salto do sofá em um pulo.
- Por favor, prometa que não vai exagerar.
Ela promete. Relutante, mas promete.
- E então... - começo - vai me dizer o porquê de estar dando uma festa de "despedidas"?
Brenda respira fundo, tirando o ar do fundo dos pulmões.
- Pediram o apartamento. Estou quase sem-teto!
Ela solta a notícia com tanta naturalidade, que eu penso que é brincadeira. Ela falou como se tivesse me dando a notícia de que vai chover, por exemplo.
- A situação está boa. Solteira, grávida, e sem ter onde morar.
Vou até ela e envolvo meus braços em seu corpo.
- Se eu morasse sozinha, te chamava para dividir o apartamento.
- Tem certeza que não dá? Max nunca está lá, mesmo.
Sorrio, mesmo ficando um pouco irritada com a ironia da afirmação. Era verdade, Max nunca estava "lá", em ambos os sentidos: figurado ou não.
Brenda se desvencilhou do meu abraço e correu até o quarto, saindo de lá minutos depois, com um vestido preto muito decotado e uma maquiagem pesada nos olhos.
- Mesmo quando a festa é na sua casa, você precisa estar assim? - Pergunto.
- Lógico. - Ela ainda está no espelho, espalhando mais maquiagem no rosto - Você nunca fez umas festas, não?
Paro para pensar, e vasculho minhas lembranças. Todas. Nem uma festa. Não em meu apartamento, pelo menos.
- Que vidinha triste!
Depois da afirmação de Brenda - que está só me colocando para cima hoje, yay - as pessoas começaram a chegar em seu apartamento. Algumas já bêbadas, algumas nem conheciam a dona da festa.
Estou sentada no sofá agora, com um casal aos beijos bem do meu lado, e Brenda em minha frente, instalando um aparelho Karaokê. Não sei quem trouxe essa preciosidade para cá, só sei que não sobrará para mim. Estou na quarta garrafinha de cerveja, ainda. Não vou me permitir embebedar.
A oitava garrafa de cerveja sai da minha mão e despenca ligeiramente no tapete. Já passa da meia noite, e o som está muito alto, o que já fez alguns vizinhos virem reclamar. Poucos, pela sorte de Brenda. A maioria dos moradores dessa área são bêbados - que estão na festa - e mulheres desnaturadas, que passam a noite fora, deixando seus filhos com os avós.
Brenda grita meu nome loucamente. Está pendurada no pescoço de um homem alto e careca. Parece um rato de academia. Ele está se mexendo ao som de "Sexy Back", do Justin Timberlake, provavelmente achando que a música retrata a vida dele. "Eu trouxe a sensualidade de volta". Não, garotão. Ainda não.
Olho para Brenda, mas não consigo fixar por muito tempo. Acabo vendo duas dela, sempre que tento parar o olhar. Alguém esbarra em mim, e oops!, algo para em minhas mãos novamente. Examino o copo com uma bebida marrom dentro, então percebo que é Whisky. Viro o líquido de uma vez só, o fazendo entrar garganta abaixo sem nem pensar. Está queimando. Sinto meu corpo fervendo, assim que a bebida se instala em meu organismo. Parece que percorre todo meu sangue, e depois atinge a cabeça.
Brenda continua chamando.
O careca musculoso não está mais agarrado com ela. Agora ela está sozinha, com um microfone na mão, e vem até mim.
- Vamos cantar "La Bamba" juntas!
Começo a rir. Por algum motivo, o fato de Brenda querer cantar La Bamba comigo me deixa fascinada, e não consigo parar de rir. Ela me dá uma tapa no braço e pede para que eu pare, mas isso só faz com que minha vontade cresça. Estou rindo mais e mais, a cada momento mais alto e com o som mais estridente. Nunca gostei da minha risada, e agora ela parece 10x maior.
- Não quero cantar La Bamba! - Grito. Minha voz parece muito, muito alta. - Quero cantar Roxette.
- Tudo bem, tudo bem. Tudo bem. - Repete Brenda, sem parar. - Posso cantar com você? - Ela se joga contra mim, enroscando os braços em meu pescoço. Está fazendo carinha de cachorro sem dono. Quero cantar sozinha, mas logo aceito seu pedido.
- Tá. Vamos cantar!
Alguém arrumou o karaokê e colocou Spending My Time, de Roxette para cantarmos. Brenda tenta tirar o microfone de mim várias vezes, mas eu não deixo e continuo cuspindo as palavras no ritmo da música.
- Spending my tiiiiiiiiiiiiiiime. Watching the daaaays-go-by! - Jogo o microfone no chão e, de repente, meu corpo cai também. Brenda tenta me segurar, mas estou me debatendo. Tateio o chão em busca do microfone, e quando o acho, volto a cantar: - Feeling so small, I stare at the wall hoping that you think of me toooo. - Largo o microfone novamente e seguro o rosto entre as mãos. Sinto meu rosto quente e ensopado, então Brenda me puxa para cima, agarrando meu braço com muita força, e eu acabo sentada no sofá, chorando.
___________________
♥ ♥ ♥
VOCÊ ESTÁ LENDO
As Listas de Ellen [versão wattpad]
ChickLitLivro 2 também completo no wattpad! (As Listas de Ex-Namorados de Ellen) VERSÃO WATTPAD, LIVRO NÃO REVISADO. °°°°° Ellen Farley é jornalista de fofoca de uma revista não muito famosa, em Nova York. Nesse mundo onde tudo vira notícia, Ellen fica sab...
![As Listas de Ellen [versão wattpad]](https://img.wattpad.com/cover/43168950-64-k130120.jpg)