Surtei

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Estamos em Outubro, e minhas férias parecem estar tão longe de mim.

A primeira etapa da autoescola está finalmente concluída e foi começar a fazer as aulas na rua, mas tudo parece tão triste para mim. Sinto saudades de amigos que a muito tempo não converso mais. Olho para tudo ao meu redor e nada faz sentido para mim. Começo a perceber o quanto minha vida é medíocre. Não sou feliz e nunca fui desde que cheguei aqui em 2009. Seis anos jogados fora, inúteis, para nada.

A faculdade tem ido bem, mas não vejo utilidade para ela. Não quero ser professora. Não estou menosprezando a categoria, mas quero me livrar de escolas o mais rápido possui. A escola é meu grande pesadelo, ela me faz chorar todas as noites sonhando com o dia que finalmente estarei livre dela.

Já não tenho vontade de fazer as coisas que ainda me animavam. Quero ficar embaixo das cobertas dias a fio, e esquecer de tudo e de todos. Sei que não posso. Quero sumir, sei que não dá.


Quando finalmente começo a ver o fim do mês, eis que sou surpreendida. Apenas quiseram me ensinar a fazer o meu próprio serviço. Como pode a pessoa achar que vai subir no Bond andando e ainda vai viajar na janelinha? O copo transbordou com a gota d'água. Sem dizer nada, pedi uma licença de 45 dias (e que eu tinha direito por lei) para pensar na minha vida e fazer algumas pessoas perceberem minha falta.

Negaram-me é obvio, mas no momento em que ouvi isso no telefone, senti algo diferente. Eu surtei.

Parece piada eu sei, e muitas pessoas acham que estou brincando quando digo que surtei. Mas foi real. Tive uma crise de pânico. Queria sumir dali, ir para casa, pedir a conta, qualquer coisa que me livra-se daquele lugar, daquele pesadelo. A crise que tive serviu para alguma coisa. A licença saiu imediatamente.

Mas e agora?

Em busca da felicidadeWhere stories live. Discover now