Nova Companhia

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Já são 8 da matina. Faz um calor infernal. E aqui estou eu indo para a recepção ver meu novo companheiro de equipe. Após tomar um devido banho e me preparar mentalmente tomando uma grande xícara de café com leite e algumas migalhas de pão. Acho o elevador e aperto o botão. Por sorte ele estava indo para a recepção. Ótimo. Assim não preciso ver o rosto de nenhum desgraçado. Mas assim que a porta se abre com um tintilar eu vejo uma garota. Devia ter no máximo uns 19 anos. Bonita. Corpo de uma combatente mas ainda guardava a feminilidade de uma dama. Estava com fones e um copo de café na mão. Vestia um vestido simples com pequenos desenhos de flores. Usava óculo e estava com uns papeis na mão. Devia ser uma garota nova da área de burocracia. Entrei e apertei o botão da recepção. O que quer que estivesse no papel era muito importante pois ela não tirou sua atenção dele. Me apoiei na parede do elevador e voltei a olhar a garota. Tinha cabelos prateados. Não brancos. Prateados como o aço. Lábios rosados, cabelo longo solto e na cabeça tinha uma boina rosa. Me lembrava uma modelo de revista mas isso não existe mais nesse mundo maravilhosamente acabado. Quando a porta se abriu novamente eu sai e fui ao sofá mais próximo sem nem olhar para onde ela ia. Na verdade isso não me importa tanto. Me sentei e peguei uma revista. Rasguei algumas folhas e comecei a brincar de jogar bolinhas de papel em qualquer lugar.

--- Se divertindo?

Olhei para trás e vi uma JB com cara de poucos amigos. Bom. Essa era sua atitude natural. Não havia motivo para reclamar. Mas isso sempre me fez pensar se ela tinha alguma vida fora do escritório e se tinha o que fazia após assinar tantos papeis e acabar com meu sossego?

---Estava a alguns segundos atrás.

---Ótimo, venha comigo. Vou lhe apresentar a sua nova amiga de matança.

---Maravilha. Sempre quis dividir a carnificina com alguém. E depois ter um jantar romântico no meio de sangue e tripas...lindo não?

Jb revirou os olhos, se virou e saiu andando. Vi que levaria alguns gritos se demorasse. Vamos acabar logo com isso. pensei. Talvez ela seja legal e não me encha o saco. Grande erro meu pensar isso.

Fui seguindo JB ate a sala de reuniões. Esse e o nome que demos a ela. Na verdade não acontece nenhuma reunião aqui. Não mais. As reuniões são no conselho. Não sei o motivo de terem mudado. Ate que era um local bonito a sala de reuniões. Tinha um jardim composto por dois jarros de plantas mortas, Uma mesa redonda cheia de nada mais que poeira, mofo por todo lado, cadeiras que certamente não aguentam uma criança de cinco anos. O lugar tinha sua beleza sepulcral. Perfeito para reuniões . Ao entrar na sala que não tinha porta vi JB com uma mulher do lado tendo uma conversa maravilhosamente chata. Deviam estar falando de unhas, maquiagem, como o Erick só faz aparecer rugas na pele.

--- Bom dia. O enterro já começou?

As duas viraram para mim. JB como sempre com um olhar que dizia claramente sua vontade de arrancar meu coração e por como aperitivo para os corvos que circulavam essa maravilhosa jaula gigante que chamamos ironicamente de lar. Um lugar tão fodido assim não serve nem para prostibulo. Mas prefiro isso a estar dormindo com monstros a espreita. Aqui de monstro basta JB e a mulher que faz a limpeza dos quartos...ela sempre esconde minhas cuecas. A mulher ao lado dela se vira para me encarar e a primeira coisa que percebo e a cor prateada dos seus cabelos. A novata do elevador.

---Erick. Essa e Ayumi. Sua nova parceira. Ela e a melhor atiradora de elite da filial japonesa. Foi mandada para nos ajudar. Ayumi me olhou com duas pedras tão verdes quanto esmeraldas. O que dava ao seu rosto um toque mais puro.

---Olá. E um prazer estar aqui. Espero que nos dois possamos ser uma equipe muito boa.

---OK. Isso e uma pegadinha certo? Ela não tem nada a ver com o campo de batalha. Mesmo para uma atiradora.

RéquiemHistórias para pegar e não largar. Descubra agora