Caput IV - Carthago delenda est

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O primeiro dia de tudo sempre fora apavorante para a personagem principal. A menina sempre tivera aquela simpatia nata, que a fazia ser bem sociável no jardim até a faculdade - mas isso não mudava o fato de não gostar de mudanças. E não há nada mais irritante do que ser obrigado a encarar isso.

Então, o primeiro dia era sua chocante passagem; quando ontem estava na faculdade e fazia pequenos trabalhos que as intenções eram todas ligadas à apenas sua educação, seus colegas saíam de uma festa no sábado e segunda já estavam planejando a da sexta que logo viria. Hoje, estava trabalhando no departamento de informações e publicidade da polícia local e seu futuro dependia disto, seus colegas eram sérios e o ambiente desconfortável.

Não que tivesse começado bem e, particularmente, ela gostava de bons começos. Realmente queria uma perspectiva diferente em sua vida. Seu otimismo subiu à cabeça, fazendo-a agir impulsivamente e não pensar nas consequências do depois. Sua desculpa mental para qualquer coisa era a que queria fazer a diferença e ser the sunshine do escritório.

Entretanto, quando ela chegou mais cedo, trazendo café quente para umas seis pessoas, acompanhada de suas revistas femininas favoritas, não foi surpresa que tudo fosse mal. Em primeiro lugar, ela não contava com a chuva que caíra de supetão e que provavelmente lhe traria uma gripe mais tarde. Também não esperava que o escritório só fosse aberto uma hora e meia mais tarde, com uma Harriet molhada, esperançosa e exausta aguardando fielmente como uma... idiota com cafés frios. Seus pés doíam por esperar tanto tempo de salto e seu astral foi para baixo.

Sua primeira impressão era de que não fazia parte daquilo tudo. Harriet sentia que tudo era errado, que não fazia qualquer sentido estar ali. Mas também sabia que era seu coração falando, porque precisava daquela carreira se quisesse trabalhar em algum programa de TV americano bem-sucedido no futuro. Talvez apresentar um Grammy, nomeação qualquer da FIFA ou estar nos bastidores de um grande show, transmitindo para o país todo? Isso a motivava - ao contrário de suas opções de emprego, que eram deploráveis.

Não havia muita contratação para o seu ramo artístico na pequena cidade. O que iria fazer, aliás? Poderia trabalhar na rádio, mas não era exatamente jornalístico; blog era uma tecnologia muito recente e falha - fadada ao fracasso e sem renda; não havia muitos eventos ou empresas que retratavam isso. Seu único caminho era o jornalismo criminal excelente de Kemble, que era referência em todo país.

Se não fosse tão apavorante, ela até que estaria animada e adorando a ideia. "Se nosso jornalismo já é ótimo em todo lugar pelo que publicam, imagine só o que eles não podem falar sobre!" - Johnny tentava argumentar com seus olhos brilhantes de amante de literatura policial, mas Harriet não nem saber. Era praticamente como descobrir que o bicho papão que vive embaixo de sua cama e você tenta ignorar tem colegas e família prontos para te devorar.

Quer dizer. A realidade já é cruel e chocante demais. Para que jogar na cara e tornar ainda mais explícito? Estava muito bem confortável com seus sonhos de contos de fadas, finais felizes e apresentações de Grammys.

Houve bons tempos em sua vida em que era sortuda e todas as portas se abriram para ela, iluminando seu caminho. Agora, o sentimento era de estar debaixo de um elevador pesado e com as cordas cortadas que só caía e estava prestes a esmaga-la.

"Sem boa sorte para você, Harriet. Sem boa vida para você. Acabou a moleza." O Universo deveria pensar algo assim em suas horas vagas, em que não estava acabando com a vida de alguém.

Mas, infelizmente, pensando feliz assim, Harriet foi tirada de seus devaneios por um garoto de olhos cor de âmbar que identificou como a primeira pessoa que chegara e abrira o prédio para si.

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